Corinthians volta ao Pacaembu, mas dívida da Arena barra renda do jogo

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Depois 17 meses, o Corinthians voltará a jogar no Pacaembu nesta quarta-feira

    Depois 17 meses, o Corinthians voltará a jogar no Pacaembu nesta quarta-feira

O Corinthians voltará ao Pacaembu, na noite desta quarta-feira, para enfrentar a Ponte Preta na estreia do Campeonato Paulista. No retorno à velha casa após cerca de um ano e meio, o torcedor que for ao estádio viverá uma noite nostálgica, mas o clube não lucrará diretamente com isso. 

O problema é a dívida pela construção da Arena Corinthians. Por contrato, o Corinthians é obrigado a enviar o valor líquido da bilheteria de seus jogos em casa para o fundo responsável pelo pagamento do estádio. Isso inclui até os jogos em que não atua na sua casa, como nesta quarta, contra a Ponte, no Pacaembu. 

Segundo apuração do UOL Esporte, a definição sobre as rendas de todos os jogos do Corinthians como mandante se deu após a análise da dívida acumulada com a construção da Arena.

Com a bilheteria de todas as partidas do time alvinegro disputadas em casa, o valor seria abatido com mais rapidez. O pagamento do empréstimo do BNDES, de R$ 400 milhões, deve ocorrer, segundo o contrato firmado com a Caixa, até 2028.

O pagamento das parcelas foi retomado no fim do ano passado depois de quase 20 meses. Entre meados de 2015 e março de 2016, o clube alvinegro realizou oito pagamentos de R$ 5,6 milhões cada.

Desde que a Arena Corinthians foi inaugurada, o time alvinegro já disputou 121 partidas no local e só atuou no Pacaembu como mandante uma vez, contra o Cruzeiro, em agosto de 2016, durante a Olimpíada do Rio - toda a renda da parida foi destinada ao Fundo.

Naquela oportunidade, 34.487 torcedores pagaram ingresso para assistir ao empate por 1 a 1. A renda bruta chegou a R$ 1,33 milhão. Depois do pagamento de todas as despesas, o clube arrecadou R$ 897 mil - o borderô da CBF traz a assinatura de Lúcio Blanco, gestor da Arena Corinthians.

Modelo palmeirense

O modelo de negócio fechado pelo Corinthians contrasta, por exemplo, com o do Palmeiras em relação ao Allianz Parque, também inaugurado em 2014. O clube, embora esteja sujeito ao calendário de shows no local, fica com toda a bilheteria dos jogos.

Além disso, a WTorre, que detém os direitos de exploração até 2044, é obrigada a ressarcir o clube alviverde quando o time atua fora da arena por falta de datas. A construtora tem de pagar 50% da renda bruta da partida, além de 20% do aluguel do estádio escolhido pela diretoria.

O Palmeiras, porém, tem enfrentado problemas para receber o dinheiro. Diante desse cenário, o clube entrou na Justiça no fim do ano passado para pedir quase R$ 14 milhões da Real Arenas, empresa criada pela WTorre para a operação do Allianz Parque. Os valores representam a soma de participação de lucros que o clube tem direito em eventos no local, além das multas por atuar fora da arena.

Mais Pacaembu

O Corinthians só voltará a atuar no seu estádio no dia 14 de fevereiro, para enfrentar o São Bento pela sétima rodada do Campeonato Paulista. A equipe ainda enfrentará dois times como mandante no Pacaembu: Ferroviária, dia 24, e São Paulo, dia 27 - o duelo com o São Caetano, no próximo domingo, também será no estádio, com mando do adversário.

Hoje, a dívida corintiana em relação à Arena Corinthians já atinge R$ 1,79 bilhão. O estádio foi orçado inicialmente em R$ 820 milhões, mas, no início de 2014, o valor pulou para R$ 985 milhões.

O valor da dívida é composto pelos repasses à Caixa até 2028, mais R$ 631 milhões em debêntures, R$ 39 milhões em garantias da Odebrecht e R$ 346 milhões diretamente com a construtora. Os juros, no valor de R$ 285 milhões, completam a conta. Esses números foram mostrados aos conselheiros corintianos em setembro passado. 

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