7 meses após morte, sócio teve título regularizado para voto no Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Márcio Pereira (centro), entre Andrés Sanchez e André Negão: ele regularizou o título do pai, que morreu em abril

    Márcio Pereira (centro), entre Andrés Sanchez e André Negão: ele regularizou o título do pai, que morreu em abril

Associado do Corinthians e ex-presidente da escola de samba Vai-Vai, Sólon Tadeu Pereira teve o título regularizado no início do mês durante uma promoção relâmpago da atual diretoria. Apesar de ter morrido no fim de abril, aos 69 anos, ele estava apto a votar, não fosse o veto da comissão eleitoral corintiana a todos os que usufruíram do benefício do desconto às vésperas da eleição de 3 de fevereiro do ano que vem.  

A informação foi publicada pelo site da Globo e confirmada pelo UOL Esporte com o Corinthians. De acordo com o clube, que alega não ter sido notificado pela morte de Sólon, ele constava na relação de associados que tiveram o título recentemente regularizado, mas não estaria apto a votar porque o acesso ao Parque São Jorge requer biometria. A regularização foi feita, porém, porque qualquer pessoa pode pagar para outra desde que tenha os dados em mãos.

No caso, o responsável pela regularização foi o filho de Sólon, Márcio Pereira, conforme informou ao site da Globo. Integrante do grupo Renovação & Transparência, que apoia a candidatura do deputado Andrés Sanchez à presidência, Márcio também é próximo de André Luiz de Oliveira, mais conhecido como André Negão, que é atual vice-presidente e grande apoiador de Sanchez. Na foto que ilustra a matéria, Andrés e André posam com Márcio Pereira. 

Foi por iniciativa de André e de seu aliado Eduardo Caggiano, diretor administrativo, que o presidente Roberto de Andrade autorizou a chamada anistia a sócios com títulos inadimplentes. Essa promoção concedeu desconto de 50% nos débitos para aqueles que tinham situação irregular e gostariam de votar. A comissão eleitoral do Corinthians, porém, atendeu a reclamações dos opositores Felipe Ezabella e Romeu Tuma Júnior, e cancelou o direito a voto dos "anistiados". 

Na próxima semana, liderada pelo desembargador Miguel Marques e Silva, a comissão eleitoral irá ouvir uma série de envolvidos no episódio, como André Negão e Caggiano, além do novo candidato confirmado ao pleito corintiano, Paulo Garcia, e do oposicionista Roque Citadini. Garcia assumiu ter cedido seu cartão de crédito para financiar sócios em situação irregular. Citadini também é acusado por rivais, mas nega ter atuado no episódio. 

A reportagem tentou contato com Márcio Pereira, mas não conseguiu resposta até a publicação da matéria. 

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