Ele fica em casa, ela vai jogar: casal de jogadores viveu 2017 inusitado

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Instagram

    Maurine e Wellington estão juntos há 3 anos

    Maurine e Wellington estão juntos há 3 anos

É comum ouvir relatos de mulheres que abandonam carreira e estudos para se dedicarem à vida do marido ou namorado que tenta a carreira de jogador de futebol. Com Maurine e Wellington os acontecimentos não só foram diferentes, como o ano de 2017 ainda trouxe uma rara inversão de papéis: enquanto a mulher saiu de casa para participar de concentrações, jogos e torneios pelo time feminino do Santos, o homem assumiu as responsabilidades do lar enquanto tratava uma lesão que o tirou dos gramados em toda a temporada.

"Por a gente ser atleta é muito fácil ela entender minha situação e eu a dela. Teve momentos em que ela estava sem jogar muito e eu jogando mais em que ela me ajudava e também teve momentos do lado contrário. Isso tudo faz a gente entender a distância e lidar com as saudades. Estando no mesmo ramo já sabemos como funciona", diz Wellington, ao UOL Esporte.

"O que nós temos é muito raro no universo dos jogadores. Tem bastante casal no vôlei, mas no futebol não. Nos conhecemos pelo futebol e tentamos nos ajudar. Eu assisto todos os jogos dela, ela assiste aos meus e vamos falando o que cada um precisa melhorar. Tem que aceitar crítica (risos). No começo a gente ficava bravo quando alguém apontava uma falha, mas já estamos juntos há três anos, agora está tranquilo", brinca o zagueiro de 26 anos, atualmente no Mirassol.

Será o segundo ano de Wellington no clube do interior de São Paulo. No primeiro, entretanto, ele pouco jogou. Depois de apenas dez partidas no Campeonato Paulista do ano passado, o jogador que havia sido revelado pelo Palmeiras rompeu o ligamento cruzado anterior da perna esquerda e precisou ser afastado para tratamento. Com contrato só até o fim do Estadual, ele renovou até dezembro para fazer a recuperação no clube e depois até o fim do Paulista de 2018 para ter a chance de jogar mais.

Wellington já está treinando para estar à disposição do Mirassol desde o início do Paulista. Sua ideia é fazer bom papel e voltar ao cenário nacional, em que já defendeu Palmeiras, Ponte Preta, Santa Cruz e Atlético-PR nos últimos anos - seu contrato com o clube da capital paulista terminou só no ano passado, após diversos empréstimos e apenas 23 jogos.

"A lesão interrompeu a maior sequência de jogos que eu já tive. No começo foi difícil assimilar tudo isso, mas acaba que nos tornamos ainda mais profissionais durante o tratamento de uma lesão, cada treino é uma luta. Tem jogador que reclama de treino, mas temos que valorizar. Estou louco pra pegar um goleiro na minha frente e meter um dedão", brinca o jogador, que vê no Mirassol a chance da retomada de sua carreira.

"Fui bastante emprestado e a chance mais válida para mim foi do Atlético-PR. Meu contrato com o Palmeiras se encerrou no fim de 2016 e sou muito grato pelo clube ter me acolhido durante nove anos. Não tem como ter mágoa. Respeito muito a opinião dos treinadores que acharam justo eu não ter oportunidade ou que acharam que algum outro jogador vinha em melhor momento. Pelo que o Palmeiras me deu não tenho como ficar bravo por isso. O que vale são as experiências de vida".

Uma das experiências vem de uma frase que ele ouviu do pentacampeão Lúcio durante o período em que eles atuaram juntos no Palmeiras: "A vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de ganhar". Wellington está se preparando para voltar ao futebol em 2018 e atuar em alto nível. Assim como tem feito Maurine.

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