Fábio Santos vira "filho de Tite" no Atlético por liderança e visão tática

Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Leandro Moraes/UOL

    Fábio Santos e Tite trabalharam juntos no Corinthians e também na seleção brasileira

    Fábio Santos e Tite trabalharam juntos no Corinthians e também na seleção brasileira

Foi muito tempo de convívio, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2013, com mais alguns meses em 2015. Foi o suficiente para fazer o lateral esquerdo Fábio Santos aprender muita coisa com Tite, com quem conquistou vários títulos pelo Corinthians. Agora no Atlético-MG, a relação com o treinador da seleção virou assunto entre os jogadores. 

Um dos mais experientes do elenco, Fábio Santos é um jogador que gosta de falar sobre tática, ver jogos de futebol, analisar adversários e ver como pode melhorar seu próprio desempenho. A ligação com o técnico da seleção brasileira já fez com que o lateral fosse chamado de "filho de Tite", por ser um dos jogadores de confiança do técnico.

Fábio Santos já chegou a ser convocado pelo "pai" em duas oportunidades desde que Tite assumiu o comando do time nacional. A primeira vez foi para a disputa das Eliminatórias para a Copa do Mundo, em novembro de 2016. O lateral do Atlético ficou no banco de reservas no triunfo do Brasil sobre o Peru, por 2 a 0, em Lima. Fábio Santos ainda foi titular no confronto com a Colômbia, em janeiro de 2017, no amistoso em homenagem às vítimas do acidente aéreo com a Chapecoense.

Por isso, na época de Corinthians, Fábio Santos se tornou um dos homens de confiança de Tite. Muito do que viveu com o treinador, o lateral aplica na Cidade do Galo.

"Tem várias formas de você exercer a liderança. Principalmente no Corintianas, quando o Tite fazia um rodízio de capitães, para dividir a responsabilidade, para não ficar focado em apenas um jogador. Querendo ou não, faz bem para o grupo. E nosso time tem vários jogadores que foram capitães em outras equipes. A gente procura fazer da melhor forma, para ajudar no dia a dia, nos treinamentos. Tento ajudar sempre", exemplificou Fábio Santos, em entrevista conjunta para o UOL Esporte e para a Rádio Inconfidência.

No Atlético desde junho de 2016, o lateral vai continuar exercendo sua liderança na Cidade do Galo por mais alguns anos. A renovação de contrato foi anunciada pelo clube na semana passada. O vínculo foi estendido até o fim de 2020. Portanto, serão mais três temporadas de Fábio Santos com a camisa 6 do Atlético.

O jogador não acredita, no entanto, que será tempo suficiente para ver um Atlético como Tite armava o Corinthians. Fábio Santos não consegue ver o Galo jogando de maneira mais defensiva, mas com eficiência no ataque, como aquele time ficou marcado. Por outro lado, o lateral fala em ver um Atlético mais equilibrado em 2018, para que o time seja capaz de brigar pelo título nacional.

"O clube tem uma filosofia de trabalho diferente. A torcida gosta que o time jogue para frente e a imprensa cobra isso. Então o jogador acaba abraçando, é natural. Não enxergo nos próximos anos o Atlético com uma equipa defensivamente organizada, para vencer por 1 a 0, jogando por uma bola no jogo. Isso eu acredito que não vá acontecer, mas tem de ter um equilíbrio maior. Não adianta ter essa fama de jogar para frente e não conseguir o título do Campeonato Brasileiro, que virou uma obsessão para o torcedor. Para ganhar um campeonato de pontos corridos, sem dúvida nenhuma, é preciso mudar essa cultura. Você pode até ter o melhor ataque, mas precisa ter uma das melhores defesas também".

Fim do treinador boleiro no Brasil

O sucesso de Tite no Corinthians e na seleção, assim como o futebol cada vez mais profissional, vão acabar de vez com a figura do treinador boleiro. Essa é a aposta de Fábio Santos. Na visão do lateral do Atlético, cada vez menos esse tipo de treinador tem espaço nos grandes clubes do país. E o exemplo usado por ele é Renato Gaúcho, atual campeão da Copa Libertadores, com o Grêmio.

Apesar de o comandante tricolor passar a imagem de ser um técnico à moda antiga, Fábio Santos entrega que Renato é bastante trabalhador, dedicado e atualizado. Eles trabalharam juntos no próprio Grêmio, em 2010.

"Sobraram poucos boleirões e tem de acabar rápido com isso, o futebol está cada vez mais profissional. Eu trabalhei com o Renato e sei que ele é um personagem. Ele brinca, mas trabalha bastante, estuda bastante e vê muitos jogos de futebol, além de ter um estafe muito grande para ajudar. Fora que o jogador hoje está muito mais inteirado, pois ele gosta de assistir, gosta de saber com quem vai jogar. Isso facilita bastante para o treinador", disse Fábio Santos, que vê o interesse na parte tática crescendo também entre os jogadores

"Não sei todos gostam, mas o interesse é muito maior do que antes".

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