Candidato, Nabil promete aposentar camisa 10 de Pelé e priorizar Pacaembu

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Divulgação

    Nabil já tem um pré-acordo para alugar o Pacaembu e fazê-lo "casa do Santos"

    Nabil já tem um pré-acordo para alugar o Pacaembu e fazê-lo "casa do Santos"

Aos 59 anos, Nabil Khaznadar, é empresário de sucesso no ramo têxtil e da moda, e se considera o único candidato opositor de Modesto Roma. Nabil faz questão de dizer que nenhum integrante de sua chapa trabalhou na gestão do atual presidente santista, diferentemente dos outros candidatos da oposição.

Após José Carlos Peres e Modesto Roma, o UOL Esporte segue, nesta quinta-feira, a sequência de entrevistas com os quatro candidatos à presidência do Santos, que responderão aos mesmos 15 questionamentos propostos pela reportagem.

Entre os seus principais planos, Nabil Khaznadar pretende aposentar a camisa 10 do Santos em homenagem a Pelé. O candidato quer convidar o Cosmos, onde o ex-craque santista jogou nos Estados Unidos, e fazer um evento internacional para alavancar ainda mais o nome do Santos no exterior. Nabil já tem um pré-acordo para alugar o Pacaembu e priorizar o estádio municipal como "casa santista", sem abandonar a Vila Belmiro. Ele ainda fala em encabeçar a criação de uma Liga para os clubes, se tornando independente da CBF, e revela que se reunirá com a Globo para ver o Santos em mais jogos na TV aberta. Veja a entrevista completa:

UOL Esporte: Por que deseja ser presidente do clube e quais são seus projetos a curto prazo?
Nabil:
Porque tenho certeza que sou o melhor e mais preparado dos quatro candidatos. Tenho mais de 40 anos de experiência no mercado da moda e trouxe para o Brasil grandes marcas como Hugo Boss, Adidas Original, Lacoste, Polo Ralph Lauren e, mais recentemente, Original Penguin. Nossa chapa tem um vice melhor, o Fábio Pierry, e uma equipe de apoio formada por profissionais que são referências em suas áreas de atuação, como Walter Schalka, CEO da Suzano Celulose; o premiado publicitário Celso Loducca; o especialista em marketing Amir Somoggi e o ex-secretário de esportes de São Paulo e vereador Celso Jatene; André de Fazio, ex-presidente do Conselho Deliberativo na gestão Laor; Arnaldo Haddad, médico e advogado; Fred Abdalla, advogado e empresário e o empresário Fabrício Paulella, entre outros. Para completar, somos a única e verdadeira oposição. Ninguém na chapa teve qualquer cargo na última gestão, ao contrário dos meus adversários. Estamos aí para fazer um Santos diferente, com uma gestão transparente, ética, moderna e profissional. Tenho certeza que o torcedor quer isso. O Santos precisa voltar a ser grande. Não pode mais continuar parado no tempo.

UOL Esporte: O Santos vive uma crise financeira que resultou em atrasos salariais nos últimos três anos. Há um plano emergencial caso vença a eleição?
Nabil:
Sim. No curto prazo a prioridade é renegociar a nossa dívida bancária, o passivo de curto prazo. Hoje o Santos paga quase R$ 10 milhões de juros bancários por ano. Para que se tenha uma ideia, isso é quase o valor total do patrocínio máster da Caixa, sem os bônus por conquistas. Nenhum clube aguenta isso. Temos apoiadores da chapa no mercado financeiro. Vamos conversar com eles para alongar o prazo de pagamento e diminuir o custo efetivo dessa dívida.

UOL Esporte: É a favor do Comitê de Gestão? Pensa em uma possível nova reformulação estatutária para acabar com o formato? Quem serão os sete integrantes do Comitê?
Nabil:
Sim. Inclusive foi o nosso grupo que instituiu a figura do Comitê de Gestão no estatuto do clube. Na época isso foi uma inovação no futebol brasileiro. Inclusive muitos clubes rivais acabaram adotando o modelo posteriormente. Nossa ideia é reforçá-lo e aprimorá-lo. O Comitê de Gestão é o órgão que toma as decisões mais importantes do clube, além de democratizar e descentralizar a administração e aperfeiçoar a governança. Quanto a nomes, só posso adiantar o do Walter Schalka. Os outros serão anunciados assim que a gente assumir o clube na semana que vem.

UOL Esporte: Como vê a relação entre o clube e a CBF, o que pensa? Pretende modificar algo? Incumbir alguém para se aproximar da entidade?
Nabil:
Reconhecemos a importância da CBF para o futebol brasileiro. Mas está na hora dos clubes serem os senhores dos seus destinos. Por isso vamos liderar o processo da criação de uma liga de clubes no futebol brasileiro. Esse é um dos nossos principais princípios. Os maiores e mais ricos clubes do mundo jogam em campeonatos organizados por eles próprios. Só para que se tenha uma ideia, em 2016 a CBF faturou R$ 647 milhões, mais que o dobro da receita arrecadada pelo Santos no mesmo ano. Isso não pode continuar. Os clubes precisam ter independência para negociar seus contratos de TV, placas de publicidade, licenciamento e outros ativos que hoje estão na mão de quem não deveria estar.

UOL Esporte: Sobre a Vila Belmiro, quais são seus projetos para o estádio? Pensa na reforma para ampliação? Reestruturação completa em formato das novas arenas?
Nabil:
Até pelas características do entorno da Vila seria difícil e caro fazer uma grande reforma para ampliá-la. Por isso, para jogos de maior apelo, teremos o Pacaembu. Mas isso não quer dizer que vamos deixar a Vila de lado. Muito pelo contrário. Vamos promover uma grande reformulação no nosso querido Alçapão. Nossa ideia é transferir algumas áreas administrativas para o CT e os departamentos de marketing e comercial para São Paulo. Nos novos espaços vamos instalar bares, restaurantes e lojas de produtos oficiais e licenciados. Todo o investimento será feito por meio de parcerias com as empresas que irão operá-los. Vamos realizar também obras de engenharia para ampliar os acessos, melhorar a circulação de público e acabar com os pontos cegos que tanto irritam a torcida. Por último iremos também acabar com aqueles camarotes térreos atrás do gol da rua José Alencar. Assim teremos uma Vila mais agradável e confortável para o nosso torcedor e mais incômoda para os nossos adversários.

UOL Esporte: O Santos seguirá mandando jogos em São Paulo? Qual o projeto sobre o Pacaembu?
Nabil:
Não só seguirá como vamos aumentar o número de partidas disputadas em São Paulo. Nossa ideia é jogar até clássicos e partidas decisivas no Pacaembu. Temos um pré-acordo com o secretário de esportes Jorge Damião para alugar o estádio. Nossa proposta é de locá-lo por três anos. Valor e tempo de contrato serão discutidos logo após a minha eleição. Para aumentar o conforto da torcida, a proposta é instalar novos bares, banheiros, restaurantes e uma megaloja oficial na marquise do tobogã. O investimento nas melhorias será abatido do valor da locação. É importante ressaltar que o aluguel não interfere em nada no processo de licitação que a Prefeitura pretende lançar no ano que vem. Enquanto o vencedor não sair, podemos continuar alugando. Com mais jogos no Pacaembu poderemos aumentar nossas receitas de bilheteria, match-day e o número de sócio-torcedores, pois a maioria da nossa torcida está na Grande São Paulo. O Santos não pode mais se esconder e jogar para seis mil pessoas. Somos grandes demais para isso.

UOL Esporte: Pensa em fazer muitas mudanças no elenco, comissão técnica e com relação aos dirigentes? Qual o técnico que pretende contratar? E qual o dirigente que ficará ligado ao futebol? Cargo que hoje é de Dagoberto Santos?
Nabil:
Com certeza faremos alterações no departamento de futebol, mas só falarei em nomes após a minha eleição. Posso adiantar o perfil dos profissionais. Para a gerência de futebol quero um profissional antenado com o que vem sendo feito nos principais clubes do mundo. Seria alguém como o Leonardo, por exemplo (ex-jogador e ex-técnico do Milan). Mas isso não quer dizer que será ele. Para técnico vamos buscar alguém que entenda o nosso DNA ofensivo e ousado. O time que mais fez gols na história não pode jogar retrancado ou esperando o adversário. Mas claro que esse profissional só será contratado após análise e aprovação do Comitê Gestor e do novo gerente de futebol.

UOL Esporte: O Santos teve um rápido crescimento em seu quadro associativo em 2016. Você pode explicar essa polêmica e suspeita de fraude?
Nabil:
Essa notícia nos pegou de surpresa e causou grande preocupação. Um clube do tamanho e da grandeza do Santos não pode ter uma eleição sob suspeita. Nosso departamento jurídico está acompanhando a questão de perto e analisando todas as possibilidades. A mudança no sistema de votação, com a adoção das urnas por número de associação, já foi um passo importante para assegurarmos a lisura e a transparência do pleito. Mas fico perplexo quando vejo que um das chapas, a 4, justamente aquela em que recaem as suspeitas, ter sido contra essa medida. Mas continuamos acompanhando tudo de perto. Caso seja comprovada a ligação de alguma chapa ou candidato com a possível fraude podemos pedir a imediata impugnação da candidatura.

UOL Esporte: O que pretende fazer para melhorar o marketing do Santos?
Nabil
: Esse é um dos departamentos que foi mais sucateado pela atual gestão. O marketing do Santos está praticamente abandonado. Mas vamos mudar isso. Uma das primeiras medidas será convidar o Amir Somoggi para cuidar da área. É um dos profissionais mais qualificados e que mais conhecem do assunto no País. Outra ação importante será a transferência do marketing e do comercial para São Paulo. E lá que estão as grandes empresas e as agências de publicidade. Precisamos estar colados no mercado. Vamos também fazer um plano para recuperar a nossa exposição. Para isso precisamos ter nossos jogos exibidos em TV aberta. A ideia é sentar com a Globo e entender os motivos do Santos ter sido esquecido pela emissora. Com mais jogos transmitidos nossa visibilidade aumentará e com isso podemos negociar patrocínios melhores e mais vantajosos. E jogar mais vezes no Pacaembu também contribuirá para isso.

UOL Esporte: Retorno de Robinho. É a favor ou contra? Trará outros jogadores de nome para a temporada? Se possível cite alguns nomes que interessam...
Nabil:
Robinho é um ídolo da torcida e merece todo nosso respeito. Mas prefiro não falar sobre isso agora. Até porque nem sei se ele ficará ou não no Atlético. Antes de pensar nele preciso ganhar a eleição e ele também decidir seu futuro em Minas.

UOL Esporte: Quais são suas propostas para as categorias de base? O que precisa mudar?
Nabil:
Praticamente tudo. Nossa galinha dos ovos de ouro está abandonada pelo clube e entregue a empresários. Precisamos mudar esse quadro. Entre nossos planos está a transferência do departamento para o CT Rei Pelé. Os profissionais irão para uma nova estrutura, que será construída na área continental de Santos. Vamos usar o terreno do CT Meninos da Vila no Saboó como moeda de troca na aquisição da nova área. No Rei Pelé os garotos terão melhor estrutura e melhores condições para treinar. Além disso ficarão próximos de suas famílias, da escola e das opções de lazer. Outro ponto que será revisto é modelo de captação de jogadores. Chega de peneiras viciadas e de empresários e agentes indicando quem bem entendem com a autorização de pessoas ligadas ao clube. Nossa proposta é mudar o sistema de descoberta e captação de talentos. Para jogar no Santos, o garoto passará por criteriosos testes de aptidão física e técnica. As franquias Meninos da Vila também deixarão de ser meras escolinhas para se transformarem em centros de formação de jogadores. Seguirão o mesmo padrão de trabalho e qualidade implantados na sede em Santos. Ainda criaremos uma escola de técnicos que desde cedo ensinará os garotos a jogar para frente e com ousadia. O DNA ofensivo do Santos será adotado desde o Sub-11 até o elenco profissional

UOL Esporte: Qual a verdadeira dívida do Santos? Aumentou mesmo ou diminuiu? Por favor, prove a verdade aqui do verdadeiro valor, pois no debate ficou a divergência.
Nabil:
Com certeza a dívida aumentou. Nossos cálculos apontam que ela está na casa do meio bilhão de reais. Mas só teremos a dimensão exata do rombo quando assumirmos e abrirmos a caixa preta da atual gestão. Mas posso adiantar que os números apresentados por eles não correspondem com a realidade. Só olhar a situação do clube, cheio de dívidas com empresários, elenco e fornecedores. Matéria recente do site da ESPN falou até em pedaladas fiscais. Isso é tão grave que já foi até motivo de impeachment de presidenta da República.

UOL Esporte: Opinião e motivos sobre o orçamento barrado na última reunião do Conselho Deliberativo?
Nabil:
São pelos mesmos motivos citados em relação à dívida. Falta transparência a essa gestão. Mas só quero deixar claro que ninguém da minha chapa teve participação direta na reprovação do orçamento. "O Santos Que Queremos" não tem nenhum membro no atual conselho. Então Modesto mente quando afirma que as três chapas barraram o orçamento. A nossa não esteve na votação. Mas mesmo não tendo participado temos indícios concretos de que os números apresentados não eram claros e confiáveis.

UOL Esporte: Ricardo Oliveira fica na sua gestão. E como enfim resolver o caso Damião/Doyen?
Nabil:
É um grande jogador, com excelentes serviços prestados ao Santos. Temos interesse em mantê-lo. Mas tudo que diz respeito a futebol será tratado e discutido semana que vem pelo novo gerente e diretor de futebol que assumirão a área. Até lá é assunto da atual diretoria. Sobre Doyen prefiro só falar quando tomar a real dimensão do caso. Mas de qualquer forma vamos buscar uma negociação que seja favorável ao clube.

UOL Esporte: Relação com o Pelé. Alguma novidade, algum plano?
Nabil:
Pelé é nosso maior patrimônio. Como diz a torcida, muitos times podem ter um príncipe. Mas só nós temos um Rei. Pelé será tratado com o respeito e reverência que uma majestade merece. Será sempre recebido com tapete vermelho e anunciado em qualquer estádio em que esteja assistindo a uma partida do Santos FC. Além disso, ainda tenho o desejo de fazer um jogo de despedida da camisa 10, assim como o Chicago fez com a 23 do Michael Jordan. Será um acontecimento mundial, que projetará a marca do Santos pelos quatro cantos do planeta. Minha ideia é convidar o Cosmos para essa partida. Pelé hoje tem a marca associada a uma empresa americana. Minha ideia é desenvolver ações e parcerias com eles que sejam vantajosas tanto para o clube quanto para o maior jogador de futebol que já pisou sobre a Terra. E para nossa sorte ele é um Menino da Vila. O maior de todos!

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