'Intruso' no time campeão chegou ao Grêmio graças a ex-delegado

Jeremias Wernek e Luiza Oliveira

Do UOL, em Porto Alegre e Abu Dhabi (EAU)

  • Lucas Uebel/Grêmio

    Jaílson em ação na semifinal do Mundial de Clubes; volante é "intruso" no time

    Jaílson em ação na semifinal do Mundial de Clubes; volante é "intruso" no time

O Grêmio que venceu o Lanús-ARG duas vezes na final da Libertadores, eliminou o Pachuca-MEX e agora pensa no Real Madrid na final do Mundial de Clubes tem um 'intruso' em seu time titular. Jailson, 22 anos, chegou a ser terceiro reserva ao longo do ano e ganhou espaço pela lesão de Michel. E a história dele no Tricolor começou com a indicação de um ex-delegado.

Jailson chegou ao Grêmio no fim de 2014 pelas mãos de Ben-Hur Marchiori, um delegado aposentado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul que atuou como treinador em Bagé.

"Eu cheguei ao Guarany de Bagé para treinar o time no segundo semestre e o Jailson jogava como meia. Puxei ele de lado e perguntei se ele não queria jogar como volante. Ele topou e de lá eu levei direto para o Grêmio. Fiz ele passar por uns testes, o Grêmio gostou e não saiu mais", conta Marchiori, conselheiro do Grêmio e ex-delegado que fez uns bicos como treinador no interior do Rio Grande do Sul.

O ano era 2015, Jailson havia sido aprovado no Tricolor, mas era preciso esperar a vez na fila das promoções. Surgiu a chance de ser emprestado à Chapecoense e ele foi. Em Santa Catarina, agradou Guto Ferreira e passou ao elenco principal. De alternativa, passou a ser lapidado outra vez em Porto Alegre. Com Roger Machado, ganhou espaço e surgiu no time titular em 2016. À época chegou a ser pedido pela torcida no lugar de Walace, meses depois negociado com o Hamburgo-ALE por 10 milhões de euros.

Lucas Uebel/Grêmio

Com a venda de Walace, Jailson foi o primeiro nome a ser testado no início de 2017, mas não conseguiu ter regularidade e foi ultrapassado por Michel e depois Arthur. Só que Michel passou por artroscopia no joelho esquerdo antes da semifinal da Libertadores e a vaga abriu. Com Maicon em recuperação de cirurgia no tornozelo, coube a ele jogar.

"O Jailson estava largado, mas também porque não vinha jogando... Dei uns dois ou três puxões de orelha e ele acordou", disse Renato Gaúcho, depois das boas atuações do volante contra o Barcelona-EQU. O rendimento lá, a solidez contra o Lanús e o status dos rivais pela vaga fizeram Jailson seguir no time contra o Pachuca-MEX.

Na semifinal do Mundial, o camisa 25 até lembrou os tempos de base. Tal qual lá atrás, foi escalado mais avançado no segundo tempo, em troca com Ramiro, e ajudou o time a melhorar.

"O Jailson tem só 22 anos, ou seja, vai evoluir muito. Mas desde já tem duas coisas importantes: não toma cartão mesmo sendo volante e não conhece o departamento médico do CT do Grêmio. Nunca se lesionou", brinca Marchiori.

A indicação do ex-delegado da Polícia Civil não é incomum, mas encorpa o cenário de que o acaso jogou a favor do Grêmio em 2017. Jailson não custou nenhum centavo ao Tricolor quando chegou e hoje o clube tem 60% dos direitos econômicos do atleta. No Guarany de Bagé, ele recebia cerca de R$ 850 mensais como ajuda de custo.

"Eu cheguei ao Grêmio graças ao meu padrinho, o seu Ben-Hur. Três anos atrás eu estava no Guarany de Bagé e olha agora, estou com o Grêmio na final do Mundial", sorri Jailson.

No sábado (16), contra o Real Madrid, o Grêmio terá a sorte ao seu lado. Como roga o destino dos bons. E contará com um indicado pelo ex-delegado de polícia para tentar parar Cristiano Ronaldo e fazer a história com um quê de conto de fadas prosseguir.

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