Oposição se une por investigação contra Modesto e aciona Ministério Público

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Samir Carvalho/UOL Esporte

    Ruedas, Nabil e Peres são candidatos a oposição do Santos contra Modesto Roma

    Ruedas, Nabil e Peres são candidatos a oposição do Santos contra Modesto Roma

A oposição do Santos se uniu contra o atual presidente, Modesto Roma, para investigar uma suspeita de fraude nas eleições do clube, que ocorrem no próximo dia 9. Diante disso, o trio Andres Rueda, da Santástica União, José Carlos Peres, da Somos Todos Santos, e Nabil Khaznadar, da O Santos Que Quereremos, convocou uma coletiva de imprensa para revelar que acionaram o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público.

Eles pediram uma investigação de uma suposta prática criminosa com base nas informações divulgadas na imprensa. O trio de opositores investiga supostas fraudes no processo de inscrição de novos sócios do clube, entre novembro e dezembro do último ano. Reportagem da ESPN, publicada na semana passada, aponta que o clube recebeu mais de 2 mil associados entre novembro e dezembro de 2016, período próximo do limite estabelecido para que possam ser eleitores no pleito alvinegro.

"Por enquanto, é só isso. Como disse o Andres e Nabil, não estamos acusando ninguém, estamos nos focando na denúncia da imprensa. Ficou muito claro que, nos últimos dias, na data-limite para poder votar, entraram cerca de dois mil sócios. Pode ser que no meio disso tenham alguns que não tenham a ver, mas, a princípio, ficamos cautelosos. O artigo 39 do Estatuto não permite denúncias nesse período eleitoral. O que fazemos aqui é tomar providência que torcida nos cobra. Querem que a gente se posicione. O primeiro posicionamento foi procurar um órgão que faz um belo trabalho no Brasil. Lava-Jato, etc. Queremos passar isso a limpo", afirmou José Carlos Peres, que explicou também a mudança no sistema eleitoral do Santos.

"Estamos passando uma imagem maculosa ao mercado, que estaria havendo uma virada de mesa. Estamos vacinados com o Vasco da Gama, foi feita uma ordem numérica. Tomamos providência em conjunto. E passou de alfabética para numérica. A ordem da eleição será numérica. As denúncias continuaram nos jornais, cada vez estão mais incisivas, com provas, e nos unimos para tomar uma providência, com uma resposta para torcida e imprensa. Não podemos ser passivos. Nome do Santos está acima de tudo. Essa época de virada de mesa já acabou. Brasil está sendo passado a limpo. Estamos indignados, a ponto da oposição se unir pela lisura no pleito", completou.

A ideia dos conselheiros é identificar numa espécie de urna separada os "sócios suspeitos" de 2016. Na visão dos oposicionistas, em ordem numérica, seria mais fácil identificar os "suspeitos de 2016" na décima urna, a última do processo eleitoral. Para eles, os novos associados estariam todos nesta urna.

Segundo a matéria da ESPN, a adesão em massa beneficiaria Modesto Roma, atual presidente e candidato à reeleição. A reportagem diz que, em apenas 17 dias, entre 23 de novembro e 6 de dezembro de 2016, o Santos ganhou precisamente 2.098 novos associados. Estes já seriam votantes no próximo pleito. O número levantou desconfiança por ser superior aos meses de julho a outubro somados, além de ter recebido uma série de adesões em dias iguais. A média mensal era de 462 pessoas antes.

A reportagem da ESPN ainda aponta a participação do empresário Luiz Taveira, o mais influente dentro do Santos na gestão de Modesto. De acordo com os levantamentos, de 23 a 29 de novembro, quatro parentes de Taveira se associaram ao clube junto com mais pessoas, mas utilizando os mesmos endereços.

Em entrevista ao UOL Esporte, Modesto se defendeu das acusações sobre suspeita de fraude. Os números de sócios novos tiveram uma retomada em nossa gestão após uma queda na gestão anterior. Sempre que o Santos vai bem no Brasileiro, conquista vaga na Libertadores ou consegue conquistas relevantes há um crescimento de associações. O fato é que ocorreu uma queda nas associações em 2016, que por si só já desmente sua pergunta e mesmo a denúncia feita por um repórter que está respondendo uma queixa-crime movida por nossa gestão. Em 2015, tivemos 8.047 novas associações. Em 2016 houve 7.684. Se houvesse crescimento das associações visando eleição esse número seria outro, bem maior, em 2016. Esses números provam como é infundada a denúncia. Além disso, o Santos se classificou para a Libertadores entre novembro e dezembro de 2016. Por isso, houve cerca de 2 mil novos sócios apenas nesse período de dois meses. Essa história de novos sócios infelizmente é choro de quem acha que já perdeu", afirmou Modesto. 

"É preciso lembrar que eu defendo que os sócios deveriam votar com três anos de associação, como previa o estatuto da época do Marcelo Teixeira. Sempre fui contra que sócios com um ano no quadro votassem. Quem foi a favor é o hoje candidato a vice da chapa 1, que era vice-presidente do Conselho quando houve a mudança, e outros opositores que hoje são candidatos e eram conselheiros em 2011, quando mudaram o antigo estatuto para o atual. Por isso as mudanças estatutárias são importantes e estamos trabalhando para eleger um Conselho 100% de nossa chapa para finalmente conseguir arrumar essas distorções", completou.

Inicialmente, quando eleito, Modesto afirmou que não tentaria uma reeleição, apenas cumprindo os três anos de mandato, de 2015 a 2017. Em dezembro de 2016, o atual mandatário santista falou publicamente ter mudado de ideia "pela necessidade do clube".

O ano, no entanto, tem sido turbulento para a diretoria. Além de não ter conquistado títulos, demitiu dois treinadores – Dorival Júnior e Levir Culpi –, além de ter lidado com uma série de críticas, a não renovação do meio-campista Lucas Lima, que deve vestir a camisa do rival Palmeiras, e dificuldades financeiras, que culminaram em atrasos salariais.

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