Torcedora diz que teve de tirar camisa e ver jogo de top; Atlético-PR nega

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Arquivo pessoal

    Valquíria, torcedora do Londrina, reclamou de postura arbitrária do Atlético-PR

    Valquíria, torcedora do Londrina, reclamou de postura arbitrária do Atlético-PR

A torcedora do Londrina Valquíria Ribas, de 23 anos, denunciou em postagem na internet que teria sido forçada a retirar a camisa que vestia (veja na foto abaixo), por exigência dos seguranças do Atlético Paranaense, para entrar na Arena da Baixada e ver o jogo do seu time no último domingo, pelo Campeonato Paranaense. Para não perder o ingresso e voltar para casa de mãos abanando, ela viu o confronto só de top. O clube nega que tenha exigido que ela retirasse a peça de roupa.

"Eu vim com uma camiseta branca com um T azul, de Tubarão, e não foi permitida a minha entrada com aquela camiseta. Os funcionários argumentaram que outras pessoas poderiam entrar com outras camisetas de letras e formar alguma frase. E eles disseram que o "T" poderia ser de torcida organizada", contou ao UOL Esporte. Em um primeiro momento, Valquíria disse que não havia intenção de formar qualquer mensagem com os colegas. Mais tarde, disse que cinco amigos formariam a sigla TFA-92, em referência à organizada do Londrina, e relatou como foi a abordagem na chegada ao estádio. 

"Nós mostramos que não estávamos com camisetas por baixo. Dissemos que íamos formar a sigla e ele falou que ia consultar a diretoria", disse ele, detalhando o diálogo em seguida. "'Não pode, porque o T não sei o que significa, mas é de torcida'. 'Tudo bem, as outras quatro pessoas vão tirar a camisa, mas eu não estou [com outra camiseta]'. 'Então você não vai entrar. Eles vão entrar sem camiseta, se você quiser vai entrar sem camiseta também'. 'Eu viro a camiseta para trás para não entrar sem camiseta'. 'Não, você não vai entrar", disse ela, que diz ter sido obrigada a levar a camiseta "polêmica" ao carro para, aí sim, ser autorizada a assistir à partida. 

"O Atlético não me obrigou a tirar a camiseta. Ninguém encostou em mim ou disse: 'Tira a camiseta'. Mas eu andei 500 km, com o ingresso na mão, enfrentei fila para fazer biometria. Na catraca, eu não ia voltar para trás. Ou eu tirava a camisa ou não ia entrar", completou. 

Valquíria, que estava acompanhada do namorado e de outros três amigos, disse ainda que os seguranças discutiram com eles após outra decisão do grupo. "Estávamos em cinco e em apoio os meninos tiraram a camiseta também, mas aí teve uma discussão para que os demais não tirassem a camiseta para não dar polêmica", contou.

Arquivo pessoal
Camisa com um "T" que gerou a confusão

Procurado, o Atlético nega que tenha forçado Valquíria, que não quis exibir seu rosto com medo de retaliação, a tirar a camiseta para assistir à partida. O clube prometeu apurar os fatos, contando com seu sistema de imagens, e disse que irá se manifestar publicamente assim que o fizer. A diretoria acredita, conforme apurou o UOL Esporte, que seu sistema de monitoramento pode provar que outros torcedores que a acompanhavam tinham camisas com letras que poderiam formar uma frase, o que explicaria o início da confusão.

O Atlético tem como política barrar o acesso de torcidas organizadas em seu estádio. O clube está em litígio com a própria facção e não permite acesso de fanáticos rubro-negros com adereços e camisas com o símbolo da torcida. Na versão do clube, porém, Valquíria, por ser mulher e estar só de top por baixo, não teria sido forçada a tirar a peça de roupa. A torcedora, no entanto, sustenta a versão de que sua entrada estava condicionada à retirada da camisa. O clube, nos bastidores, indica que a solicitação foi feita aos companheiros dela, e não a ela, diretamente. Oficialmente, no entanto, ainda não quer entrar em detalhes até ver as imagens. 

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