Conspirações dão ar de drama e Brant pode ser superado em eleição do Vasco

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Divulgação / Chapa Sempre Vasco

    Julio Brant é o favorito para ser o novo presidente do Vasco

    Julio Brant é o favorito para ser o novo presidente do Vasco

Conspirações, tramas, traições, ameaças, ações na Justiça... A eleição do Vasco tem o roteiro digno de um filme que se encaminha para os últimos capítulos. Nesta sexta-feira, a partir das 20h, na sede do clube na Lagoa (RJ), uma reunião do Conselho Deliberativo definirá o presidente do próximo triênio. E como um bom longa-metragem, o trecho de maior emoção ficou para o fim, com o candidato de oposição Julio Brant - outrora favoritíssimo - ameaçado de não ratificar sua vitória e podendo ser derrotado por uma inesperada coligação entre seus ex-aliados e antigos adversários simpatizantes de Eurico Miranda. 

A surpreendente mudança no tabuleiro político vascaíno se deu tão logo, em campo, o Cruzmaltino foi derrotado em casa, na estreia no Campeonato Carioca, por 2 a 0 para o Bangu. Alexandre Campello, que chegou a ser candidato e abriu mão de concorrer para se aliar a Brant e derrotar Eurico, foi ao Facebook anunciar ao vivo que havia rompido de vez com o vencedor da eleição entre os sócios. De forma clara, informou que não será mais o vice-presidente geral do clube caso Julio confirme seu primeiro lugar, algo que havia sido acordado entre os dois previamente antes de formarem a aliança. 

Bruno Braz / UOL Esporte
Brant e Campello venceram nas urnas como aliados. Agora romperam

Embora não tenha deixado claro que ele e seus apoiadores irão migrar os votos contra Brant, são grandes as chances de que o médico e seu braço-direito Roberto Monteiro formem uma candidatura própria. A priori, o grupo de Eurico lançará outra, sendo os nomes mais fortes para representá-los Antônio Peralta, figura antiga da política cruzmaltina, e Luis Fernandes, ex-presidente do Conselho Deliberativo. Não está descartada, porém, uma aliança entre os dois grupos, algo que consideram como uma ameaça fortíssima a Julio, levando em consideração a influência que possuem entre os conselheiros.

Para romper com Brant, Campello se justificou dizendo que não houve diálogo entre as partes e que o candidato não cumpriu com o prometido. Em suas palavras, se considerou "traído". Anteriormente cogitado para assumir também a vice-presidência de futebol, ele teria tido divergências em relação à gestão de tal pasta. No início da tarde, Campello ainda reclamou da postura do ex-aliado e relatou ameaças de morte.

Disputa voto a voto

Nunca, na história da eleição do Vasco, a chapa vencedora no pleito entre os sócios perdeu no Conselho Deliberativo. Essa possibilidade, porém, passa a ser considerável. Para se chegar a esta conclusão, necessita-se, primeiramente, entender de que forma é o processo no clube: 

Por ser um pleito indireto, o vencedor nas urnas - no caso Brant - tem o direito de indicar 120 conselheiros. O segundo colocado, mais 30. Estes 150 se juntam a outros 150 natos e os 300 votam no próximo presidente.

Ocorre que, dos 120 indicados por Brant, cerca de 43 são do grupo político de Campello e Monteiro. Caso se confirme uma aliança entre a dupla e a chapa de Eurico, eles podem somar estes 43, mais os 30 indicados pelo ex-presidente, além de pelo menos mais 20 natos que foram recém-ingressados com a ajuda do dirigente. Assim, de cara, são 93 votos no improvável universo de 300, já que nem todos os natos marcam presença em função de muitos terem idade elevada. 

Pessoas ligadas a Eurico dizem possuir aproximadamente mais 40 entre os natos, pelo menos. Caso isto se confirme, são grandes as chances de Brant ser derrotado.

O UOL Esporte, porém, falou com pessoas ligadas a Campello que se decepcionaram com a postura do médico e demonstram preocupação com seu "silêncio" após o discurso. Neste cenário, não há a garantia de que todo o seu grupo irá acompanhá-lo nos votos.

Posse na próxima segunda-feira

O novo presidente do Vasco será empossado, em cerimônia de gala, na próxima segunda-feira (22), conforme determinação da Justiça. De sexta a domingo, portanto, o clube oficialmente ainda terá uma direção administrativa provisória, algo que acontece desde a última quinta.

Portanto, assim como ocorreu na partida desta quinta-feira contra o Bangu, o jogo deste domingo, diante do Nova Iguaçu, em São Januário, também será com portões fechados.

Entenda a polêmica

Clever Felix/estadão conteúdo

Com suspeitas de irregularidades, a Justiça determinou que uma urna fosse separada na eleição entre os sócios que aconteceu em novembro de 2017. Nela, foram colocados 691 pessoas que se associaram no fim de 2015. 

Após a apuração, uma disparidade de votos a favor de Eurico Miranda na tal urna 7 - num desequilíbrio total em relação às outras - levou o judiciário a suspender tais votos. Deste modo, o candidato de oposição Julio Brant passou a ser o vencedor.

Eurico tentou uma série de ações na Justiça para tentar validar a urna 7, mas sofreu derrotas e chegou para a eleição do Conselho Deliberativo como segundo colocado.

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