Em crise, Real Madrid só venceu um jogo desde a conquista do título mundial

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo

  • AP Photo/Paul White

    Cristiano Ronaldo lamenta derrota do Real Madrid para o Villarreal, pelo Espanhol

    Cristiano Ronaldo lamenta derrota do Real Madrid para o Villarreal, pelo Espanhol

Há exatamente um mês, o Real Madrid se consagrava como o melhor time do planeta em 2017, ao bater o Grêmio por 1 a 0 na final do Mundial de Clubes, no dia 16 de dezembro, em Abu Dhabi. Foram cinco títulos levantados em 365 dias, a melhor marca da história do clube em um mesmo ano. A conquista, no entanto, virou um paliativo diante de uma crise prestes a explodir. Com uma vitória em cinco partidas desde então, a equipe treinada por Zinedine Zidane desandou e ficou inferiorizada, dentro e fora de campo, pelo rival Barcelona.

O cenário já não era muito positivo antes do Mundial. Atual campeão nacional e europeu, o Real ocupava a terceira colocação no Campeonato Espanhol e havia fechado a fase de grupos da Liga dos Campeões em segundo lugar, atrás do Tottenham. Esperava-se que o título no Oriente Médio despertasse o ânimo de Cristiano Ronaldo e seus companheiros. Não foi o que aconteceu.

O primeiro jogo pós-Mundial foi o clássico contra o Barcelona, em 23 de dezembro. Em pleno Santiago Bernabéu, o Real levou um sonoro 3 a 0 do rival. Na sequência pelo Espanhol, empatou em 2 a 2 com o Celta, como visitante, e só não sofreu a derrota porque o goleiro Keylor Navas defendeu pênalti batido por Iago Aspas no segundo tempo. No último sábado, perdeu por 1 a 0 em casa para o Villarreal.

Com 32 pontos em 18 rodadas (e um jogo a menos), o Real ocupa o quarto lugar no Espanhol. São 19 pontos de desvantagem em relação ao líder Barcelona e apenas um à frente do Villarreal, quinto colocado e ameaça pela vaga na próxima Liga dos Campeões - a última vez que os madrilenos ficaram fora do torneio continental foi na temporada 1996-97.

Em toda a temporada passada, o Real Madrid não venceu em casa em sete oportunidades pelo Espanhol. Na atual, foram oito partidas sem triunfos no Santiago Bernabéu apenas no primeiro turno.

Nos últimos 30 dias, a única vitória do Real ocorreu no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Rei: 3 a 0 em cima do Numancia, da segunda divisão da Espanha. Na partida de volta, empate em 2 a 2 no Santiago Bernabéu. Nesta quinta-feira (18), os comandados de Zidane visitarão o Leganés, pelas quartas de final do torneio, na tentativa de amenizar a crise.

"Ultimamente, a bola não está querendo entrar", contemporizou Zidane, que vive sua pior sequência à frente do Real Madrid. "Não podemos nos entregar. Não há explicação", concluiu o treinador, pressionado pela queda de produção e por declarar que não pretende reforçar o elenco nesta janela de transferências.

Zidane tem razão ao citar a escassez de gols de seu time. O Real é a segunda equipe que mais finaliza no Espanhol: 125. A média de gols na competição, por outro lado, é bem baixa para o elenco que ostenta: 1,77 por partida, a pior das últimas dez temporadas. Com apenas quatro tentos marcados, Cristiano Ronaldo é o maior símbolo do fiasco ofensivo do Real Madrid no Espanhol.

Praticamente sem chances de buscar o título espanhol e sendo obrigado a se consolar com a Copa do Rei nesta temporada, a queda brusca do Real ganha tons mais dramáticos quando se lembra que, daqui a um mês, terá o Paris Saint-Germain pela frente, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Poderoso financeiramente, mas pouco expressivo nos resultados em nível continental, o PSG de Neymar, Cavani e Mbappé espelha no duelo com o Real a grande oportunidade para mudar de patamar no cenário europeu. O jogo de ida será em 14 de fevereiro, no Santiago Bernabéu, com a volta marcada para 6 de março, na França.

Barça voando

Falar em crise no Real Madrid era algo inimaginável em agosto, início da atual temporada europeia. Ainda embalado pela conquista da Liga dos Campeões passada. o time espanhol superou o Manchester United (2 a 1) na Supercopa da Europa e venceu o Barcelona duas vezes na Supercopa da Espanha, com placar agregado de 5 a 1.

Além de ser início de trabalho com um novo treinador, Ernesto Valverde, de perfil mais conservador comparado ao DNA dos catalães, o Barça vivia um turbilhão pela saída de Neymar para o Paris Saint-Germain.

Mas o resultado da Supercopa da Espanha traçou caminhos opostos para os rivais desde então. Enquanto o Real passou a ser inconstante e perder rendimento, o Barça sobrou no Espanhol e na Liga dos Campeões. Atualmente, é a única equipe invicta entre as principais ligas europeias.

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