Arquibancada e vidro baixo marcam reforma para Vila voltar a ser "alçapão"

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Folha Imagem

    A ideia é acabar com a "frieza" do estádio e aumentar o público durante a temporada

    A ideia é acabar com a "frieza" do estádio e aumentar o público durante a temporada

A nova diretoria do Santos promete resgatar o conceito de "alçapão" da Vila Belmiro. Apesar de já ter iniciado o processo de divisão de mandos de jogo no Campeonato Paulista e na Copa Libertadores da América, solicitando partidas para a capital paulista, o clube inicia já nos próximos dias uma série de reformas que miram por fim a "frieza" e trazer mais público no estádio.

"Entendemos que são necessárias intervenções que visem maior segurança, maior conforto e que melhorem a atmosfera da partida. Intervenções infelizes, inclusive a dos camarotes 'de vidro', tornaram nosso alçapão um lugar mais frio e inexplicavelmente elitizado", disse o presidente José Carlos Peres, em entrevista ao UOL Esporte, em dezembro.

As obras terão como foco principal a remodelação dos setores térreos, em grande parte formados por camarotes. O projeto visa utilizar os espaços como dos camarotes térreos, que ocupam toda a extensão de uma das laterais do campo, para uma espécie de arquibancada popular.

Para o lado oposto, nas cadeiras térreas lateral, chamado de "setor visa", a diretoria também tentará aproximar o torcedor. O clube já até comprou os vidros, com 80 cm de altura, que substituirão os atuais, de 1,60 m. O temor por possíveis invasões será reforçado pelos dirigentes, alegando que o clube poderá ser penalizado.

Outro alvo da reforma será o setor que fica atrás de um dos gols, de frente para o placar eletrônico. O local também abriga camarotes e dará lugar a arquibancada e alambrados, com estimativa inicial de espaço para até 800 torcedores.

"Vamos mudar isso, assim como temos projetos para melhorar a ocupação das cativas sem prejudicar os direitos de seus proprietários", afirmou Peres ao UOL, durante a sua campanha.

Público "encolheu" ao longo dos anos

Já centenária, a Vila Belmiro passou por uma série de mudanças no atual século. Os públicos recorde do estádio ultrapassaram a casa dos 30 mil torcedores, principalmente nas décadas de 60 e de 70.

No último ano, o Santos teve uma das piores médias de público pagante de todas as séries do Campeonato Brasileiro, somente a 17º, com 11.759 torcedores. Mesmo com a terceira colocação na competição e classificação direta para a Libertadores, o clube sofreu com o seu estádio esvaziado.

Na Vila, o melhor número aconteceu na vitória por 2 a 0 diante do The Strongest, da Bolívia, em 16 de março, pela primeira fase da competição sul-americana. Na ocasião, apenas 13.132 de público pagante.

O número, no entanto, foi superado por outros sete jogos no estádio do Pacaembu, um pelo Paulista, um pela Libertadores e cinco deles no Brasileiro. No estádio paulista, o Santos levou uma média de 22.682 torcedores durante o ano, além de ter atingido as melhores arrecadações.

O presidente eleito José Carlos Peres já afirmou que buscará por diversos métodos para melhorar a arrecadação do clube, entre elas dividir os mandos entre São Paulo e Santos. Os três jogos do Santos pela primeira fase da Libertadores, por exemplo, deverão acontecer em São Paulo.

Preocupa, também, o desempenho em campo na última temporada, quase igualando os piores da história do clube nos anos de 1940, 1952 e 1986. Em 2017, o Santos perdeu sete vezes na Vila Belmiro.

A principal derrota foi a eliminação inesperada para o Barcelona de Guayaquil, pelas quartas de final da Copa Libertadores da América, além de tropeços nos clássicos contra Palmeiras e São Paulo.

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