Flu "cai na real" e muda estratégia de patrocínio após anos de fartura

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Ale Cabral/AGIF

    Fluminense mudou a rota de suas conversas por possíveis interessados em ocupar camisa tricolor

    Fluminense mudou a rota de suas conversas por possíveis interessados em ocupar camisa tricolor

Sem um patrocinador máster de longo prazo desde a saída da Unimed, o Fluminense "caiu na real" e reformulou a sua estratégia para capitalizar com a venda de espaços de seu uniforme.

Acostumado com a antiga parceira, que monopolizava as propriedades da camisa, o Flu "perdeu o hábito" de ir ao mercado. E, quando foi, colocou sobre a mesa valores incompatíveis com a realidade, algo muito distante do caminhão de recursos disponibilizados pela empresa de planos de saúde. Daí um dos fatores para que o clube tenha recusado uma oferta de cerca de R$ 11 milhões da Caixa Econômica Federal, considerado pela cúpula tricolor uma oferta baixa à época.

Com os pés mais no chão, o Flu encontrou uma melhor receptividade dos anunciantes, que foram seduzidos com a possibilidade de fazerem um investimento pontual por valores até mais em conta do que os previstos "em tabela". Com os orçamentos de marketing das empresas fechados, o Fluminense foi atrás de oportunidades de mercado. Seja por uma ou outra brecha inesperada nas contas ou na desistência de um negócio anteriormente previsto por uma empresa, o clube conseguiu seis parcerias de agosto para cá.

Exceção feita ao fabricante de colchões Euro, todos os outros contratos renderam um dinheiro para o clube, que vive um drama financeiro. Esta espécie de "aperitivo" foi positivo na avaliação dos dirigentes, que entrarão o ano de 2018 com três espaços já preenchidos e com uma boa possibilidade de emplacar o máster, cobrança corrente entre os torcedores. Com o uniforme repleto, os tricolores creem que conseguiram demonstrar que o produto pode ser interessante para quem estiver disposto a investir e ativar suas marcas por meio do esporte.

O Fluminense tem conversas entabuladas para vender o principal ativo do uniforme com três possíveis interessadas, que enxergam um interlocutor com um tom mais adequado à realidade. Segundo análise do banco estatal, que patrocina 14 dos 20 clubes da Série A, um possível contrato de um ano para ocupar o espaço mais nobre do manto tricolor renderia algo na casa dos R$ 10 milhões. Esta medição é feita por uma conta que engloba o tamanho da torcida, a exposição e o engajamento em redes sociais, dentre outros fatores.

"Já mudamos e oficializamos a nova precificação da camisa. O patrocínio máster é importante, mas não é a solução. Hoje as marcas sentem que temos um projeto de curto a médio prazo do Fluminense", afirmou Marcus Vinicius Freire, CEO tricolor.

Nelson Perez/Fluminense
Acordo com a Universal Studios foi considerado positivo

Para o executivo, o acordo com a Universal Studios foi uma tacada de mestre. Ao atrair uma das mais reconhecidas empresas do mundo, o Flu, de acordo com a visão de Freire, mudou de patamar na hora de atrair potenciais parceiros para o futuro.

"É como se a gente estivesse com a casa sem mobília e comprasse um sofá maravilhoso. Aí, apareceu um monte de gente querendo sentar no sofá", comparou ele.

Apesar da evidente mudança de rumo, a urgência em lotear a camisa tem uma razão muito clara: falta dinheiro nas Laranjeiras. No mês passado, Diogo Bueno, vice-presidente de finanças do clube, mostrou que a dívida total saltou de R$ 434 milhões para R$ 440 milhões. Sem receitas, a dificuldade para honrar os compromissos fica ainda maior, o que obriga os dirigentes a buscarem grana nova na praça.

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