Ídolo sem títulos, Baier reencontra Atlético-PR como técnico adversário

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • ROBERTSON LUZ/AE/AE

    Paulo Baier de rubro-negro: camisa que mais vestiu

    Paulo Baier de rubro-negro: camisa que mais vestiu

Paulo Baier foi um dos grandes ídolos da história recente do Atlético Paranaense. Um ídolo sem títulos, em tempos bicudos, em que o clube não dá relevância ao Estadual e não conseguia repetir os melhores momentos nos torneios nacionais.

Ainda assim, a torcida reconhecia em Baier um jogador de muita dedicação, e que ao final da passagem quase levantou uma Copa do Brasil, levou o clube para a Libertadores enquanto entrava para a história do Brasileirão ao ser o primeiro jogador a fazer mais de 100 gols na era dos pontos corridos. Deixou o Furacão pela porta dos fundos, no início de 2014, após brigar com Mario Celso Petraglia por conta da desistência do dirigente em renovar seu contrato após anunciar a renovação em autofalantes no estádio.

Foram cinco anos, 156 jogos e 49 gols pelo Furacão. Baier se aposentou aos 41 anos no São Luiz, de Ijuí, sua terra natal. E em 2018 iniciou nova caminhada no futebol: agora é técnico do Toledo, que recebe o Atlético nesta quarta, 21h45, na última rodada da Taça Caio Jr., o segundo turno no Paraná. "Agora é uma experiência nova, totalmente diferente. No início tem a adaptação, depois de alguns jogos você vai acostumando. Mas estou achando legal, eu estou gostando dessa profissão", afirmou ao UOL Esporte.

O jogo vale vaga para o Toledo. Se vencer, o time estará nas semifinais do segundo turno e manterá vivas as chances de chegar à uma vaga na Série D nacional para 2019. Além disso, quebrará a invencibilidade do time que Baier mais defendeu na longeva carreira. E prorrogará um pouco mais o contrato com o Toledo. "Só o Paranaense (como compromisso). Na realidade, vai terminar essa oportunidade, terminar o campeonato, ver as condições. O primeiro objetivo era não cair, a gente conseguiu, agora tem a chance de classificação. Vamos ouvir outras oportunidades para dar continuidade ao trabalho."

Carinho grande pelo Atlético é recíproco – menos de Petraglia

divulgação/Atlético-PR
Baier marcou em Atletiba e teve renovação anunciada no estádio: rompimento com Petraglia

Idolatrado por uma geração de atleticanos, Baier também se derrete ao falar do ex-clube: "É... realmente eu tenho um carinho muito grande pelo Atlético, a gente teve uma identificação muito grande, da minha parte e do torcedor. Quando eu vou pra Curitiba tem um carinho muito grande. A gente vai enfrentar agora, vou fazer de tudo para que o Toledo possa sair vencedor. Para mim é um incentivo, enfrentar um clube de tradição, e de massa", contou.

Ele se vê como uma das principais bandeiras da história do Atlético, a ponto de se comparar com nomes que marcaram época em outras equipes. "Ficaram muitas coisas. Identificação, amizade, dentro do clube em que eu procurei também ajudar. Tem alguns jogadores que marcam: Ceni, Alex no Coritiba... a gente procurou se identificar de maneira natural, sem forçar nada. Tenho um carinho muito grande, mas agora se tornou adversário."

Sobre a saída, tumultuada pelo rompimento com Petraglia, Baier garante não ter mágoas. "Não tem. Tivemos um desafeto em relação a contrato, mas acabou, sem problema nenhum, não tenho porquê. Se hoje fosse falar com ele, seria normal, não dá pra legar magoa de ninguém, a vida é tão curta", argumentou. Baier chegou a entrar com uma ação na Justiça contra o Atlético, mas fez um acordo e abriu mão de valores – que não quis revelar – para acertar a situação. "Naquele momento... passou, o meu objetivo era ter encerrado o ciclo dentro do Atlético, tinha um contrato feito, mas acontece. Não dá para remoer. Abri mão, faz parte."

Em um momento em que o Furacão aposta em vários outros ídolos como funcionários no futebol do clube, Baier acha que ainda não é o momento de voltar. "Agora não. Eu preciso ainda amadurecer como treinador, terminar o ciclo de aprendizado, eu ainda tenho a ideia de ir subindo aos poucos. Logicamente, meu objetivo um dia é chegar e ser técnico do Atlético, seria um sonho pra mim. Mas agora eu preciso aprender e amadurecer, tem muita coisa pra gente melhorar."

Um ídolo sem títulos

Julio Cesar Guimaraes/UOL
O time na final de 2013: faltou pouco

Contratado após a conquista do Paranaense em 2009, Paulo Baier não levantou taça com a camisa rubro-negra. Ele chegou para o Brasileirão 2009 e viveu um período de vacas magras. Ainda assim, é considerado ídolo. "Eu acho que é muito mais difícil, na maioria das vezes foi jogado com base, nunca foi para ser campeão. Sempre com base e alguns experientes. Eu consegui ser identificado como um jogador que ajudou o clube a escapar de rebaixamento, deixando o clube na Série A, e isso marcou mais ainda. O torcedor leva pra ele, a identificação de um cara que sempre deu a vida para ajudar o clube."

A maior conquista passou muito perto. O time de 2013, que tinha Baier como o camisa 10, foi vice-campeão da Copa do Brasil e terceiro no Brasileirão. "Eu tive vários momentos bons, mas 2013, na final da Copa do Brasil, em terceiro no Brasileiro, direto na Libertadores, o centésimo gol eu fiz pelo Atlético, contra o Criciúma. Fui eleito o melhor meia, com 39 anos, isso marca muito. São só coisas boas. Só coisas a agradecer."

A equipe chegou em alta contra o Flamengo, a quem havia vencido no Maracanã por 4 a 2 um mês antes das finais. O resultado derrubou Mano Menezes do time da Gávea e Jayme de Almeida assumiu. Na decisão da Copa, o Atlético não repetiu o desempenho. "É detalhe de jogo. A gente tomou um gol no Paraná e aí teve que correr atrás, empatamos. Depois lá jogamos com tudo para frente e tomamos dois gols. Mas aquele grupo foi sensacional, um dos melhores que passou pelo Atlético, e aquele grupo comprou a ideia do Mancini, que foi um baita de um técnico. Eu tenho um carinho muito grande por ele, me ajudou muito."

Baier se tornou referência com a camisa do Atlético, virou personagem no folclore do futebol e também conta com o carinho de outras torcidas, como as do Goiás e Criciúma, além de ter defendido Palmeiras e Atlético-MG. Mas é com o Furacão que ele tem maior empatia. "Eu tenho um carinho por todos, sempre que eu dou entrevistas digo que todos foram importantes. Mas alguns mais, outros menos, e realmente no Atlético tenho uma identificação muito grande, mais forte, com o torcedor."

Desafio como técnico tem Tite como guru

Albert Egon/Toledo EC
Baier no comando do Toledo: três vitórias e três empates em 10 jogos

Baier enumerou seus modelos para a carreira: "Tem alguns treinadores que você tira como referência. O Vagner Mancini, o Tite que eu trabalhei no Palmeiras, que é o melhor de todos, o Geninho, um paizão no Goiás, o Antônio Lopes, o Celso Roth... são referências." Para ele, a missão é ensinar os garotos a aproveitarem a carreira. "Principalmente pros mais jovens... no início do trabalho a gente às vezes se perde um pouquinho. Você tenta conversar para não perder uma oportunidade, passar as situações que convivemos dentro do campo. O jogador quando tem a oportunidade tem que aproveitar. Tem que estar bem fisicamente, se dedicando, pra quando tiver a oportunidade tem que estar bem."

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