Conheça o primeiro time de futebol da história do Brasil em World Gay Games

Lucas Pastore

Do UOL, em São Paulo

  • Gustavo Bresciani/Bees Cats

    Bees Cats, time brasileiro de futebol formado por homossexuais

    Bees Cats, time brasileiro de futebol formado por homossexuais

Pela primeira vez na história, o Brasil terá um time de futebol de 7 representando o país nos World Gay Games. Trata-se do Bees Cats, equipe que surgiu no ano passado no Rio de Janeiro e que lançou um projeto de apoio coletivo para conseguir levar todos os jogadores a Paris (FRA), onde o evento será realizado.

O Bees Cats surgiu no ano passado, no Rio de Janeiro. Apesar de ainda jovem, o time já tem o título da Copa Hornet e o vice-campeonato da Champions Ligay, torneios disputados em sua primeira temporada de vida. Sucesso dentro de quadra para uma equipe que surgiu por uma causa que extrapola a esfera esportiva.

"Foi um projeto que começou para os amigos. Aos poucos, foi atraindo atenção. Muitos gays gostam de jogar futebol, mas não se sentem à vontade. Como oferecemos um ambiente seguro, cresceu muito", contou André Machado, fundador dos Bees Cats, ao UOL Esporte.

Semanalmente, a iniciativa reúne cerca de 70 pessoas para jogos amistosos. Neste evento, joga quem quiser, independentemente de gênero ou orientação sexual. Destas partidas, os Bees Cats tiraram cerca de 20 pessoas de bom nível para competições.

Por enquanto, o projeto como um hobby. Time, comissão técnica e diretoria trabalham de maneira voluntária. Porém, nem todo o elenco tem condições de bancar a viagem do próprio bolso. Por isso, no dia 13 de janeiro, a equipe anunciou um projeto de financiamento coletivo que aceita doações como estratégia para ajudar a equipe na ida até Paris.

"Na verdade, para ser bem honesto, a gente não espera arrecadar muito. É mais para movimentar. Por exemplo, um aplicativo de encontros já entrou em contato com a gente querendo patrocinar. Estamos planejando também uma série de ações. A gente recebe muitas encomendas de uniforme, então vamos rifar", exemplificou André.

Hoje, além de patrocinadores pontuais, os Bees Cats contam apenas com apoio da prefeitura do Rio de Janeiro, que cede um campo no Aterro do Flamengo toda quarta-feira para o time treinar. André estima que a equipe economiza cerca de R$ 1,4 mil por mês sem ter de pagar aluguel.

História para o esporte brasileiro

Reprodução/Espírito Brasil

Disputados desde 1982, os World Gay Games devem reunir cerca de 15 mil atletas de 70 países para a disputa de 36 modalidades – entre elas, o futebol de campo e o futebol de 7, que até agora não tiveram participação brasileira. As delegações do país nunca superaram 15 atletas, recorde que vai ser facilmente batido com a ajuda dos Bees Cats.

O sistema de disputa dos World Gay Games não funciona por meio de classificatórias, e sim de inscrições. Também não há limites para os países; o Brasil, por exemplo, poderia inscrever quantos times de futebol quisesse.

Antes, as delegações brasileiras para os World Gay Games costumavam ser formadas por participantes esporádicos que moravam nos países em que o evento seria realizado. Neste ano, no entanto, surgiu a Espírito Brasil, que vai organizar a participação nacional na competição.

Além dos Bees Cats, a delegação brasileira ainda terá o Angels, time de vôlei, os Tamanduás Bandeira, para o rúgbi, e o Envolley-vous, de vôlei sentado, além de outros atletas que demonstraram interesse. A Espírito Brasil ainda trabalha para montar uma equipe de mulheres de mais de cinquenta anos e para encontrar interessados em modalidades paralímpicas.

A Espírito Brasil trabalha por minorias de maneira geral. A proposta da entidade se resume em duas palavras: diversidade e inclusão, tendo como objetivo trabalhar por grupos que sofrem exclusão social.

Importante é não só competir

Reprodução/Bees Cats

Ao embarcar para a disputa dos World Gay Games, que serão disputados em Paris, os Bees Cats já farão história. Mas a viagem não será pautada só na participação. A equipe quer brigar pelo título e aproveitar a oportunidade para dialogar com outros times que defendem a mesma bandeira.

Para tentar brigar pelo título, os Bees Cats devem ir a Paris reforçados por um jogador dos Alligaytors, outra equipe brasileira formada por homossexuais.

"Nosso time é bom. Não vamos só para participar. Sei que tem um time da Argentina muito bom, mas nós vamos tentar ganhar", afirmou André.

Além disso, a equipe não deixa de aproveitar a oportunidade de intercâmbio de outros times que têm origem parecida com os Bees Cats.

"Na Argentina, a federação existe há quase vinte anos. A nossa existe desde o ano passado. Vamos jogar com times de Alemanha, Espanha, de países que são mais evoluídos", comparou. 

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