Citadini quer novos preços de ingressos e PM fora da Arena Corinthians

Dassler Marques e Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Flávio Florido/UOL

    Citadini tenta chegar à presidência após ser derrotado por Roberto de Andrade em 2015

    Citadini tenta chegar à presidência após ser derrotado por Roberto de Andrade em 2015

Vice-presidente do Corinthians no começo dos anos 2000 e candidato derrotado na última eleição do clube, Antonio Roque Citadini voltará a concorrer à presidência corintiana nas eleições do dia 3 de fevereiro. Em entrevista ao UOL Esporte, o oposicionista falou sobre o plano de governo para o triênio 2018-2020.

Entre as propostas, Citadini prevê rever acordos ligados à Arena Corinthians, como o da Odebrecht e da Omni. O ex-presidente do Corinthians também destacou que a ideia é equilibrar as receitas do clube com ações mais agressivas de marketing - o departamento atual foi bastante criticado por ele.

As ideias que mais chamam atenção, porém, dizem respeito aos ingressos na Arena. Citadini prevê um aumento no valor dos bilhetes em setores mais caros. Isso, segundo ele, ajudaria a subsidiar a queda das entradas em áreas populares na Arena. O dirigente ainda prevê colocar em prática um plano audacioso ao criar um setor com torcidas mistas em clássicos e também quer a segurança do estádio feita exclusivamente por seguranças particulares. 

O UOL Esporte já publicou entrevistas com dois candidatos: Felipe Ezabella e Andrés Sanchez. Nos próximos dias, será publicada entrevista com Romeu Tuma Júnior. Paulo Garcia, candidato confirmado desde a quarta-feira (13), será convidado para uma entrevista. 

INCLUSÃO SOCIAL

O Corinthians sempre foi um clube popular. Nós não podemos deixar de ser um canal dessas camadas que hoje têm as maiores dificuldades. O clube precisa se abrir a todas as questões em todas as áreas, desde o futebol até outros esportes, para atrair esse pessoal. Que não é um pessoal de classe média, que tem condições. Esse é um ponto importante para trabalhar de forma que a gente possa a dar nossa contribuição a um clube de origem popular. Precisamos voltar a fazer nossas peneiras aberta para que a gente possa abrir a qualquer garoto a possibilidade de ele jogar e treinar no clube. Não só nesse aspecto. É preciso levar o Corinthians a instituições que precisem de estar no esporte.

FORÇA OLÍMPICA

Essa é uma questão importante. O Corinthians sempre teve momentos importantes no esporte olímpico. Sempre foi forte no basquete, na natação. O Corinthians tem um aparelhamento para produzir. Temos o maior ginásio. Isso tudo está dentro de uma questão maior. Com o futebol deixando o Parque São Jorge, não existirá mais no mapa do clube o estádio para efeitos de treinamento e de jogo. Mas agora que se completa esse ciclo quando a categoria de base tiver o CT dela. Será aberto um grande espaço no clube para redefinir questões. Pode fazer tanto para o clube social quanto para os esportes olímpicos. É um espaço que precisa se reencontrar para poder utilizar bem. Nisso entra os esportes olímpicos e o clube social. Nós temos de ver atividades para os associados e para os esportes olímpicos. Nós não vamos ter aquilo para o futebol. Não sei se o estádio deixará de existir, mas ele certamente se transformará.

NÚMERO DE CANDIDATOS

Basicamente as outras chapas são formadas por gente que saiu da situação. Eu diria o seguinte: a situação tem vários candidatos. Não que eles defendam a administração, mas são grupos cuja origem é da situação. A minha chapa também tem. Todo mundo sabe que sempre fui contrário, mas reconheço que muita gente que votou fez com as melhores intenções. Hoje, por exemplo, um dos meus vices veio da situação. Outros tantos membros de outras chapas também vieram. Não sei bem não se é um divisão da oposição ou da situação. Em termos políticos é uma grade divisão da situação. Em termos eleitorais não sei como isso se dará. 

Flávio Florido/UOL
Citadini foi vice-presidente nos anos 2000

ANISTIA A SÓCIOS

O que houve foi o seguinte: com essa proliferação de chapas, muitas chapas acabaram regularizando situações dos membros. Aí não vejo nenhum problema. A minha campanha não saiu por aí comprando voto. Não saiu. Isso todo mundo sabe. A minha campanha é a mais modesta, é a que tem menos dinheiro. Todos os outros candidatos têm agência de publicidade fazendo campanha. Menos a minha, a campanha eu faço quase só com voluntários. Não teve isso aí. 

ARENA CORINTHIANS

A gestão da Arena Corinthians tinha de gerar recursos para pagar a Arena. Isso não está ocorrendo. Temos uma questão básica aí, que é a Omni. A Omni é uma empresa que só trabalha para o Corinthians e sofre críticas de todos os lados. Primeiro que não está dando dinheiro para a gente pagar. Voltamos a ter problemas que são incompatíveis com a Arena, que são os cambistas. Não deveria ter ingresso na mão de cambista. Ingresso impresso é uma vergonha. Precisa de uma gestão muito mais moderna e voltada para o crescimento de receitas. Temos na Arenas outros problemas. Precisamos renegociar com a construtora. O estádio foi feito para a Copa do Mundo e o clube não resolveu ainda as questões básicas com a construtora, qual é o preço do estádio, o que falta fazer, o que falta pagar. Tudo isso não avança porque o Corinthians não dá um passo à frente. Isso em algum momento precisa de resolver. Quando concluir o estádio, certamente ela [Odebrecht] vai sair. Não vai ficar o tempo inteiro no estádio. Acontece é que precisa terminar o negócio estádio, concluído, com preço, tudo. 

CONTRATOS COM A OMNI e SPR

A Omni é mais forte que o presidente. É um contrato que será aberto e discutido. Não adianta prorrogar prazo se o contrato for ruim. A Omni ou a empresa que a substituir terá de rever entre outras coisas a modernidade que o estádio permite. Se a Omini quiser continuar com o sistema de ingresso impresso, terá problemas comigo. O contrato será aberto e renegociado ou trocado. Ele [Roberto] não conseguiu porque a Omni é muito forte lá dentro. A Omni é um braço muito relevante do grupo que está no poder. Eu não tenho compromisso nenhum com a Omni. O contrato com a SPR também é uma área nebulosa que precisa de luz. Óbvio que fecharam muitas lojas e se pode dizer que o país teve uma crise muito grande. Mas é um contrato que também terá de ser iluminado, para ver se é uma boa ou não para o Corinthians. 

PREÇO DOS INGRESSOS

Os ingressos para as áreas mais nobres do estádio estão baratos. A oeste é muito barata. Eu falo isso porque eu comprei o campeonato inteiro por um preço barato. Quando se barateia o preço do ingresso da área mais cara, você prejudica o da área mais barata. É preciso ter ingressos acessíveis. 

POLÍCIA FORA DA ARENA E TORCIDA CONJUNTA

Eu tenho uma ideia e vou trabalhar nisso aí. Eu acho que a Polícia Militar deve ficar fora do estádio. O papel dele é fora, como na Copa do Mundo. Lá dentro tem de ficar os seguranças do clube, como em qualquer país do mundo. Segundo: não tem sentido disputa de clássico com torcida única, nós vamos criar uma confusão muito grande, isso tem de acabar. A Polícia Militar inventou essa história de separar a torcida e olha no que deu. Temos de mudar. Precisamos criar zona mista de torcedor e até cobrar mais barato para as pessoas voltarem. Essa coisa de ficar duas tribos brigando não dá, nós não somos tribos. Tem de ter espaço para duas torcidas. Tem de ter espaço de torcida mista. Não é boa coisa esse negócio de confinar a torcida do Palmeiras no cantinho lá. O Palmeiras tem torcedor rico que pode pagar 500 reais na Oeste. Precisamos trabalhar para essas mudanças. 

PAULISTA E LIBERTADORES

Por que a Federação Paulista fica com 5% da nossa renda? A Federação Paulista não deu um tijolo para construir o estádio que estamos com dificuldades de pagar. Por que passar 5% para eles, a troco do quê? Já pagamos registro de jogador, transferência de jogador, as taxas todas nós pagamos. Isso vale para todas. A Conmebol também. Um dado relevante é que a Libertadores é antieconômica. Para um clube como o Corinthians ela dá prejuízo. Se ela der prejuízo, vai dar rolo comigo. A TV que andou fazendo contrato mal feito com a Libertadores ou banca ou não tem a competição. Não tenho problema de não jogar a Libertadores. Se for jogar, tem de jogar com retorno. Não temos mais esse problema de não ganhar a Libertadores. Se não pagar bem, não joga. A TV que coloque uma extensão do Faustão na quarta-feira. O Corinthians sabe a força que tem. A diretoria atual pensa pequeno, mas o Corinthians sabe.

BASE DO CLUBE

Essa política de parceria com empresários gera uma situação de promiscuidade clara. É preciso acabar com isso. A primeira coisa é acabar com esse tipo de negócio. Precisamos fazer como os grandes times do mundo. Não temos recurso, mas temos muito mais material humano que eles. Eu acho que se o Corinthians fizer isso, ajudará também o futebol nos outros clubes. Essa situação promíscua está em todos os clubes. No Corinthians tem mais visibilidade. Nós ganhamos pouco dinheiro e revelamos pouco jogadores. Talvez seja a década de menor número de jogadores revelados. Só avançou nessa questão porque o clube estaca sem dinheiro para contratar. A parceria com empresários é um acordo com os diretores, portanto não é uma coisa estável no clube. O melhor é ter 100%. 

PLANOS PARA O FUTEBOL

Eu fui quatro anos vice de futebol e conheço bem o futebol do Corinthians. Embora não se fale muito disso, o Corinthians é o clube mais profissional no futebol. As interferências políticas sempre foram pequenas, Não tem conselheiro ligando para o técnico para escalar jogador. O problema foi essa coisa na categoria de base, acordo com empresários. Isso criou problema. A verdade é que o clube é profissional. Esse ano o departamento de futebol encontrou uma solução para o clube que não era a solução de ninguém. Acabou dando certo. A fórmula Corinthians de organização do futebol está certa. O clube conseguiu criar nos últimos anos uma maneira igual de jogar. Isso deve se consolidar. O sistema do Corinthians ter um diretor técnico ou gerente ex-jogador é bom. É assim que funciona melhor com a comissão técnica. Tenho boas referências do Alessandro. O modelo me agrada. Gosto do estilo de jogo do Carille. Foi uma coisa muito boa não ter medo de arriscar com o novo. Foi muito bom o Corinthians ter produzido uma alternativa como a do Carille. É muito importante que se prestigie e blinde.

CONTRATAÇÕES

Contratação depende da comissão técnica e da situação de mercado. Seria uma especulação falar que vai contratar um ou outro. Óbvio que o elenco está precisando, é muito pequeno. Então provavelmente precise. Primeiro é um problema a ser resolvido pela comissão técnica e depois pelo clube. 

PLANOS PARA AS FINANÇAS

O Corinthians perdeu uma oportunidade histórica quando aumentou as receitas do futebol. Aquele momento era mais fácil para equilibrar. Mas aí aumentou muito as despesas e fez aquela maluquice de não recolher os impostos. Gerou um buraco, uma crise que o clube foi denunciado. O clube foi obrigado de uma hora para outra para prorrogar o contrato da Nike, pedir dinheiro para Globo, ir na CBF, na Federação Paulista. Chegaram até falar com a Odebrecht para arrecadar dinheiro para pagar aquele processo de crime fiscal. Isso é um dos motivos do descontrole das finanças. Abriu um buraco nas contas do clube. O clube, além de ter aumentado muito as despesas, cometeu essa loucura. Se paga até hoje. Na verdade isso acabou causando uma herança. Vamos pagar por um bom tempo.

COMO GERAR RECEITAS?

Temos de mudar o marketing inteiro. O marketing do Corinthians virou um marketing de time pequeno. Não podemos disputar um Campeonato Brasileiro, liderar a maior parte do campeonato, e não ter um anúncio que preste na camisa. Lideramos o Campeonato Paulista quase do começo ao fim quase sempre sem publicidade master. Uma coisa de louco, com as piores explicações possíveis. Nosso marketing é um fracasso total. Tem de repensar do começo. Sempre tivemos grandes anunciantes. Tem de começar por aí. 

FUTEBOL FEMININO

Ele vai ajudar muito, porque queremos que se jogue na Arena. No futuro vai ser um grande negócio. Precisamos tratá-lo bem. Jogar na Arena vai ser uma possibilidade de muitas pessoas que não conhecem a Arena conhecer, além de ver a partida do futebol feminino vai pela primeira vez lá. Inclusive nossos vizinhos de Itaquera, muita gente ainda não foi, porque os preços são salgados. No futebol feminino vai se cobrar preços mais acessíveis e vai permitir uma popularização da nossa arena.

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