Fôlego e músculos: Paulinho vira essencial no Barça que esquece Guardiola

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

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    Paulinho e Messi: um passa, o outro infiltra

    Paulinho e Messi: um passa, o outro infiltra

"E aí, vamos para Barcelona?". 

O convite de Lionel Messi a Paulinho, durante um Brasil x Argentina em junho quando o volante se preparava para cobrar uma falta, não foi mera formalidade. Com cinco Bolas de Ouro na estante de casa, o maior jogador da história do Barcelona surpreendeu o brasileiro e certamente não deve estar arrependido. Um semestre depois, Messi encontrou em Paulinho o sócio ideal dentro de campo e alguém que simboliza uma temporada de transformações no Camp Nou. 

Se iniciou a janela do último verão europeu com o clássico Marco Verratti como principal alvo, o Barça terminou o mesmo período com Paulinho como contratação do setor. Estilos bem opostos entre um jogador de grande qualidade de passe versus um reforço que se destaca por outros atributos. O fôlego incansável para percorrer longas distâncias, os músculos de sobra para vencer disputas por cima e por baixo, e gols para oferecer. 

Com seis gols já marcados no Campeonato Espanhol, marca que nenhum outro jogador de sua posição alcançou, Paulinho virou símbolo de uma equipe que já não tem mais a mesma obsessão dos tempos de Pep Guardiola. É verdade que o treinador deixou a Catalunha há cinco anos, mas as experiências seguintes mais marcantes, com um auxiliar [Tito Villanova] e com um discípulo [Luis Enrique], mostraram que o Barça ainda tentava manter vivo aquele DNA de jogo. 

O clássico do último sábado (23), no Santiago Bernabéu, deixou claro como o novo treinador Ernesto Valverde é uma antítese desse estilo e tem Paulinho como o maior símbolo dessa mentalidade. Durante boa parte do duelo de Madri, foi o Real que pressionou, circulou a bola e tentou achar espaços. O Barça, com seu protocolar 4-3-3 convertido em um 4-4-2 clássico por Valverde, teve Paulinho da ponta para o centro como marcador no setor de Marcelo e atacante por quase todos os setores. "Sempre tenho Busquets como referência de posicionamento", chegou a comentar o brasileiro. 

"Ele se relaciona bem na chegada com a segunda linha, corre muitos quilômetros. É verdade que não tem o jogo de posição como outros que temos, porque vem de outro futebol, mas nos ajuda muito. Estamos muito contentes com ele", resumiu Ernesto Valverde, treinador do Barça, com menção ao estilo difundido há tempos por Guardiola e que, também pelas idades mais avançadas de Messi e Iniesta, se dissolve pouco a pouco. 

Um dos nomes da vitória no Bernabéu

PAUL HANNA/REUTERS

Especialista em atacar os espaços vazios, uma virtude lapidada por Tite no Corinthians e na seleção brasileira, Paulinho foi novamente o sócio perfeito para Messi e o jogador mais difícil de ser parado pelo time adversário. Sem o mesmo vigor de outros tempos, o argentino de 30 anos circulava no ataque e, quando menos poderia se imaginar, aparecia na área para finalizar e levar o goleiro Keylor Navas à loucura.

Com uma defesa impressionante, aos 34min do primeiro tempo, o costarriquenho impediu o gol de Paulinho em assistência de Messi. Na segunda etapa, foi a vez de o lateral Carvajal, com a mão mesmo, trocar um cartão vermelho por um pênalti e também negar ao brasileiro seu gol no clássico. Sem problemas, porque a cobrança foi convertida por Messi e encaminhou a vitória. 

Chamado de "melhor contratação surpreendente" da temporada pelo site inglês "Squawka" e de "chave" para a vitória do Barcelona em Madri pela agência AP, Paulinho coleciona elogios nos primeiros meses de Espanha. Um prêmio ao secretário técnico Robert Fernández, que enfrentou as críticas para desembolsar 40 milhões de euros por um brasileiro de 29 anos que atuava na China e tinha duas passagens ruins pelo futebol europeu. 

"Ele se relaciona bem com o gol. Tem chegada, acompanha as jogadas e sempre tem fé em atingir o objetivo. Parece que tudo vai a favor dele, mas isso é um sinal que acompanha as jogadas e por isso é premiado", destacou novamente Valverde, acostumado a fazer elogios a Paulinho, que colocou seu estilo dentro da equipe em meio a uma adaptação tranquila ao vestiário e à cidade, sempre com Messi como o jogador mais próximo dentro e fora de campo. Por sorte do argentino e do Barça, o brasileiro disse 'sim' ao convite feito em junho na Austrália.  

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