Como Cavani tem prestígio baixo no PSG mesmo sendo artilheiro?

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris (FRA)

  • Franck Fife/AFP

O ano de 2018 do Paris Saint-Germain começou com a ausência de Edinson Cavani. O atacante faltou aos primeiros treinamentos sem dar justificativa e deixou o treinador, Unai Emery, irritado. A atitude agrava a situação do uruguaio que está longe de ser unanimidade no clube mesmo com a grande quantidade de gols – são 25, em 25 jogos na temporada até o momento.

Na goleada por 6 a 1 diante do Rennes, pela Copa da França, no último domingo, Cavani foi castigado com a ausência na lista de convocados. A defesa apresentada foi de que considerava justo ter mais dias de folga no Uruguai por conta de uma viagem comercial do elenco ao Qatar às vésperas do Natal. Ele e Javier Pastore se apresentaram dois dias após o combinado.

O cenário do atraso de Cavani é julgado internamente como diferente de um pedido recente de dispensa de Neymar para viagem ao Brasil por problemas pessoais. O brasileiro viu dirigentes e o treinador Unai Emery o defenderem pessoalmente. O uruguaio não contou com nenhuma compreensão. O ato de Cavani foi considerado grave, principalmente, por ser reincidência. Em 2015, o atacante também esticou as férias no Uruguai por conta própria e gerou desconforto.

Falta de diálogo e substituto à altura pesam contra Cavani

Guenter Schiffmann/AFP

Dialogar com Cavani é uma raridade no PSG. E o rancor com Unai Emery se deve ao fato da escolha por Neymar como cobrador de pênaltis. Sim, o cenário de briga com o brasileiro ainda persegue o artilheiro do time na temporada.

O comportamento isolado também o deixa com baixo prestígio no elenco. Festas, jantares, ou simples reuniões do grupo. Cavani nunca está presente. "Não preciso ter amigos. Mas sim, claro, que tenho maior afinidade com alguns. O importante é respeitar meus companheiros e trabalhar por vitórias", comenta Cavani quando perguntado sobre o isolamento.

Dentro de campo, o fator preocupante para Cavani é o crescimento de Kylian Mbappé como centroavante. A presença de Mbappé como 9 foi especulada pela imprensa francesa diante de uma futura saída de Cavani.

Diante do Rennes, o PSG atuou com Di Maria pela direita, Neymar na esquerda e Mbappé no centro. A participação do trio está cada vez mais comum. Cavani tem contrato com o PSG até julho de 2020, mas uma negociação é constantemente especulada. Aos 30 anos, a renovação com aumento salarial desejada pelo atacante está longe de acontecer.

"É um dos maiores ídolos da torcida, aclamado jogo a jogo no Parque dos Príncipes, mas realmente é algo que não reflete a cabeça dos dirigentes. Ouvir críticas ao Cavani por aqui é normal", comentou Florient Tourchet, repórter do jornal esportivo francês L'Equipe.
 

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