Avaliado em R$ 225 mi, Richarlison perde mentor e mira salto na Inglaterra

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

  • Clive Rose/Getty Images

Quem nunca utilizou um emoji para resumir estado de humor, sentimento ou reação a um fato? O pictograma de origem japonesa, muito popular nos aplicativos de mensagem instantânea, foi a resposta de Richarlison, ex-atacante do Fluminense e atualmente no Watford-ING, à demissão do técnico Marco Silva anunciada pelo clube inglês no último domingo. Considerado por muitos especialistas na Inglaterra como um dos principais novos nomes na Premier League e já cobiçado pelos grandes times do país, o jovem de 20 anos postou no Twitter, pouco depois da decisão pela saída do treinador, um emoji de um rosto em expressão de raiva.

 

A irritação tem explicação. Foi Silva quem convenceu Richarlison, em uma conversa por telefone, a trocar a negociação praticamente fechada com o Ajax-HOL por um clube mais modesto do Campeonato Inglês quando ele optou por deixar o clube das Laranjeiras pouco depois de quase se transferir para o Palmeiras, na metade de 2017. "Mister, não foi muito tempo que trabalhamos juntos, mas foi o suficiente para te admirar e agradecer por tudo", escreveu o jogador no seu perfil do Instagram. "Desejo tudo de bom e sucesso na sua caminhada", completou.

A queda de Silva aconteceu no dia seguinte à derrota por 2 a 0 para o Leicester City, fora de casa, em mais um resultado negativo dos Hornets – o espanhol Javi Gracia já assumiu o cargo. A realidade do Watford contrasta com o histórico de poucas trocas de técnico na liga em comparação ao Brasil: Gracia será o nono líder da comissão técnica do clube, desde que a família italiana Pozzo, dona do time, assumiu a equipe na temporada 2012/13.

Após o melhor início do Watford na história da Premier League, com Richarlison como protagonista, a equipe passou a acumular tropeços. A diretoria justificou a demissão do comandante português com o argumento de que a proposta do Everton por Marco Silva, em novembro, recusada pelo Watford, mexeu no ambiente de trabalho do time. Desde então, foram apenas três vitórias em 13 partidas, e queda na tabela para a décima colocação.

Por coincidência ou não, o último dos cinco gols anotados por Richarlison saiu também em novembro, na vitória por 2 a 0 sobre o West Ham, em casa, no Vicarage Road. Vice-artilheiro da equipe, só com uma bola na rede a menos do que Doucouré, o brasileiro lidera as assistências do clube londrino, com cinco passes decisivos. Por outro lado, o jejum do já titular absoluto dura 13 jogos.

Em que pese a oscilação do ex-atleta do Fluminense junto com a equipe, ele desperta o interesse de grandes clubes ingleses. De acordo com a imprensa local, Tottenham, Arsenal e Chelsea desejam o jogador. O estafe do atleta diz que só uma proposta muito tentadora tirará Richarlison do Watford ainda nesta janela, que se encerra em sete dias, no fim de janeiro. No entanto, o atleta toparia uma transferência no meio do ano, quando o mercado europeu aquece junto com o verão no continente.

Permanecer na Premier League faz parte do plano de carreira, "em um time que ele vá jogar", dizem pessoas próximas ao jogador. Ele está adaptado ao futebol inglês, cujo estilo se encaixa perfeitamente nas características de jogo de Richarlison, de força física e velocidade.

Comprado por 12,5 milhões de euros (R$ 46 milhões na cotação de julho de 2017), o camisa 11 é avaliado pelo Watford em, no mínimo, 50 milhões de libras (R$ 225 milhões). Na Inglaterra, os contratos não têm cláusula de multa rescisória, e o valor da venda é definido pelo clube detentor dos direitos econômicos.

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