Nike determinava Neymar em "elite de clubes" para pagar verba máxima

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Benoit Tessier/Reuters

    Neymar comemora gol contra o Amiens com a chuteira na cabeça

    Neymar comemora gol contra o Amiens com a chuteira na cabeça

O contrato de Neymar com a Nike dividia clubes europeus em categorias e alterava a remuneração do jogador dependendo de onde ele decidisse atuar. Se saísse de uma "elite" estabelecida pelo compromisso, por exemplo, o jogador receberia pelo menos metade do valor acordado. Além disso, o documento previa bônus pelas mais diversas conquistas coletivas e individuais, por clubes e pela seleção brasileira. Vencer a Bola de Ouro, neste cenário, renderia 20 vezes mais do que o título da Copa do Mundo. 

O UOL Esporte obteve na íntegra um acordo assinado entre a fornecedora de material esportivo, Neymar e a NR Sports, empresa do pai do jogador, em 2011, com validade até 2022 – a Nike poderia prorrogar, unilateralmente, até 2024. Nike e o estafe do atacante não dizem se o vínculo foi alterado ou renovado desde então, e se dizem impedidos de comentar o teor das cláusulas em virtude de cláusula de confidencialidade.

O documento obtido pela reportagem divide clubes em quatro categorias: A, B, C, e D (veja aqui). Se Neymar jogar pela categoria A, fará jus à remuneração integral; em um clube B, o valor cai pela metade; em um clube de nível C, é metade do valor da categoria B. Se Neymar atuasse por um clube do nível D, não teria direito a receber nada.

Em 2011, a categoria A continha nove clubes: Chelsea, Milan, Manchester United, Arsenal, Juventus, Bayern, Internazionale, Barcelona e Real Madrid (veja aqui). A categoria B englobava times das primeiras divisões europeias, mas que tivessem se classificado para as quartas da Liga dos Campeões em três dos cinco anos anteriores. Na C ficavam os demais clubes de primeira divisão e, na D, os de segunda divisão.

Nike/Divulgação
Neymar mostra sua nova chuteira da Nike,a Hypervenom Liquid Diamond

De acordo com pessoas com trânsito no mercado, as categorias são periodicamente atualizadas de acordo com o desempenho e potencial de marketing dos clubes. As fontes ouvidas pela reportagem não souberam dizer se o PSG, atual clube de Neymar, atualmente pertence a categoria A, ou mesmo se os critérios de divisão ainda são os mesmos. O clube francês, hoje, é um dos principais patrocinados pela empresa norte americana e se tornou uma força no futebol europeu.

Bola de Ouro vale mais que título da Copa

Além dos valores base anuais, o contrato inclui metas por conquistas individuais e coletivas de Neymar – títulos, prêmios de melhor jogador e artilharias por todas as competições possíveis por clube e seleção. As metas individuais implicam em premiações maiores, principalmente com a camisa de seleção brasileira (veja a lista aqui).

No caso da Copa do Mundo, por este acordo, Neymar receberia US$ 50 mil em caso de título e US$ 30 mil em caso de vice-campeonato. Caso fosse artilheiro e/ou melhor jogador, entretanto, teria direito a US$ 200 mil por cada uma das metas atingidas. Algo semelhante ocorreria nas Olímpiadas: US$ 20 mil pela medalha de ouro, US$ 100 mil pela artilharia e US$ 150 mil pelo prêmio de melhor jogador.

A maior de todas as premiações ocorreria no caso da conquista da Bola de Ouro: US$ 1 milhão. O prêmio aumentaria a cada nova conquista, com US$ 2 milhões na segunda, US$ 3 milhões na terceira e US$ 4 milhões na quarta. A partir daí, seriam US$ 4 milhões a cada eventual nova conquista.

MARTIN BERNETTI/AFP
Neymar comemora a conquista do ouro olímpico no Rio em 2016

Novamente, nem Nike nem o estafe esclarecem se as metas e valores seguem os mesmos. Fontes ouvidas pela reportagem consideram provável que as metas sigam iguais, mas os valores tenham sido renegociados em virtude da ascensão de Neymar no cenário do futebol mundial.

Presença constante na seleção é requisito essencial 

Assim como a estatura do clube defendido, a presença de Neymar na seleção brasileira também era fundamental na remuneração pelo patrocínio. Para fazer jus ao valor total, o atacante teria de figurar em 70% ou mais dos jogos da seleção em todos os anos. Se atuasse entre 30% e 70%, ele receberia apenas 50% da remuneração, e apenas 25% se atuasse em menos de 30% das partidas do Brasil.

A reportagem enviou à Nike e a NR Sports perguntas sobre a validade do contrato atualmente, se houve ou não renovação e sobre a categorização de clubes, incluindo a posição atual do PSG nas categorias. Ambas as partes afirmam que o contrato possui confidencialidade e, por isso, não podem comentar nenhuma cláusula.

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