Como ex-Avaí superou depressão e virou campeão de fisiculturismo

Lucas Pastore

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Henrique Azevedo, ex-lateral-direito do Avaí, agora é fisiculturista

    Henrique Azevedo, ex-lateral-direito do Avaí, agora é fisiculturista

Quando uma série de lesões graves fez Henrique Azevedo entrar em depressão e desregular sua alimentação, ganhando peso rapidamente, parecia que sua carreira no esporte estava acabada. No entanto, o ex-lateral-direito das categorias de base do Avaí encontrou, na academia em que se recuperava, motivação para competir de novo. Hoje, enfileira conquistas importantes no fisiculturismo.

Atualmente com 34 anos de idade, Henrique jogou no Avaí até os 17. Foi colega de equipe de Gustavo, irmão do meia Marquinhos, ídolo do clube catarinense. Uma série de lesões graves, porém, atrapalhou sua carreira no futebol.

"Meus problemas foram lesões nos joelhos. Teve a primeira no esquerdo, machuquei o ligamento colateral medial e o menisco. Foram quase cinco meses sem jogar. Quando voltei, começar a jogar amador e society. Recebi um convite para voltar ao Avaí para o time de fut 7. Foram uns amigos que estavam lá que convidaram. Depois, passei pelo Floripa Esporte Clube, mas lesionei o outro joelho, machuquei o cruzado anterior e o menisco. Não conseguia mais render legal. Sentia dor, desconforto e ficava receoso", contou Henrique, ao UOL Esporte.

Os problemas afastaram do futebol o lateral-direito, que diz ter o cruzamento, o passe e a velocidade como pontos fortes. A segunda lesão, ocorrida em 2012, afetou também o seu lado emocional. "Entrei em depressão profunda. Não comia, depois comia muito. Engordei, ganhei 20 kg. Bem complicado", relembra.

Assim como fez da primeira vez, Henrique teria de voltar à academia para se dedicar ao processo de recuperação física. Dessa vez, no entanto, o esportista tomou gosto, e os exercícios ajudaram-no a sair do buraco que a lesão o colocou.

"Passei a me dedicar mais porque estava enorme de gordo. Em seis meses, estava no meu peso de novo", afirmou. Em 2015, Henrique ainda teria mais uma lesão no joelho esquerdo. Durante o processo de recuperação, o ex-lateral conheceu Eduardo Correa, referência do fisiculturismo na América Latina.

"Ele treinava na mesma academia que eu e me convidou. Nunca tinha pensado nisso. Foi um incentivo que surgiu. Passei a focar no campeonato de estreantes que rolou em 2016. Comecei a focar no fisiculturismo, e os sintomas da depressão começaram a desaparecer", relatou.

Arquivo pessoal

Com apenas dois meses de preparação, Henrique conseguiu a terceira colocação no campeonato, o que o motivou ainda mais. O resultado classificou o ex-lateral para o Catarinense, fazendo com que ele passasse a investir em treino, dieta e cuidados médicos. O resultado foi gratificante: o título estadual da sua categoria.

"Me classifiquei para o Brasileiro e o Arnold Classic. Fui em abril e peguei sétimo de 30. Foi o melhor resultado de um catarinense na história", disse o orgulhoso fisiculturista que compete na categoria de até 1,74 m, de bermuda.

Em julho, Henrique defendeu seu título catarinense e ainda foi campeão geral de todas as divisões da sua categoria. Neste momento, se prepara para outras competições, como o Arnold Classic e o Mr Olympia amador, respectivamente, na Colômbia e em Las Vegas.

Apesar dos bons resultados, se engana quem pensa que Henrique consegue viver do fisiculturismo. O esportista precisa conciliar seus treinos na academia com o trabalho de administração.

"Trabalho na Federação das Indústrias, em março fiz 12 anos. É bem pegado. Acordo às 6h, faço meu aeróbio em jejum, tomo banho, café e de lá para a empresa. Depois, vou para a academia, faço um treino de 1h20. Depois disso, vou para a casa e despacho minhas consultorias de treino. Meu dia tem quarenta horas", brincou Henrique, que aproveita sua experiência na academia para prestar consultoria.

Para conseguir se manter, o ex-lateral tem patrocínio da academia e parcerias para ganhar suplementação, roupa e corte de cabelo. "Acho que não dá para viver do fisiculturismo, mas das portas que ele abre. Não pago nada do que preciso para treinar. Se não fosse isso, não poderia fazer. É um esporte muito caro", opinou.

Hoje, Henrique consegue no fisiculturismo o sucesso que não conseguiu no futebol. E sem qualquer tipo de arrependimento por isso.

"Futebol, só casado contra solteiro e ainda pego chuteira emprestada do meu irmão. Hoje, se eu pudesse começar de novo, ia escolher começar pelo fisiculturismo", sentencia. 

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