Mais finalizador de área, CR7 vira 'Cristiano Romário' e sobra na Liga

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo

"Nunca serei um centroavante". Cristiano Ronaldo proferiu essa frase em 2017, às vésperas de conquistar mais uma Liga dos Campeões na carreira, diante da Juventus, em Cardiff. O astro do Real Madrid pode até não ser um autêntico camisa 9, mas joga cada vez mais ao estilo homem-gol. Em vez de arrancadas e dribles pelas pontas, CR7 usa a movimentação em campo, uma de suas características marcantes, para encontrar espaços na área e finalizar. Desta forma, à la Romário, ele foi fundamental para classificar os espanhóis às quartas de final da Champions, eliminando o Paris Saint-Germain nos mata-matas.

CR7 anotou gols, 12 ao todo, nas oito partidas em que esteve em campo pela Liga nesta temporada. Apenas um deles foi de fora da área, contra o Borussia Dortmund, no Santiago Bernabéu, na rodada que fechou a fase de grupos. Dos 11 restantes, sete saíram próximos à pequena área, como o tento de cabeça que abriu o placar na vitória por 2 a 1 sobre o PSG, nesta terça (6), no Parque dos Príncipes.

Na temporada 2017-18, em jogos oficiais pelo Real Madrid, Cristiano Ronaldo tem 31 gols, e 30 foram marcados dentro da área, somando finalizações com bola rolando e cobranças de penalidades. Artilheiro da última Liga dos Campeões, com 12 tentos, o português também anotou apenas um de longa distância na campanha do 12º título europeu dos espanhóis.

Xinhua/Panoramic/ZUMAPRESS

Como comparação: nas temporadas em que mais anotou gols pelo Campeonato Espanhol, Ronaldo adotava com maior frequência o chute de longe como arma para vazar defesas. Em 2014-15, foram 48 gols no torneio, sendo cinco de fora da área. No período 2011-12, ele anotou 46 tentos, sete deles distante da área.

São números que ajudam a ilustrar a dinâmica recentemente adotada pelo técnico Zinedine Zidane na equipe. Antes mais dependente dos lampejos de craque de Ronaldo, agora a equipe cria oportunidades para que o português, que aos 33 anos já apresenta certo declínio físico, potencialize a sua qualidade de finalização. Mesmo tocando menos na bola durante os 90 minutos de bola rolando, ele continua letal. A proximidade à meta adversária torna o cenário ainda mais favorável.

O gráfico abaixo, publicado por um perfil do Twitter antes da partida contra o PSG desta terça, faz essa relação de "jogar por Ronaldo" em forma de ilustração. A lista vertical representa os jogadores do Real que criaram chances de gol. Na horizontal, as linhas apontam quem finalizou a gol. A intensidade dos círculos simboliza a frequência com que fulano arma jogadas para beltrano. 

Percebe-se que as bolinhas nos cruzamentos do gráfico que chegam em Cristiano Ronaldo são as mais intensas do gráfico em quase todas as combinações possíveis. O lateral-esquerdo Marcelo, o meia Kroos e o atacante Bale são os que mais acionam o camisa 7 merengue.

Zidane trouxe à realidade do Real Madrid algo que já vinha acontecendo na seleção de Portugal, campeã da Eurocopa de 2016 com o camisa 7 mais centralizado no esquema 4-4-2 adotado pelo técnico Fernando Santos. Ronaldo anotou três gols na competição, todos dentro da área - um de letra e dois de cabeça.

Queira ele ou não, o jogador eleito cinco vezes pela Fifa o melhor do mundo mudou de função em campo e tem feito gols como nunca. Como "Cristiano Romário", Ronaldo adormeceu mais gigante em Paris para tentar levar o Real Madrid à quarta final de Liga dos Campeões em cinco anos.

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