Cristiano Ronaldo tem círculo de amigos fechado e 'premia' fidelidade

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

  • Instagram/Reprodução

    Cristiano Ronaldo e o amigo Miguel Paixão

    Cristiano Ronaldo e o amigo Miguel Paixão

Em evento que aconteceu no fim de janeiro, em um famoso teatro na Avenida da Liberdade, no centro de Lisboa e considerada a versão local da francesa Champs Elysées, Cristiano Ronaldo recebeu mais uma das dezenas de prêmios que acumula a cada ano. Não foi ele, no entanto, a subir ao palco para fazer o agradecimento, mas Miguel Paixão, ex-jogador que abandonou os gramados aos 31 anos e atuou somente uma temporada na primeira divisão, pelo União Leiria.

Ex-companheiro nas categorias de base do Sporting, Paixão ensaiou um discurso que rendeu manchetes por todo o país ao revelar que Ronaldo quer encerrar a carreira em Alvalade.

"Aliás, foi ele quem me pediu para eu dizer isto aqui", sorriu.

Miguel Paixão é um dos melhores amigos do craque português e, ao encerrar a carreira, virou o rosto do Museu CR7 itinerante que roda por diversos países. Ele faz parte do núcleo mais próximo do jogador, eleito cinco vezes pela Fifa o melhor do mundo.

O círculo de amizade de Ronaldo é restrito. Além de Miguel Paixão, a base forte de Cristiano é formada por outros dois parceiros: José Semedo, com quem também atuou pelo Sporting e hoje defende o Vitória de Setúbal, e Ricardo Regufe, ex-atleta que não chegou a se profissionalizar, foi trabalhar na Nike logo cedo e virou o responsável por convencê-lo a assinar com a empresa norte-americana.

Os quatro são inseparáveis desde sempre. E, como exemplo talvez da idade mais avançada que possuem, conservam uma relação madura. A escolha recorrente de Miguel Paixão como representante de Ronaldo em premiações é uma prova disso.

Quem são eles

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Paixão e Cristiano Ronaldo se conhecem desde os 14 anos e moraram juntos no centro de Lisboa, em uma pensão que hoje pode ter um de seus quartos reservados a 30 euros por noite (cerca de R$ 120 na cotação do dia). A dupla dava trabalho na região e era presença assídua em um salão de jogos próximo. No fim das contas, Ronaldo foi proibido de entrar no local a pedido do Sporting.

Na base, os dois e José Semedo formavam grupo que costumava fugir à noite para fazer musculação na academia. Eles chegaram a ser multados por isso. O culto de CR7 ao corpo é atribuído, especialmente, a Semedo, que foi mandado embora ainda novo e voltou mais tarde disposto a ficar de vez.

"Ele começou a treinar sozinho, era obcecado pelo treino físico, abdominais, flexões. Criou um nível de influência muito grande no Ronaldo, que passou a trabalhar o corpo, muitas vezes competiam entre eles. Foi o Semedo que lhe passou essa rotina", conta Leonel Pontes, ex-diretor que trabalhou com ambos.

A relação entre eles sempre foi de fidelidade. Mesmo com todo o seu esforço, Semedo esteve próximo de ser dispensado do Sporting de novo, porém, Cristiano interferiu e, para que tivesse lugar para dormir, sugeriu que colocassem mais uma cama em seu quarto, ainda que isso o deixasse apertado.

Pouco depois, quando começava a despontar aos 18 anos, surgiu em sua vida Ricardo Regufe, funcionário da Nike que fechou o acordo de patrocínio e nunca mais deixou o seu lado – ele aparece em sua companhia em entrevista recente ao canal Desimpedidos. A confiança é tamanha que Ricky, como é chamado, cuida atualmente de diversos outros contratos da marca CR7 e tem acesso ao ambiente familiar do craque.

Quando estão em Lisboa, os quatro podem ser flagrados com alguma frequência em um dos hotéis que Cristiano Ronaldo lançou em parceria com a rede Pestana. No local, cultivam os anos de amizade e planejam negócios, os próximos passos do museu itinerante, outras propriedades comerciais e restaurantes.

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