Torcida do PSG abraça Neymar, mas brasileiro sai sem acenar para os fãs

Tiago Leme

Colaboração para o UOL, em Paris

  • Tiago Leme/UOL

    Torcedores do PSG posam para foto em frente painel que idolatra Neymar

    Torcedores do PSG posam para foto em frente painel que idolatra Neymar

Dez dias após as vaias, o afago. Depois de ser contestado por parte da torcida por não ceder uma cobrança de pênalti a Edinson Cavani na goleada do Paris Saint-Germain por 8 a 0 sobre o Dijon, Neymar voltou ao Parque dos Príncipes e ganhou muitos aplausos neste sábado, na vitória sobre o Montpellier por 4 a 0. Mais uma vez um pênalti prendeu as atenções, novamente o brasileiro pegou a bola para cobrança, mas desta vez com manifestações de apoio de todo o estádio. No fim do jogo, no entanto, o camisa 10 ainda se mostrou um pouco magoado com as reações contrárias recentes.

Logo após o apito final, Neymar saiu rapidamente do gramado, antes dos demais jogadores, sem participar do tradicional agradecimento aos fãs, gentileza que ele costumava fazer até então. Essa mesma atitude já tinha acontecido quando ele foi vaiado na semana passada. Questionado sobre o assunto, o atacante deu a sua justificativa, sem se alongar muito na explicação.

"Eu estava com dor nas costas, não quero fazer polêmica com isso", respondeu.

Durante a entrevista, Neymar também admitiu que ficou chateado com as vaias, mas preferiu minimizar o problema. Contra o Montpellier, o comportamento dos fãs não foi um problema. Pelo contrário. Depois de o árbitro apitar a penalidade no primeiro tempo, foi o próprio Cavani que passou a bola para Neymar cobrar e converter, sem titubear. Minutos antes, o uruguaio já tinha balançado as redes e quebrado o recorde de Ibrahimovic, chegando aos 157 gols e se tornando o maior artilheiro da história do clube.

Nas comemorações dos gols, abraços entre Neymar e Cavani. Nas arquibancadas, gritos intensos a favor dos dois, na mesma intensidade, em um tom mais elevado do que para os outros jogadores da equipe. O brasileiro teve o seu nome cantado em ritmo de "Aquarela do Brasil", e Cavani também teve música em sua homenagem. Cada um à sua maneira, o craque brasileiro e o matador uruguaio parecem estar no coração dos torcedores parisienses.

Gonzalo Fuentes/Reuters

"Gosto muito do Neymar, apoiamos ele, é um jogador espetacular. Precisamos dele para ganhar a Champions. Não achei certo as vaias para ele naquele jogo, mas foram só alguns torcedores. De qualquer forma, acho que ele poderia ter deixado o pênalti pro Cavani bater o recorde, ele não pode pensar só nele. O Cavani está aqui há bastante tempo, é um ídolo, luta muito pela equipe. Queremos ver os dois bem, fazendo gols e ajudando o Paris", disse o torcedor Michel Keller, que neste sábado estava ao lado de amigos vestindo a camisa dos Ultras, a principal torcida do PSG.

A explicação resume bem o sentimento dos fãs do Paris-Saint Germain em relação aos dois sul-americanos. Contratação milionária do time, Neymar conquista os torcedores pela qualidade de seu futebol e as apresentações de gala, alimentando a esperança de levar o clube ao inédito e sonhado título da Champions League. Enquanto isso, Cavani é idolatrado não só pelos seus gols, mas também pela postura dentro de campo, a dedicação e o tempo de casa. São quatro anos defendendo as cores do clube. Após a vitória contra o Montpellier neste sábado, quando o brasileiro já estava no vestiário, o uruguaio ainda comemorava no gramado e usava o microfone para agradecer o apoio da torcida, enquanto era homenageado pelo recorde de gols e ovacionado pelos fãs.

A partida da última quarta-feira contra o Guingamp, vitória por 4 a 0 pela Copa da França, quando Neymar não atuou por estar lesionado, já dava mostras da tentativa de reconciliação da torcida com o camisa 10 brasileiro. Os Ultras estenderam uma faixa demonstrando apoio: "Vaiar nossos jogadores é contrário aos nossos valores. Neymar-PSG-CUP (Collectif Ultras Paris) unidos para Paris". Esta semana, na fachada da loja oficial do PSG no Parque dos Príncipes, um enorme cartaz com a foto de Neymar fazia um agrado ao brasileiro: "Paris ama Neymar".

Apesar de todos os ingredientes para uma tarde perfeita em Paris, com a paz selada, a atitude de Neymar ao sair rapidamente de campo no fim, sem agradecer aos torcedores, ainda deixou explícita a mágoa do jogador.

Na zona mista, o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, também minimizou a situação, negou qualquer insatisfação de Neymar e tratou de afastar polêmicas e os rumores de uma possível transferência para o Real Madrid ao fim da temporada.

"Cada jogador sabe o que tem que fazer. Ele estava machucado nas costas, sentiu dor e quis ir direto para o vestiário. A mídia encontra cada detalhe, o que ele está fazendo, o que ele está comendo. É muita pressão no jogador. A mídia tinha que parar com todos esses rumores e deixar o jogador apenas jogar e viver a sua vida", disse Nasser, grande responsável por tirar o brasileiro do Barcelona e levá-lo a Paris seis meses atrás.

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