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No Barça, Coutinho começa fora da zona de conforto e já "treina" para Tite

REUTERS/Albert Gea
No primeiro jogo como titular, Coutinho atuou a maior parte aberto pelo lado direito Imagem: REUTERS/Albert Gea

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

30/01/2018 04h00

São 88 minutos de Philippe Coutinho em campo com a camisa Barcelona. Durante grande parte deste período, dividido nos pouco mais de 20min contra o Espanyol pela Copa do Rei e a estreia como titular diante do Alavés, o meia saiu da sua zona de conforto no esquema de Ernesto Valverde ao permanecer boa parte do jogo aberto pelo lado direito. O lado positivo? O início de trajetória no Barça serve como um treino para a seleção.

Coutinho se firmou como um dos principais jogadores do planeta e virou a maior contratação da história barcelonista por apresentar-se no mais alto nível no Liverpool. Com a camisa do clube britânico, o meia brasileiro se notabilizou por atuar mais aberto pelo lado esquerdo, com liberdade de movimentação para o centro a fim de se aproximar dos atacantes e encontrar espaço para os arremates de longe.

O próprio Coutinho admite que atuar pelo lado esquerdo potencializa o seu futebol. Quando Neymar estava suspenso da partida contra a Venezuela, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, o então jogador do Liverpool atuou pela esquerda no meio-campo e não escondeu a satisfação.

“Jogar ali pela esquerda é a posição em que jogo no clube [Liverpool]. Caso seja escolhido para jogar ali, com certeza vou estar mais acostumado. Jogar é sempre bom, é a posição que mais jogo e fico mais à vontade”, declarou, em entrevista coletiva dias antes do duelo na Venezuela.

No Barça, neste primeiro jogo como titular, Ernesto Valverde escalou o brasileiro pelo lado direito, em setor explorado também por Tite. Na seleção, Coutinho tem um concorrente imbatível na mesma faixa do campo: Neymar. O hoje camisa 14 do Barcelona se firmou como titular absoluto da equipe pentacampeã mundial somente quando saiu da própria “zona de conforto”.

No 4-1-4-1 da seleção, o hoje reforço mais caro da história do clube catalão é o atleta aberto pela direita. Assim como na escalação do último domingo contra o Alavés, quando Andrés Iniesta jogou pelo lado esquerdo. A adaptação com a camisa amarela agora também pode ocorrer em muitas ocasiões – principalmente quando Iniesta estiver em campo.

NELSON ALMEIDA/AFP
Na seleção, Coutinho tem Neymar como concorrente imbatível na sua zona de ação preferida Imagem: NELSON ALMEIDA/AFP

No lado da “perna boa”, os arremates de longe diminuem; o gol de canhota (Coutinho é destro) contra o Paraguai, em São Paulo, é um raro exemplo de chutes certeiros atuando pelo lado direito. Contra a Argentina, talvez na melhor atuação com a camisa da seleção, o meia anotou um golaço se deslocando da esquerda para o centro e arrematando de longe.

Diante do Alavés, foi do lado que está mais acostumado em jogar que o meia encontrou espaço e quase anotou o primeiro gol com a camisa do Barça. Coutinho pegou rebote na entrada da área, cortou o zagueiro da “esquerda para o centro” e viu o chute desviar em um zagueiro antes de passar próximo à trave adversária.

Com Iniesta saudável, inevitavelmente Coutinho vai atuar pelo lado direito. O lado positivo é que o meia agora encontra no próprio clube um cenário para tornar o seu jogo também natural pela direita. Tite, que já admitiu pensar no meia em uma função mais centralizada, agradece pelos meses de “treinamento” antes do Mundial da Rússia

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