Com Kia, brasileiro acena com proposta por time português da Liga Europa

Marcus Alves e Thiago Fernandes

Do UOL, em Lisboa e Belo Horizonte

  • REUTERS/Miguel Vidal

    Vitoria de Guimarães, que atua na Liga Europa, pode ser adquirido pelo Banco BMG

    Vitoria de Guimarães, que atua na Liga Europa, pode ser adquirido pelo Banco BMG

Mecenas da dupla Cruzeiro e Atlético-MG e sempre procurado por outras equipes para algum 'socorro' nos cofres, o Banco BMG deve entrar de vez no futebol português e mantém contato para a compra do Vitória de Guimarães.

O negócio é significativo por se tratar de um clube que encerrou em quarto lugar a última temporada local e que, nos últimos cinco anos, jogou a Liga Europa em três deles. As conversas são confirmadas entre as partes e, conforme se assegura no mercado, envolvem a participação do empresário Giuliano Bertolucci e de seu parceiro iraniano Kia Joorabchian.

Essa não é a primeira vez que o trio se junta em uma investida para compra de um time em Portugal. O Estoril, que pertence ao fundo de investimento TFM (ex-Traffic), foi consultado antes. Procurado pelo UOL Esporte, o entorno de Bertolucci e de seu braço-direito nega a participação da dupla.

Os três, BMG, Kia e Bertolucci, atuam em parceria nas transferências. Os agentes representaram o BMG em acordos ligados ao zagueiro Felipe, do Porto, Jemerson, do Monaco, Bernard, do Shakhtar Donetsk, e outros nomes.

Aliado à sua força esportiva, o Vitória de Guimarães desperta a cobiça por ter as suas contas em dia, vindo, inclusive, de um lucro de 2,8 milhões de euros (R$ 10,6 milhões) na temporada passada, cifra recorde desde que se tornou uma sociedade anônima esportiva em 2013. Entre outros fatores, pesou a venda de atletas como os brasileiros Dalbert, hoje na Inter de Milão, e Tiquinho Soares, no Porto.

Sensação no momento, Raphinha, ex-Avaí, tem ida encaminhada para o Sporting em uma transação de 6,5 milhões de euros (R$ 24,7 milhões). Ele tem a carreira comandada pelo ex-jogador Deco, próximo ao presidente do Vitória, Júlio Mendes.

Em contato com a reportagem, Mendes confirmou as conversas com o BMG, mas despistou sobre uma possível venda. "Nos falamos, tivemos diversas reuniões sobre esse assunto, mas não chegamos a qualquer acordo, então, não há nada agora", disse, em contato ao UOL Esporte.

No mercado, o negócio é dado como selado e chegaria a quase 10 milhões de euros (R$ 38 milhões) pelo controle maioritário de suas ações. Hoje, o Vitória de Guimarães é dono de 40% delas, mas conserva, conforme o seu estatuto, a decisão sobre os seus administradores. O empresário Mário Ferreira, radicado na África do Sul, detém a outra fatia do percentual. Ele adquiriu o seu pedaço por 2 milhões de euros em 2013, conforme informado à reportagem.

O BMG já projeta até mesmo o cenário para atuar como sócio majoritário do clube, com Flávio Guimarães, filho do empresário Ricardo Guimarães, assumindo o novo braço esportivo do banco em Portugal. A empresa já conta no Brasil com o Coimbra, do interior de Minas Gerais, que serve como alicerce na captação e compra de jogadores.

Não seria o primeiro time mais brasileiro na primeira divisão portuguesa. Além do Estoril, o Portimonense, da região turística do Algarve, é comandado pelo empresário Teodoro Fonseca, que trabalhou com Hulk e outros atletas, e tem o ex-atacante Robson Ponte como um de seus homens fortes.

O BMG não tem atuação no mercado financeiro em Portugal e, por isso, provocou estranheza no passado ao batizar o museu do Porto, que desde 2013 se chama Museu Futebol Clube do Porto by BMG. Em prestação de contas, os Dragões anunciaram ter recebido 8 milhões de euros (R$ 30 milhões) pelo patrocínio e contrato de naming rights até 2025.
 

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