Candidato, Rueda promete não atrasar salários e veta loucuras por Robinho

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Guilherme Kastner/assessoria

    Andres Rueda trabalhou no Comitê de Gestão de Modesto Roma por oito meses

    Andres Rueda trabalhou no Comitê de Gestão de Modesto Roma por oito meses

Andres Rueda, 62 anos, é matemático por formação e empresário do setor de informática. Ele atuou em instituições e órgãos de grande porte dos setores financeiro e de tecnologia. Rueda é sócio do Santos desde 2002, já foi conselheiro do clube e trabalhou por oito meses no Comitê de Gestão do atual presidente Modesto Roma.

Após José Carlos Peres, Modesto Roma e Nabil Khaznadar, o UOL Esporte encerra, neste sábado, a sequência de entrevistas com os quatro candidatos à presidência do Santos, que responderam aos mesmos 15 questionamentos propostos pela reportagem.

Entre os seus principais planos, Rueda promete adequar as contas do clube. A primeira coisa em seu mandato será adequar despesa com receita. Para ele, não se pode gastar mais do que arrecada. Por isso, o matemático promete salário em dia e é ousado ao dizer que não pretende atrasar um único mês. "Nosso compromisso com os jogadores é: salário fechado é salário cumprido. É o cúmulo uma empresa não honrar salários e direito de imagem", disse. Veja a entrevista completa:

UOL Esporte: Por que deseja ser presidente do clube e quais são seus projeto a cruto prazo?
Rueda:
Passei rapidamente pelo Conselho de Gestão e vi que existia uma falta de procedimentos em relação a questões administrativas do clube. Somente uma pessoa mandando, decidindo tudo sozinha, e isso me fez tomar a decisão de montar um grupo com muitos amigos para que juntos possamos colocar o Santos no lugar onde ele merece. Fazer uma administração que prime pela responsabilidade e profissionalismo.

UOL Esporte: O Santos vive uma crise financeira que resultou em atrasos salariais nos últimos três anos. Há um plano emergencial caso vença a eleição?
Rueda:
Adequar urgentemente nossa despesa com a receita, alongando a dívida no que for possível e trazendo de volta a seriedade e confiança no mercado como um todo.

UOL Esporte: É a favor do Comitê de Gestão? Pensa em uma possível nova reformulação estatutária para acabar com o formato? Quem serão os sete integrantes do Comitê?
Rueda:
Primeiro, o estatuto reza que as decisões sejam colegiadas. O presidencialismo me incomoda. O estatuto diz que o Santos não tem um presidente, tem presidente do Comitê de Gestão, que tem como obrigação ter decisões colegiadas e por voto. O modelo é democrático, mas do jeito que está não condiz com o que deveria ser. Acredito que o Comitê deveria ser eleito, os nove nomes. As decisões deveriam ser colegiadas e com ata. Reunião formal e Comitê com decisão sobre assuntos do clube. Reunião tem que ser gravada e voto aberto. É importante saber o que cada um vota para sua base fiscalizar. Cada um ali está ligado a um grupo. Quando se obriga que a decisão seja pública, a base toda fiscaliza.

UOL Esporte: Como vê a relação entre o clube e a CBF, o que pensa? Pretende modificar algo? Incumbir alguém para se aproximar da entidade?
Rueda:
Sem dúvida o Santos tem que ter uma representatividade à altura em todas as esfera e todos os níveis: Federação, CBF, Fifa. O Santos não pode ficar fora de nenhuma decisão e ser tratado com revelia. Precisa de uma presença forte e capacidade como um dos maiores clubes do mundo.

UOL Esporte: Sobre a Vila Belmiro, quais são seus projetos para o estádio? Pensa na reforma para ampliação? Reestruturação completa em formato das novas arenas?
Rueda:
O Santos tem que tratar bem o seu torcedor, jogar onde for melhor tecnicamente e financeiramente, e fazer com que o seu torcedor reaproxime do clube, jogue onde jogar. Temos que melhorar as condições para que o torcedor e associado sejam melhores tratados independentemente do estádio em que for jogar. A Vila é nossa casa e já merece faz tempo uma adequação para dar maior conforto ao nosso associado.

UOL Esporte: O Santos seguirá mandando jogos em São Paulo? Qual o projeto sobre o Pacaembu?
Rueda:
Sou a favor do que for melhor para o Santos. Temos torcedores em todos os lugares e o torcedor santista precisa ser tratado com respeito e carinho. Pretendemos fomentar a torcida que anda meio afastada do clube, equilibrando jogos na Vila, em SP e em cidades do interior.

UOL Esporte: Pensa em fazer muitas mudanças no elenco, comissão técnica e com relação aos dirigentes? Qual o técnico que pretende contratar? E qual o dirigente que ficará ligado ao futebol? Cargo que hoje é de Dagoberto Santos?
Rueda:
No momento certo as definições sobre o futebol vão acontecer. Hoje não vou ficar aqui prometendo e aproveitando de um momento eleitoral para falar coisas e promessas que soem bem. Administrar é um ato de lidar com problemas e encontrar soluções.

UOL Esporte: O Santos teve um rápido crescimento em seu quadro associativo em 2016. Você pode explicar essa polêmica e suspeita de fraude?
Rueda:
Esse assunto está em análise jurídica para entender exatamente o que aconteceu. Na minha opinião, é completamente imoral. Me preocupa muito essa interação de tantos empresários na vida política do clube. Hoje tivemos nova denúncia e preocupa muito. A vida politica do clube tem de ser feita pelo real dono, o torcedor.

UOL Esporte: O que pretende fazer para melhorar o marketing do Santos?
Rueda:
O marketing é um departamento que precisa de mudanças imediatas também. O Santos precisa ser mais agressivo na busca por parceiros, ir ao mercado e mostrar suas estratégias. Não podemos mais ficar atrás de uma mesa. Os profissionais que ocuparem as cadeiras têm que ir a campo. Precisamos entender primeiro o que é marketing e o que é área comercial. Temos que entender o que o nosso público deseja e criar produtos para eles, aumentar a exposição da nossa marca nacional e internacionalmente, só com isso a área comercial conseguirá reverter essas ações em mais receita para o clube.

UOL Esporte: Retorno de Robinho. É a favor ou contra? Trará outros jogadores de nome para a temporada? Se possível cite alguns nomes que interessam...
Rueda:
Todo ídolo do Santos interessa para o clube. O torcedor cultua seus ídolos. Jogadores que estão em boa formação técnica ainda produzindo, sempre interessam. Mas, temos que encaixar dentro do planejamento financeiro, onde pretendemos gastar exatamente o que arrecada. É impossível declarar um superávit e os atletas estarem com salários atrasados. Na nossa gestão, isso não irá acontecer. Se o Robinho e outros jogadores se encaixarem dentro do planejamento estabelecido e que não afete o bom andamento da parte financeira do clube, não tem por que não ver essa possibilidade. No momento não tenho como citar nomes. Tudo será analisado e conversado com a gestão

UOL Esporte: Quais são suas propostas para as categorias de base? O que precisa mudar?
Rueda:
A base é uma das principais prioridades no clube e será restruturada com processos que evitem os recentes acontecimentos divulgados na imprensa de favorecimento a terceiros. Em relação à base um trabalho de excelência focado como é a origem da história do Santos em revelar os maiores jogadores do futebol brasileiro e mundial. A Santástica União terá profissionais competentes fazendo esse trabalho. E com certeza a construção de um CT moderno e que dê total condição para um melhor trabalho está dentro de nosso programa.

UOL Esporte: Qual a verdadeira dívida do Santos? Aumentou mesmo ou diminuiu? Por favor, prove a verdade aqui do verdadeiro valor, pois no debate ficou a divergência.
Rueda:
Os números estão desatualizados. A primeira coisa é adequar despesa com receita. Não pode gastar mais do que arrecada. A conta não fecha nunca. Tem que estancar essa equação e equacionar o que fazer com a dívida. No programa de trabalho de todo mundo tem isso. Não tem como ser diferente.

UOL Esporte: Opinião e motivos sobre o orçamento barrado na última reunião do Conselho Deliberativo?
Rueda:
Na verdade aquilo mostrou o quanto a administração é ruim. Teve um planejamento estratégico feito pela empresa do Brunoro que custou um valor faraônico para o clube aprovado no Conselho. Esse planejamento era bem claro quando dizia que o clube precisa reduzir despesas, tentar aumentar a receita para ter um equilíbrio financeiro porque senão corria o risco, inclusive, de solvência. Quer dizer, mandava apertar o cinto. E os conselheiros aprovaram isso. Agora, um orçamento que vai contra o que está escrito lá não tem sentido. Você tem um planejamento estratégico para diminuir despesa, aumentar receita e recebe um orçamento completamente ao contrário. Um investimento absurdo no futebol com a falsa promessa que o Santos vai ser Campeão do Mundo. Eu lembro, que não faz muito tempo, a atual gestão antes de acabar o período de classificação da Libertadores, comprando já passagens para Dubai e nada disso aconteceu. Não é assim que se toca uma empresa correndo tantos riscos. Tem que ser uma gestão com pés no chão, o clube não tem o direito e nem condições de aventuras financeiras que podem acarretar prejuízos incalculáveis para o clube.

UOL Esporte: Ricardo Oliveira fica na sua gestão? E como enfim resolver o caso Damião/Doyen?
Rueda:
O Ricardo Oliveira é um ídolo do clube, já está a bom tempo com a gente, já mostrou bons resultados. E temos que sentar com ele, negociar e o valor pretendido estando dentro das condições do clube é um jogador que interessa. Porém sempre dentro da política do Santos de ter salários e tudo mais dentro da realidade do clube. Não adianta nada prometer qualquer tipo de valores e depois acontecer de estar com salários ou direito de imagem atrasados. Nosso compromisso com os jogadores é salário fechado é salário cumprido. Não pretendemos atrasar um único mês qualquer. É o cúmulo uma empresa não honrar salários e direito de imagem. Sobre o caso Damião/Doyen pelo jeito já está resolvido. Vamos ver o contrato e esse acordo que fizeram se é tudo isso que se tem falado. Mas vamos ver.

UOL Esporte: Relação com o Pelé. Alguma novidade, algum plano?
Rueda:
Podemos usar Pelé e todos os outros grandes jogadores da história do clube, mas para isso é necessário que se tenha um projeto com base sólida, com objetivos claros para que se possa chegar ao resultado.

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