Marin usou dinheiro de propina para compras em lojas de luxo, diz Receita

Eduardo Graça

Colaboração para o UOL, em Nova York (EUA)

  • Marcus Brandt/EFE

    Ex-governador de São Paulo, Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2014

    Ex-governador de São Paulo, Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2014

De acordo com documentos revelados pela procuradoria dos Estados Unidos nesta quinta-feira  na Suprema Corte do Brooklyn, em Nova York, os dois proprietários da empresa Firelli International Limited (o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e sua mulher, Neuza) gastaram somente no mês de abril de 2014, por meio de um cartão de débito, pouco mais de US$ 118 mil oriundos de propina em compras em lojas de luxo nas cidades de Paris, Las Vegas e Nova York, em grifes como Hermes, Bottega Veneta, Roberto Cavalli, Bulgari e Chanel. A revelação ocorreu durante o depoimento do agente especial da Receita Federal dos Estados Unidos, Steve Berryman, no julgamento de Marin por casos de corrupção na Fifa.

A procuradoria americana seguiu a trilha de depósitos referentes à propina da liberação de direitos de transmissão de TV e broadcast da Copa Libertadores da América e da Copa América, em 2013 e 2014, com dois pagamentos de US$ 900 mil e um de US$ 3 milhões. Já partindo para suas considerações finais, o governo americano apresentou cópias de depósito da empresa FPT, uma offshore da Torneos Y Competencias (TyC), empresa dos argentinos Hugo e Mariano Jinkis, personagens centrais do escândalo, para a Support Travel Inc., empresa do ex-diretor da CBF Wagner José Abrahão, dono do Grupo Águia, responsável pelas viagens da CBF e figura próxima do ex-presidente Ricardo Teixeira.

O dinheiro foi depositado em uma conta da Support Travel no Banco Andorc Agrícola, de Andorra, e de lá era transferido para a conta da Firelli. A empresa, criada em 2012 família Marin, tem duas sedes oficiais: em Miami e nas Ilhas Virgens Britânicas. A TyC, por sua vez, era quem havia fechado com a Conmebol, em parceria com a brasileira Traffic, os direitos de negociar os contratos de transmissão de TV e broadcast tanto da Copa Libertadores quanto da Copa América.

A procuradoria mostrou detalhadamente como metade dos US$ 3 milhões de propina referentes à Copa America - destinados, de acordo com a planilha de Jose Eladio Rodriguez, ex-diretor da TyC, apresentada ao júri na semana passada, como "pagamento a brasileiro" - chegaram à conta da empresa dos Marin.

A outra metade seria, de acordo com indícios apresentados pela procuradoria, possivelmente destinada ao atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. A Firelli, que tem uma conta no Morgan Stanley Bank, nos EUA, recebeu três depósitos de US$ 500 mil vindos da conta da Support Travel no Banco Andorc, um no dia 12 de julho de 2013, outro no dia 27 de agosto e a última parcela no dia 15/10 daquele ano. A Firelli, de acordo com documentos demonstrados pela Procuradoria e encontrados na investigação da Receita Federal comandada por Berryman, tem endereço de correspondência no bairro de Long Island City, no Queens, em Nova York. De acordo com Berryman, usar um endereço físico para receber documentos diferentes dos donos da empresa ou do que consta no contrato da mesma é geralmente usado por indivíduos interessados em dificultar a conexão entre possíveis evidências e seus nomes no futuro. 

O depoimento de Berryman, que seguirá sendo interrogado nesta sexta, foi considerado um duro golpe para a defesa de Marin. A Procuradoria ainda não chegou aos dois depósitos de US$ 900 mil referentes à Copa Libertadores da America, mas a exposição dos gastos dos Marin em lojas de luxo em Paris, Los Angeles e Nova York não pode ter causado impacto positivo em um júri formado por cidadãos americanos residentes em um dos distritos com maior desigualdade socio-econômica dos EUA. A expectativa é de que a procuradoria termine seus trabalhos na sexta-feira e que no fim da semana que vem a defesa dos três réus - além de Marin, o ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Juan Angel Napout, e o ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, Manuel Burga - faça o mesmo.

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