"Diferentão", Geromel é pilar do Grêmio e pôs pulga atrás da orelha de Tite

Luiza Oliveira e Jeremias Wernek

Do UOL, em Abu Dhabi (EAU) e Porto Alegre

  • Matthew Childs/Reuters

    Geromel é um dos líderes e principais jogadores do Grêmio

    Geromel é um dos líderes e principais jogadores do Grêmio

Se Pedro Geromel está em campo, a torcida do Grêmio já fica mais tranquila. O zagueiro não só impede os gols dos adversários, mas também virou um grande líder do grupo e é um símbolo da equipe que vai brigar pelo bicampeonato do Mundial de Clubes contra o Real Madrid, no Zayed Sports City, a partir das 15h (horário de Brasília). Não foi por acaso que ele acabou ganhando o apelido pelos torcedores de "Geromito".

O zagueiro foge dos estereótipos dos zagueiros tradicionais. Quem o vê de longe, nem diria que é da posição. Magro, não tem porte físico avantajado e nem é corpulento. Mas até Cristiano Ronaldo vai ver que enfrentá-lo no 1 contra 1 é tarefa árdua para qualquer atacante. Ele acerta com a precisão de um relógio o tempo de bola, se antecipa bem e dificilmente erra o bote.

No Grêmio, faz uma dupla e tanto com Kannemann. O argentino é o responsável pelo primeiro combate com o atacante adversário, geralmente o centroavante mais posicionado, e Geromel fica na sobra. Pratto, Barrios, Abila não devem ter boas lembranças da dupla na Copa do Brasil de 2016. E repetindo suas atuações seguras na campanha da Libertadores. Geromel e Kannemann seguraram Godoy Cruz-ARG, Botafogo e Barcelona.

"Geromito" faz diferença também no ataque

Se o problema lá atrás está resolvido, por que não se arriscar no ataque? O zagueiro é um dos jogadores que mais participa dos lances de gols do Grêmio. Na final da Copa do Brasil do ano passado contra o Atlético-MG, no Mineirão, saiu correndo lá de trás e da ponta direita deu assistência para o gol do Everton.

Apesar da cara de novinho, Geromel já é experiente. Teve uma ascensão tardia no futebol e se tornou ídolo depois dos 30 anos. Chegou ao Grêmio como um desconhecido em 2014 e antes havia passado apenas por pequenos clubes da Europa.

Ele diz com orgulho que o Grêmio foi seu primeiro grande clube. Lá, ele ajudou a transformar e se transformou. Com a bagagem na Europa e o tempo de clube, virou peça importante também no vestiário. Passou de um jogador a mais para um verdadeiro líder do grupo, até merecer a faixa de capitão e levantar o troféu da Libertadores.

O desempenho em campo e a postura já ligaram o radar de Tite que sempre o cita como um candidato para ir à Copa do Mundo. O Brasil tem três vagas definidas na posição, Marquinhos, Miranda e Thiago Silva, e a quarta ainda está aberta.

Geromel teve só uma chance na estreia de Tite e acabou tendo menos oportunidades que Rodrigo Caio, Jemerson e Gil, seus concorrentes diretos. Ainda assim, segue forte na disputa. A comissão técnica de Tite andou viajando pela Europa para observar os zagueiros e alguns deles não vêm em fase tão boa como Jemerson, no Mônaco, e Felipe, no Porto, que corre por fora. Mas a boa fase está colocando uma pulga atrás da orelha do comandante.

Geromel, um cara articulado que fala vários idiomas, prefere aparecer apenas pelo seu futebol. Pacato e discreto, preza pela família. Neste sábado, ele vai entrar em campo para o jogo mais importante de sua vida. E um dia antes, deu mostras de sua personalidade e fez questão de homenagear quem mais o ajudou a chegar lá. Postou uma foto com seus pais, o seu primeiro treinador Wagninho e sua esposa. "Pessoas que sempre acreditaram em mim e me ajudaram quando mais precisei. Sem vocês, não estaria aqui. Muito obrigado por tudo".

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