Coutinho fecha mudança de perfil do Barça: ostentação no lugar da base

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Albert Gea/Reuters

    Em seis meses, Barcelona virou protagonista das três maiores transferências do mundo

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A assustadora inflação do mercado da bola nos últimos dois anos tem um protagonista. Na Era Pep Guardiola, especialmente, o Barcelona se vangloriava da sua autossuficiência. Ao invés dos milhões gastos com superstars, o clube produzia as próprias estrelas na academia de La Masia. Hoje, no entanto, a realidade é completamente oposta, com os catalães ostentando e ultrapassando sem pensar a casa dos 100 milhões de euros por um jogador (R$ 385 mi).

Quem fecha esta mudança de perfil é Philippe Coutinho. Alvo do Barça desde a janela de verão, ainda no meio de 2017, o brasileiro assinou agora em janeiro sob a bagatela de 160 milhões de euros (mais de R$ 600 mi). Para tirá-lo do Liverpool, o clube catalão precisou tornar o meia brasileiro simplesmente no segundo jogador mais caro da história do futebol.

No atual perfil barcelonista, o mercado surge como opção melhor às categorias de base tão comentadas durante os primeiros anos da década. Guardiola usou 22 atletas de La Masia, enquanto o sucessor Tito Vilanova conseguiu escalar 10 jogadores das "canteras" para uma partida contra o Getafe. Atualmente são apenas nove nomes que nasceram para o futebol nas academias barcelonistas.

Lionel Messi, Gerard Piqué, Jordi Alba, Sergio Busquets e Andrés Iniesta – velhos conhecidos – são os destaques. Sergi Roberto, outro "canterano" e um dos mais jovens, também é peça importante dentro do elenco; o camisa 20 tem recebido chances como titular.

Por outro lado, Denis Suárez, que foi recomprado pelo clube em 2016, é reserva. Já Rafinha (por lesão) e Gerard Deulofeu, que custou 12 milhões de euros (R$ 45 mi) na última janela de verão, mal atuaram neste Espanhol.

Albert Gea/Reuters
Clube pagou 105 milhões de euros no verão por Dembelé; o mais caro antes de Coutinho

Os "canteranos" de destaque são veteranos, e o clube se arma para substituí-los com peças oriundas de fora da Catalunha, assim como fez com Neymar, que apesar de não ser da base barcelonista ocupava o status de ídolo no clube. Para compensar a venda do brasileiro, o jogador mais caro do mundo, para o Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros (mais de R$ 800 mi), o Barcelona pagou 105 milhões de euros (R$ 405 mi) para tornar Ousmane  Dembelé, até então uma revelação a caminho de se consolidar de vez no Borussia Dortmund, o terceiro atleta mais valorizado do planeta.

A soma de Dembelé e Coutinho chega aos 265 mi de euros (mais de R$ 1 bilhão), quantia que supera com folga a venda de Neymar há pouco mais de seis meses. Todo o dinheiro recebido pelo craque brasileiro, em menos de um ano, se evaporou completamente.

O antigo produtor de craques se tornou caçador para construir o elenco que domina o Campeonato Espanhol com folga – lidera com 48 pontos, nove a mais do que o vice-líder Atlético de Madri. Há pelo menos duas temporadas, a diretoria catalã não economiza na contratação de atletas para compor o grupo hoje dirigido por Ernesto Valverde.

Lluis Gene/AFP Photo
Hoje criticado pelos torcedores, André Gomes custou 35 milhões de euros

Antes alvo de crítica pelo preço alto, mas agora tratado como um xodó pela mídia e torcedores, Paulinho só deixou o futebol chinês porque o Barça pagou 40 milhões de euros (R$ 154 mi). Ainda sem se fixar como titular absoluto da lateral direita, Nelson Semedo custou 30,5 mi de euros (R$ 117 mi). O clube ainda pagou 5 mi de euros (R$ 19 mi) para comprar o brasileiro Marlon do Fluminense e 12,3 mi (R$ 45 mi) por Mina, do Palmeiras.

O gasto acima do comum para quem se vangloriava da autossuficiência com a base cresceu na temporada passada. O meio-campista Andre Gomes e o centroavante Paco Alcácer, duas peças que pouco convenceram até então, desembarcaram na Catalunha por 65 milhões de euros (R$ 250 mi) combinados. Goleiro reserva do time, Jasper Cillessen saiu do Ajax por 13 milhões de euros (R$ 50 mi).

Nas últimas três temporadas, em comparação com o Real Madrid, o Barcelona foi quem ditou o protagonismo do mercado. Com Coutinho, o clube catalão chegou a 558,3 milhões de euros investidos (R$ 2,1 bilhões), enquanto o rival – até então tido como o time "gastão" do futebol espanhol– alcançou a marca de "apenas" 193 milhões de euros (R$ 744 milhões).

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