Palmeiras fala em "virar chave" e investir na base, mas reduz meta em 2018

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • Palmeiras/Divulgação

    Pedrão, zagueiro do time sub-20 do Palmeiras

    Pedrão, zagueiro do time sub-20 do Palmeiras

No primeiro dia de trabalho do Palmeiras em 2018, o diretor de futebol Alexandre Mattos falou de um projeto que existe no clube desde sua chegada: o de fazer da categoria de base a principal fornecedora de talento da equipe principal. "Daqui a pouco, o Palmeiras não vai nem precisar ir ao mercado", disse ele. De fato, a reformulação na base alviverde vem acontecendo e o time contratou menos neste ano. Por outro lado, o clube reduziu sua meta de utilização de atletas da base para a temporada.

Em 2017, o objetivo era ter quatro jogadores da base com 45 minutos disputados em pelo menos dez partidas do time profissional. A marca passou longe de ser alcançada: o jogador com mais tempo em campo foi o volante Gabriel Furtado, que jogou meio tempo contra a Ponte Preta no Brasileirão. Para este ano, a meta é bem mais modesta e prevê apenas a utilização de quatro atletas no profissional, sem estipular quantidade de jogos ou minutos.

O principal motivo para "baixar o sarrafo" foi, na visão do Palmeiras, a constatação de que a meta anterior era muito difícil de ser alcançada em uma equipe do porte alviverde, constantemente pressionada para conquistar títulos. No ano passado, movido pela expectativa de conquistar a Libertadores, o clube fez contratações de peso como Felipe Melo, Guerra e Borja, que acabaram dificultando o uso de jovens.

Além disso, há o entendimento de que a utilização de atletas da base não pode ser trabalhada como algo obrigatório – cabe aos garotos demonstrar que têm condições de serem aproveitados. Para 2018, as apostas principais são os atacantes Artur (já integrado ao elenco principal) e Fernando, o meia José Aldo e o volante Matheus Neris, além do meia-atacante Vitinho, que está emprestado ao Barcelona B até o meio do ano e pode voltar.

Apesar do espaço para a base ainda ser escasso no time principal, o Palmeiras trata o objetivo de se reforçar no mercado cada vez menos como algo factível. A estratégia atual de trazer jogadores com contratos longos, segundo avaliação interna, vai permitir que o elenco se estabilize a médio prazo e abra mais essa possibilidade. Para 2018, porém, o time preferiu fazer "contratações pontuais" no mercado. Trouxe o goleiro Weverton, os laterais Marcos Rocha e Diogo Barbosa, o zagueiro Emerson Santos e o meia Lucas Lima.

Outro ponto é que o regulamento do Campeonato Paulista passou a permitir a inscrição ilimitada de atletas formados no clube. A mudança foi vista com bons olhos pelo Palmeiras que, desde 2015, com a chegada do coordenador João Paulo Sampaio, do Vitória, tem reformulado suas categorias de base.

A principal alteração foi um foco voltado mais para o campo. O clube reduziu pessoal em setores mais administrativos e aumentou o número de treinadores e olheiros, subdividindo as categorias. O sub-17, por exemplo, passou a ter uma espécie de "equipe auxiliar" sub-16. O objetivo é dar mais atenção aos garotos que estão no chamado "ano ruim", em que competem na mesma categoria contra jogadores um ano mais velhos, o que pode fazer muita diferença em faixas etárias mais baixas.

A estratégia surtiu efeito, e em 2018 o Palmeiras teve seu melhor ano nas categorias de base. Foram 16 títulos e oito vice-campeonatos em 38 competições disputadas, do sub-11 ao sub-20. Resta agora dar o passo seguinte e, cumprindo a meta que o próprio clube se impôs, passar a usar na equipe profissional o talento que é preparado em casa.

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