Pratto se despede do São Paulo: "É minha filha precisando de mim"

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Ale Frata/Código 19/Estadão Conteúdo

    Pratto deixa o São Paulo com 48 jogos e 14 gols em 11 meses

    Pratto deixa o São Paulo com 48 jogos e 14 gols em 11 meses

No segundo dia de atividades abertas na temporada, o São Paulo viveu mais uma despedida. Depois de Hernanes dar adeus ao clube em entrevista na última sexta-feira, nesta segunda foi Lucas Pratto que comunicou a saída do clube. O argentino acertou a transferência para o River Plate, em transação de 11,5 milhões de euros (R$ 44,4 milhões), dos quais R$ 32,9 ficarão nas mãos do Tricolor.

"Estou aqui para falar a verdade. Ouvi muitas coisas esses dias, mas queria deixar claro o esforço do Raí e de toda diretoria para que eu ficasse. Eles sabem que meu pedido foi uma questão complicada com minha filha na Argentina. Seria meu quarto ano no Brasil e minha filha não queria que eu ficasse longe. Estou separado, então é uma questão mais complicada. O São Paulo fez todo esforço para que eu ficasse. E minha resposta de agradecimento foi deixar claro que só sairia para a Argentina, nenhum outro lugar, nem Brasil, nem Europa ou China. E tinha que atender os valores que o São Paulo merece pelo esforço que fizeram para me trazer e para me manter", disse Pratto.

Na transação, o Atlético-MG ficou com 3 milhões de euros. O Galo aceitou diminuir sua participação no negócio e ainda teve de cumprir cláusulas contratuais, por isso não recebeu o valor equivalente aos 45% dos direitos econômicos que possuía.

Paulistas e mineiros ainda podem ganhar mais dinheiro com a venda de Pratto em até dois anos, isso se o River ganhar títulos importantes. Esse bônus por metas alcançadas pode chegar a 3 milhões de euros para o São Paulo e a 500 mil euros para os atleticanos. Ficou definido ainda uma cláusula que dá preferência ao São Paulo em um eventual retorno após o fim do contrato com o River.

"A negociação vem depois de um pedido pessoal do Lucas, algo compreensível e insuperável para ele. Ele, com muito profissionalismo, fez questão de que o São Paulo fosse recompensado, porque sabia que a gente queria manter a base e ele era um dos pilares. As negociações foram definidas hoje (segunda), com o gerente-executivo Alexandre Pássaro resolvendo os detalhes todos. Depois disso, foi decretado o acordo e a decisão do Lucas de voltar à Argentina", explicou o diretor-executivo de futebol Raí, que acompanhou Pratto na entrevista.

Pratto disputou 48 partidas em 11 meses defendendo o São Paulo, que investiu R$ 20,5 milhões para tirá-lo do Atlético-MG. Embora agora tenha lucro financeiro com a transação para o River, em campo o desempenho ficou abaixo do esperado. Foram 14 gols e seis assistências no período, em que foi capitão, estrela e líder do elenco. 

"Escutei que estava abandonando o projeto por não gostar do que vi ano passado e isso é uma mentira. Eu estava com muita vontade de ter um 2018 muito bom com o São Paulo, mas quem tem filho sabe que as oportunidades são únicas quando as crianças são novas. Eu tenho 29 anos e não tive uma figura paterna justamente por ter pais separados. Quero estar perto da minha filha. Se os valores não atendesse, falei que ia ficar aqui feliz. Fui o primeiro a chegar dia 3 e sentei com eles para falar que se não tivesse acordo não ia ficar bravo e nem ia pedir para sair. Não é uma questão de dinheiro. Estou deixando dinheiro que deveria receber, inclusive. É uma questão totalmente pessoal. Não tem nada de mercenário, de não gostar. O projeto deste ano com Raí, Ricardo Rocha é muito melhor do que o do ano passado, com as contratações que estão chegando", justificou Pratto, que prosseguiu com o depoimento: 

"Agradeço por terem atendido meu pedido. Agradeço ao clube a ao torcedor que deu todo o apoio. Esse ano será bem diferente, com briga por títulos, conquistas e deixar claro que se eu voltar algum dia, no meu contrato tem uma cláusula que a preferência é do São Paulo. E darei essa preferência por todo esforço que fizeram. Agradeço ao clube, à torcida, a meus companheiros e à imprensa por ter paciência no ano passado quando não queríamos falar. Peço desculpa se fui forte nas palavras agora, porque merecia falar. A saída do Atlético foi diferente e essas duas foram as únicas que pedi. Antes terminava meus contratos ou era vendido. Agora é só minha filha. Também escutei que voltaria pela seleção e isso também é mentira. Fazer 15 gols no São Paulo ou no River é a mesma coisa. Não quero escutar isso. É só minha filha precisando de mim". 

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