Organizada do Cruzeiro acusa Mineirão de censurar faixa pró-Marielle

Caio Sini e Thiago Fernandes

Em São Paulo e Belo Horizonte

  • Reprodução

    Detalhe da faixa erguida atrás de um dos gols do Mineirão; torcida acusa concessionária

    Detalhe da faixa erguida atrás de um dos gols do Mineirão; torcida acusa concessionária

Em uma página no Facebook, um grupo de torcedores do Cruzeiro denominado "Resistência Azul Popular" acusou a Minas Arena, concessionária responsável pela administração do Mineirão, de retirar uma faixa de apoio à vereadora Marielle Franco, assassinada na última quarta-feira (14) em seu carro, no Rio de Janeiro. Segundo o relato, a faixa com os dizeres "#MariellePresente" foi erguida atrás de um dos gols do estádio na partida contra o Patrocinense, no local onde se concentra a Máfia Azul, principal torcida organizada do clube.

A manifestação foi organizada pela Comando Rasta do Cruzeiro, torcida organizada voltada para ações sociais em bairros pobres de Belo Horizonte. Em contato com o UOL Esporte, o presidente da torcida, Robert da Fonseca, se disse revoltado com a morte de Marielle e contou que a retirada da bandeira foi feita pela própria Minas Arena, responsável pela operação de segurança no estádio.

"Os seguranças da Minas Arena chegaram no intervalo do jogo dizendo que tinham de retirar a faixa. Quando perguntamos o porquê, eles disseram que a ordem era da concessionária e que ali não era lugar de atos políticos. Tentamos alegar que a vereadora estava morta e que aquilo era uma homenagem e não uma maneira de promover políticos, mas não teve jeito. Por sermos uma torcida pacífica, não oferecemos resistência", explicou.

UOL Esporte consultou a Minas Arena, que em um primeiro momento comunicou não ter informações sobre o ocorrido. Contudo, após meia hora, a concessionária enviou uma nota confirmando a ação e alegou que a faixa não foi previamente aprovada. "O Mineirão apoia toda manifestação pacífica das torcidas que frequentam o estádio. Para tanto, as faixas posicionadas na arena são previamente apresentadas e aprovadas, em conjunto com autoridades competentes o que, infelizmente, não aconteceu neste caso", disse a concessionária. 

No fim da partida, integrantes da Comando Rasta e da Resistência Azul Popular foram cobrar justificativas e a devolução da faixa. Segundo Robert, a Minas Arena disse que só a devolveria na segunda-feira, mas, após pressão dos torcedores, a bandeira foi devolvida. Segundo a Resistência Azul Popular, a faixa havia passado pela triagem antes do início da partida.

"As explicações foram esdrúxulas. Iremos fazer um relato mais detalhado na segunda. Lembrando que o coordenador de segurança da Minas Arena é o Coronel Teatini, de outras truculência aqui em Minas Gerais. Muito sintomático que a polícia esteja contra uma faixa de quem lutou contra os milicianos, não?", disse o texto divulgado pela Resistência Azul Popular, que negou ter sido a responsável pela bandeira. 

A Minas Arena ainda falou sobre a morte da vereadora. "Assim como todo o país, também estamos indignados com o fato ocorrido na última quarta-feira e repudiamos qualquer ato de violência", finalizou.

Em seu artigo 13-A, parágrafo IV, o Estatuto do Torcedor diz que não será permitido dentro das dependências dos estádios "portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo". A faixa, como mostra a foto, exibia apenas as palavras de ordem "Marielle presente", que pautaram boa parte das manifestações de homenagem à vereadora em todo o país nos últimos dias. 

Confira, abaixo, a nota completa da Resistência Azul Popular:

Confira a nota da Minas Arena na íntegra:

O Mineirão apoia toda manifestação pacífica das torcidas que frequentam o estádio. Para tanto, as faixas posicionadas na arena são previamente apresentadas e aprovadas, em conjunto com autoridades competentes o que, infelizmente, não aconteceu neste caso.
Os torcedores abriram a faixa, fizeram a sua manifestação e, na sequência, ela foi retirada pela segurança. Atos de manifestação, comunicados previamente, têm acontecido de forma organizada e, ainda, recebido apoio das mídias do estádio, como o telão e sistema de sonorização.
Assim como todo o país, também estamos indignados com o fato ocorrido na última quarta-feira e repudiamos qualquer ato de violência.

*Colaborou Enrico Bruno 

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