Na terra onde o Grêmio luta para ser bi, a moda é apostar Rolex no treino

Luiza Oliveira

Do UOL, em Al Ain (EAU)

  • Reprodução/Instagram

    Brasileiro Caio Lucas joga no Al Ain FC e já ganhou vários presentes

    Brasileiro Caio Lucas joga no Al Ain FC e já ganhou vários presentes

O Grêmio vai tentar levantar o troféu do bicampeonato mundial em um país conhecido por ostentar suas riquezas. Os Emirados Árabes têm xeques apaixonados pelo esporte que investem fortunas no futebol. A riqueza é tanta que quem vive em Al Ain, terra onde o clube gaúcho começa sua jornada na próxima terça, a moda entre os boleiros é apostar Iphones e relógios Rolex em treinos.

O atacante brasileiro Caio Lucas demorou para se acostumar com a onda 'ostentação'. Depois de atuar por quatro anos no Japão, ele se transferiu para o Al Ain FC e há um ano e meio vive na cidade. "Se você fizer dois gols em mim, te dou um Iphone', disse um colega certa vez. Caio não acreditou muito, mas cumpriu seu papel e balançou as redes. Hoje, já coleciona celulares de ponta.

"No começo, quando eu cheguei, tinha um outro brasileiro aqui, o Felipe Bastos. Ele falou: 'Os jogadores são doidos. Se você apostar um Iphone ou qualquer outra coisa eles vão te dar um no outro dia. Eu falei: 'Ah, isso aí é mentira'. Aí teve uma vez que eu estava batendo falta e o goleiro disse que se eu fizesse um gol de falta nele ele iria me dar um Iphone. Consegui e ele me deu. E não foi só um. Já peguei 7 Iphones, já dei para a minha mãe, para o meu pai".

Roupas, sapatos, carros e... Rolex

Caio conta que os árabes são apaixonados por telefones e aparelhos eletrônicos. Assim que um modelo novo é lançado na loja, logo os atletas já aparecem com um novo treino. E isso é com roupa, sapatos, carros... 

Os relógios da marca Rolex também já viraram aposta. "Teve um jogo da Liga dos Campeões da Ásia em que, antes da partida, o lateral direito falou que se eu fizesse dois gols ele iria me dar um Rolex. Fiz dois gols e nem me lembrei. Fui para o Brasil de férias e, quando voltei, ele bateu aqui e me trouxe um Rolex. Foi muito curioso. Pode até demorar, mas eles cumprem", conta.

Os prêmios podem ser ainda mais vantajosos se quem der o presente for o próprio xeque presidente do time. O Al Ain reina na cidade onde o Grêmio está hospedado e é um dos clubes mais poderosos dos Emirados Árabes, com um plantel milionário.

Emerson Sheik era paparicado pelo presidente

Emerson Sheik teve seus momentos na cidade. O atacante atuou pelo Al Ain em 2009/2010 e, quando chegou, já tinha o apelido que recebeu no Qatar, mas ainda assim conquistou o xeque local com 9 gols em 14 jogos. Como regalo, ganhou dois carros da marca Audi: um R8 e um Q7, que na época custavam mais de R$ 1 milhão no Brasil.

"Ele corria muito e fazia muitos gols. Todos gostavam muito dele", conta o atual auxiliar técnico do time, Ahmed Abdullah, que ressalta a passagem de Claudio Adão pelo clube na década de 1980. Caio ainda não teve a mesma sorte de Sheik. Ele conta que os atletas não costumam ter muito contato com presidente que só apareceu uma vez no vestiário antes de um jogo da Liga dos Campeões, mas já ouviu várias histórias dele.

"Já ouvi falar muito que eles chegaram no vestiário com mala de dinheiro, relógio. Já ouvi que teve jogo em que eles estavam perdendo e se virasse o presidente já ia entregar dinheiro para todo mundo. Já tiveram jogadores que fizeram gol em final e ganharam carros. Se o sheik for com você, vai ter de tudo", brinca.

O Grêmio estreia no Mundial contra o Pachuca na terça (12/12), às 15h (horário de Brasília). A grande final do torneio acontece no sábado (16), também às 15h. 

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