Grêmio ameaçou não entrar em campo na última vez que jogou Mundial

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

  • Evelson de Freitas/Folha Imagem

    Direção pediu aumento de cota. Em campo time perdeu para o Ajax nos pênaltis

    Direção pediu aumento de cota. Em campo time perdeu para o Ajax nos pênaltis

Vinte e dois anos atrás o Grêmio encarou uma disputa que valia o título de melhor time do mundo e perdeu nos pênaltis para o Ajax. Horas antes, no entanto, a partida estava ameaçada de não ocorrer. O clube gaúcho chegou a dizer aos organizadores que não entraria em campo se a cota de participação fosse mantida com valor inferior à equipe representante da Europa.

O que hoje é resumido como blefe gerou tensão nos bastidores à época e acabou surtindo efeito. A Toyota, empresa que administrava o Mundial Interclubes, cedeu. A história foi protagonizada por Fábio Koff, então presidente do Grêmio, e relatada pelo próprio no livro 'Fábio Koff. Memórias e confidências. O que faltou esclarecer', lançado em 2016.

Grêmio e Ajax se enfrentaram em 28 de novembro de 1995. Dois dias antes, os organizadores deram um jantar a dirigentes dos dois clubes e representantes das confederações – Conmebol e UEFA. O Tricolor tomou o encontro como uma chance para reiterar o pedido de cota maior.

"O ambiente era fraterno, mas eu já havia esgotado todos os meus argumentos para que a cota do Grêmio fosse aumentada. Talvez até em função já recebera as passagens para toda a delegação e ocupara o hotel, mas ainda não assinara o contrato", contou o ex-presidente. "Se o Grêmio não receber a mesma cota do Ajax, não entraremos em campo", disse Koff no encontro relatado nas páginas do recente livro.

O jantar do dia 26 de novembro se encerrou com a ameaça no ar e um clima de incerteza. No dia seguinte, véspera da partida, houve um novo compromisso entre executivos da Toyota, dona dos direitos do torneio, e cartolas. A cerimônia teve troca de presentes e discursos. Antes da palavra chegar ao Grêmio, o então presidente da Conmebol Nicolas Leoz avisou Koff que o pedido havia sido atendido e os japoneses haviam elevado a cifra a ser paga. O valor recebido das mãos dos organizadores foi, de fato, maior do que previsto no contrato original.

"Só a partir desse incidente os clubes sul-americanos passaram a receber cotas iguais às dos europeus", afirmou Fábio Koff.

O Grêmio volta a brigar pelo título de melhor time do mundo no sábado (16), contra o Real Madrid, em Abu Dhabi. E agora nem será preciso blefar para conseguir cota maior. Se for campeão, o Tricolor embolsa R$ 16,5 milhões em premiação. Caso seja derrotado fica com cerca de R$ 13 milhões.

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