Grêmio sai de R$ 5 mil em caixa para R$ 50 milhões em prêmios em 2 anos

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

  • Wesley Santos/Drone Service Brasil/Divulgação

    Mesmo sem gestão da Arena, Grêmio conseguiu melhorar situação financeira

    Mesmo sem gestão da Arena, Grêmio conseguiu melhorar situação financeira

O Grêmio dono da América e a dois jogos de ganhar o mundo de novo chegou lá no campo e fora dele. Em dois anos, o clube gaúcho melhorou a estrutura administrativa com sistemas e processos de gestão. Assistiu às receitas superarem o estimado dia após dia e saiu de um cenário quase sem fluxo de caixa para um horizonte com cerca de R$ 50 milhões em prêmios.

Nos estudos sobre gestão do esporte a analogia mais usada é a de um iceberg. A enorme pedra de gelo mostra que diversos aspectos vitais para o sucesso ficam fora do alcance dos olhos. No Grêmio atual também é assim.

Para ter um time competitivo, o Grêmio adotou política de austeridade. Além de cortar custos, criou protocolos internos com maior análise e rigidez para uso de receitas. Tudo isso amparado por novos softwares de gestão de empresas e práticas da área atualizadas.

"Levo muito da vida pública (para o futebol). Nela, se tem processo de transparência, controles e responsabilidade fiscal. Esses princípios a gente levou para o Grêmio, simples. E outra, o compartilhamento de decisões. O Conselho de Administração é orgânico no Grêmio", diz Romildo Bolzan Jr., presidente do Grêmio.

Em janeiro de 2015, o Tricolor contratou um CEO para comandar o clube. O profissional, buscado fora do futebol, teve papel fundamental no ajuste das contas e controle de gastos. Um mês antes, o Grêmio havia encontrado apenas R$ 5 mil em caixa para quitar dívidas imediatas.

"Conseguimos profissionalizar o clube em setores áreas vitais e tivemos melhora em diversos âmbitos. Pacificação política, evolução financeira e mudança no elenco", conta Cláudio Oderich, integrante do Conselho de Administração do Grêmio. "A evolução nos processos de governança foi muito importante para esse momento. Prepararam o caminho das vitórias", comenta Antônio Dutra Junior, assessor da presidência.

A falta de liquidez obrigou, também, o Grêmio a mudar a política de futebol. Saíram os medalhões e seus salários altos e entraram mais jovens da base. O técnico era Luiz Felipe Scolari e com ele o Tricolor também passou a investir na contratação de atletas livres. Como Marcelo Oliveira e Douglas, que mais tarde chegariam ao status de líderes do grupo.

Fora de campo, o Grêmio dava passos firmes, mas dentro das quatro linhas os resultados seguiam ruins. A falta de títulos não mudava e o déficit mensal se acumulava. Sem a gestão da Arena, o clube não consegue a receita de bilheteria e fica refém apenas dos contratos com a TV, venda de atletas e mensalidade dos sócios.

Com a saída de Felipão e chegada de Roger Machado, o time ganhou novas ideias e garotos da base tiveram mais ferramentas para evoluir. Walace, Everton, Pedro Rocha e Luan desabrocharam. Ainda assim, a seca de taças persistiu. No fim de 2016, o Grêmio apostou em Renato Gaúcho. O estilo do treinador casou perfeitamente com o ambiente montado na área.

A conquista da Copa do Brasil catapultou o Grêmio a outro patamar técnico e financeiro. O déficit mensal do clube, que antes chegou a ser de R$ 4 milhões, diminuiu para menos da metade. Confiante, o torcedor se associou. O quadro social pulou de 42 mil pessoas para 93 mil em menos de dois anos. E antes houve a negociação com a Globo.

O contrato pelos direitos de transmissão rendeu R$ 70 milhões de luvas e deu fôlego nas contas de 2016. Neste ano a cota é menor, mas a partir de 2018 o valor a ser recebido cresce. Para compor as contas no exercício atual houve a transferência de Pedro Rocha, a maior da história do Grêmio em números percentuais.

No meio do caminho o Tricolor se permitiu abrir os cofres em situações pontuais. Como na chegada de Miller Bolaños, que custou cerca de R$ 20 milhões, e Maicon, adquirido em definitivo do São Paulo por R$ 7 milhões. De resto, investiu baixo em reforços e deu espaço para a base. Captar, desenvolver e negociar jovens passou a ser uma diretriz irredutível do Grêmio.

"Ganhar tem seu preço, mas ganhar a qualquer preço não tem como. Há três anos o clube não tinha equilíbrio e agora temos isso", resume Bolzan Jr.

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