Chineses investem R$ 800 mil por criança para formar exército de jogadores

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Twitter

    Guangzhou tem academia gigante na China e uma unidade em Madri para formar jogadores

    Guangzhou tem academia gigante na China e uma unidade em Madri para formar jogadores

O ambicioso projeto chinês de ser uma potência no futebol não passa só por contratações milionárias e marketing internacional. Formar jogadores de alto nível está entre as prioridades no país. E o Guangzhou Evergrande, um dos principais times chineses, deixa isso claro. Dono da maior academia para jovens do mundo, o clube tem uma filial na Espanha em que gasta R$ 800 mil por aluno para formá-lo.

Esse valor corresponde ao período completo de formação, que dura três anos. A escola espanhola do clube fica em Madri e atualmente conta com quase 70 jovens entre 14 e 16 anos.

Na capital espanhola, os garotos chineses moram em uma grande casa luxuosa, de onde só podem sair se estiverem acompanhados por monitores. No período da tarde, todos estudam em uma escola tradicional da região, mas seguindo um modelo chinês de educação.

No total, 28 profissionais trabalham para a academia do Guangzhou em Madri, entre tradutores, professores, monitores e equipe técnica, esta formada principalmente por espanhóis e argentinos. Quem comanda toda a estrutura é o ex-jogador Roberto Fresnedoso, que defendeu a Espanha na Olimpíada de 1996.

O objetivo do Guangzhou é ousado: em 2020, o clube espera não precisar mais recorrer a jogadores estrangeiros por necessidade, reservando os milhões de dólares em reforços específicos que atendam também outros interesses, como exposição internacional.

Embora o projeto seja novo e só tenha saído do papel em 2014, quatro dos jogadores que integram o elenco principal passaram pela academia espanhola do clube.

Todo ano, os treinadores vão até a China e selecionam novos garotos de 14 anos para ingressarem no programa. A ideia é criar um fluxo intenso de formação de jogadores que todo ano dê alguns frutos.

Em Madri, os garotos têm contato com os técnicos espanhóis e argentinos e também enfrentam times de mais qualidade em relação aos adversários chineses. A maior dificuldade, segundo Roberto Fresnedoso, é cultural: é preciso ensinar a paixão pelo futebol e a essência alegre do esporte.

"O que falta para eles é aquela malícia que se aprende na rua, no pátio do colégio. Eles carecem dessa paixão e precisam entender que o gol é o auge da alegria no futebol", opina o ex-jogador ao "El Confidencial".

Como malícia e paixão não se ensinam, o Guangzhou investe alto para que todo o resto não falte e seja sempre de alta qualidade.

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