Atrasos, Zé Ricardo... Campello faz um mês de Vasco e acumula "buchas"

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Paulo Fernandes / Flickr do Vasco

    Alexandre Campello tomou posse como presidente do Vasco mês passado

    Alexandre Campello tomou posse como presidente do Vasco mês passado

Alexandre Campello completou um mês no comando do Vasco na última quinta-feira (22), mas a quantidade de problemas que já teve de equacionar faz parecer que sua direção tem mais tempo. Salários atrasados, saídas de medalhões, permanência de Zé Ricardo, patrocinadores, críticas de traição por parte dos opositores, reabertura de plano de sócios e mudanças de taxas associativas de adesões são alguns dos desafios que enfrentou ou ainda enfrenta no comando.

Logo de cara, Campello precisou encarar a fúria dos vascaínos que não concordaram com sua postura na eleição. O médico rompeu a aliança com o candidato Julio Brant e se juntou aos correligionários de Eurico Miranda para vencer o pleito do Conselho Deliberativo, tornando-se o novo mandatário.

Em seguida, se viu diante de um cenário desesperador de salários atrasados, com o clube devendo novembro, dezembro, janeiro, 13º, férias e mais direitos de imagem de alguns jogadores. Não pensou duas vezes, então, em recorrer ao velho parceiro comercial cruzmaltino, o empresário Carlos Leite, agente de uma série de atletas do elenco e que sempre manteve relações econômicas com o ex-presidente Eurico Miranda. Um novo empréstimo foi feito e o dirigente conseguiu pagar dois meses da folha com a verba.

Tentou manter o zagueiro Anderson Martins, mas ouviu do defensor a vontade de rescindir seu contrato de maneira amigável e ir para o São Paulo. Nenê, outro medalhão, seguiu o mesmo caminho do companheiro, mas não encontrou grande resistência por parte de Campello. A questão salário/rendimento pesou pelo favorecimento à saída.

No que se refere a contratos, ainda faz, junto com sua diretoria, uma espécie de auditoria para levantar mais detalhes dos acordos feitos no "apagar das luzes" por Eurico em seus últimos dias de gestão. O patrocínio máster com a empresa Lasa, do ramo farmacêutico, por exemplo, está ameaçado de ser rompido. O motivo? Após mais de um mês da assinatura, a marca ainda não pagou os prometidos R$ 10 milhões de primeira parcela – os outros R$ 8 milhões seriam diluídos ao longo do ano.

Sobre esta questão, Campello deu um prazo de dez dias para a execução do pagamento, algo que foi expirado nesta segunda-feira (26).

Por fim, no último fim de semana, conseguiu, junto com o departamento de futebol, convencer o técnico Zé Ricardo a permanecer no comando da equipe. O treinador havia recebido uma sedutora proposta dos Emirados Árabes para receber R$ 500 mil por mês. Campello ofereceu um aumento para cerca de R$ 250 mil e aumentou o tempo de contrato para dezembro de 2019.

Polêmica nos planos de sócios

Ainda nesta segunda o presidente vascaíno sacudiu os bastidores políticos do clube e à torcida de um modo geral ao encaminhar a proposta de readequação de valores de planos de sócios e reabertura da categoria "sócio-geral", a mais barata que dá direito a voto. Com 98 votos contra 62, o Conselho Deliberativo do Vasco aprovou a sugestão do mandatário, o que ratificou um aumento de 900% na taxa de adesão. Agora, para ser um "sócio-geral", a pessoa terá que pagar uma joia de R$ 2 mil e mais mensalidades de R$ 70. Antes do plano ser fechado - em 2015 por Eurico Miranda - ele custava R$ 200 de joia e mais R$ 45 mensais.

Quem quiser se tornar sócio-proprietário terá que desembolsar R$ 2.500 de taxa e mais R$ 80 de mensalidade.

Vale ressaltar que a reabertura do sócio-geral é uma prerrogativa exclusiva de competência do presidente Alexandre Campello. O dirigente, aliás, defendeu os valores apresentados.

"A curto prazo o Vasco é, entre os clubes do Rio, o que dá mais possibilidade ao sócio de fazer o menor investimento para ter direito a voto", declarou em relação ao trio Botafogo, Flamengo e Fluminense.

Aliados do mandatário, como o vice de marketing, Bruno Maia, defendem que o aumento dos preços evitará possíveis "mensalões" na próxima eleição do clube em 2020 (veja abaixo). Tal prática foi utilizada no pleito deste ano.

A maioria dos conselheiros que votaram contra são aliados de Julio Brant e que foram eleitos após o ex-candidato vencer a eleição entre os sócios. O executivo, aliás, protestou.

"Aumentar a adesão do sócio-geral para R$ 2 mil é ignorar mais uma vez o desejo do torcedor vascaíno que quer votar no clube, é fechar ainda mais o Vasco, é contra a democracia que tanto brigamos na campanha. O Campello venceu com os votos do Eurico e com a defesa do Eurico. Ele, Campello, não teve sequer coragem de ir à tribuna defender e explicar o aumento. Quem fez isso foi o Eurico. Isso mostra o peso do ex-presidente na gestão Campello", atacou.

Reforma do estatuto

Além da proposta em relação aos planos, foi debatida também a formação de uma comissão que visa reformar o estatuto do clube. Entre os membros estão nomeados quatro ligados a Campello, três a Eurico e um a Brant. Existe a possibilidade de que mais um ligado a Brant seja incluído. Os nomes são: Roberto Monteiro, Mauro Ferreira, Alexander Tavares de Mattos, Bruno Barata, Luis Manuel Fernandes, Leonardo Rodrigues, Denis Carrega Dias e Carlos Leão. 

Entre os principais temas sugeridos na reforma está o de tornar a eleição presidencial do Vasco direta. Atualmente ela funciona com um pleito entre os sócios para eleger as chapas e outro restrito aos conselheiros. 

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