Vice de cabeça erguida, Grêmio consolida geração que aprendeu a ser grande

Luiza Oliveira e Jeremias Wernek

Do UOL, em Abu Dhabi (EAU) e Porto Alegre

O Grêmio não acabou com o planeta, nem realizou o sonho de vencer o Real Madrid na final do Mundial de Clubes. Não saiu com o título, mas sim orgulhoso. O time deixa os Emirados Árabes de cabeça erguida pelo papel desempenhado e consolida uma geração de jogadores que aprendeu a conquistar.

O Grêmio de hoje tem o espírito do vencedor, ainda que tenha saído derrotado por 1 a 0 no duelo contra o melhor time do mundo. É aquele que não se amedronta, que não foge da raia, que vai treinar todos os dias como se fossem o últimos, que vai brigar de igual para igual com qualquer um até o fim. E nunca desistir.

Esse elenco deixa para o Grêmio um ambiente vencedor que há muitos anos o clube não conhecia, apesar de seu passado de glórias. Foi esse sentimento que embalou o time que ganhou a Copa do Brasil de 2016 e a Libertadores deste ano. Além de não ter se acovardado diante do Real Madrid de Cristiano Ronaldo.

LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Nesta trajetória, jogadores que um dia foram contestados subiram de produção e mostraram para a torcida que ela poderia dar um voto de confiança. Pedro Geromel era um desconhecido quando chegou em 2014, Marcelo Grohe foi visto sob desconfiança por anos, Luan também foi contestado por sumir em jogos grandes. Todos se tornaram alicerces do time. Tiveram papel de destaque na conquista da Copa do Brasil e cresceram ainda mais ao longo da Libertadores.

Para o presidente Romildo Bonzan, esse é o maior legado desse grupo. "Esse grupo já deu o legado da Copa do Brasil no ano passado, esse grupo este ano fez a Libertadores e disputou praticamente todos os campeonatos que teve participação. Disputou a semifinal da Copa do Brasil, disputou o Brasileiro até o fim numa disputa de Brasileiro completamente atípica porque tivemos várias oportunidades de fazer jogos com o time reserva e até com terceiro time. O legado desse grupo são campeonatos, é ser um grupo vitorioso", disse.

Lucas Uebel/Grêmio

Renato Gaúcho foi peça fundamental nesse processo. O técnico com sua personalidade super confiante fez esse time entender que, sim, pode. Injetou ânimo, fez ajustes e emponderou a equipe. O treinador é o centro de uma estratégia que valoriza o mata-mata e cria um clima de concentração extrema.

Dessa forma, o atual elenco representa uma grande ruptura para o Grêmio que ficou por 15 anos na fila. Até o Campeonato Gaúcho era motivo de tensão. Desde os anos 2000, a equipe só conquistou o estadual quatro vezes em 2001, 2006, 2007 e 2010. Neste mesmo período, o rival Inter levantou o troféu 12 vezes.

O Grêmio foi parar na Série B em 2005 e só subiu no sufoco da emblemática Batalha dos Aflitos. Em 2007, deu um ânimo para a sua torcida e chegou à final da Libertadores contra o Boca Juniors. Muitos apontam que faltou experiência ou 'cancha', na linguagem do futebol, àquele elenco que contava com Tcheco e Diego Souza.

No ano seguinte, foi ainda pior. Um vacilo histórico marcou a campanha do time no Campeonato Brasileiro. O Tricolor gaúcho liderava o torneio com folga e havia fechado o primeiro turno 11 pontos à frente do São Paulo e cinco pontos à frente do então vice-líder, o Cruzeiro. No returno, os paulistas arrancaram e passaram o Grêmio que se contentou com o segundo lugar.

Em 2009, o time de Paulo Autuori era considerado bom. Mas mais uma decepção com a queda na semifinal da Libertadores para o Cruzeiro após perder o primeiro jogo por 3 a 1. Nos últimos anos, o Grêmio até investiu. Trouxe jogadores tarimbados como Zé Roberto, Hernán Barcos, Cris e Elano. Mas ainda assim não conseguia ter um grupo fechado que se unisse para seguir adiante como fosse preciso.

Por tudo isso, após o duelo contra o Real Madrid, os jogadores estavam muito orgulhosos por tudo o que fizeram e o que já foi deixado como legado. "A gente sai com a cabeça em pé porque fizemos o nosso melhor. Infelizmente não saímos com o nosso objetivo que era conquistar o título, mas o grupo todo está de parabéns por ter chegado até aqui. Conquistamos a Libertadores, ganhamos a semifinal e o mais importante é que não nos entregamos em nenhum momento e fizemos mais que podíamos", disse o zagueiro Pedro Geromel, destaque do time.

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