Boschilia corre por espaço após lesão no Monaco, mas já cogita empréstimo

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Monaco

    Aos 22 anos, meia ex-São Paulo e seleção de base tem contrato na França até 2020

    Aos 22 anos, meia ex-São Paulo e seleção de base tem contrato na França até 2020

Há quase três anos no Monaco, o meia brasileiro Gabriel Boschilia vive um momento de poucas oportunidades no futebol francês. Ele atuou pela última vez em 31 de janeiro e foi apenas o quinto jogo desde que se recuperou de uma grave lesão no joelho direito responsável por sete meses de afastamento. Adaptado à Europa, o atleta com passagens por São Paulo e seleção brasileira de base segue em busca de espaço no clube em que tem contrato por mais duas temporadas, mas já admite que a chance de recuperar espaço e ritmo de jogo pode ser fora do Principado.

"Com certeza (empréstimo) é uma coisa que passa pela minha cabeça, porque essa temporada está praticamente acabando, saímos de todos os campeonatos e não venho jogando. É uma opção ser emprestado. Tenho na minha cabeça que, se for continuar não tendo oportunidades, isso é bom para as duas partes, para mim e para o Monaco também, pela parte de eu procurar espaço para voltar a jogar", conta Boschilia, ao UOL Esporte.

Desde que chegou ao futebol europeu, em agosto de 2015, Boschilia foi emprestado uma vez, aos belgas do Standard Liége, e já esteve na mira de outros clubes europeus e até brasileiros, como Santos e Fluminense. Para o meio do ano, entretanto, o jogador não cogita o retorno ao futebol nacional: "Hoje penso em Europa mesmo. Não seria, assim, o que eu queria voltar para o Brasil", revela.

Divulgação/Monaco
Na atual temporada são apenas cinco jogos disputados; lesão atrapalhou planos

O desejo de Boschilia de permanecer no futebol europeu decorre da rápida adaptação que ele teve ao continente, com participações em partidas oficiais desde a chegada ao Monaco, títulos na França e na Bélgica e a amizade de outros jogadores brasileiros de seu clube, como Fabinho, Jorge e Jemerson. A única lamentação do garoto de 22 anos é o atual momento - especialmente a lesão nos ligamentos do joelho direito, que interrompeu sua maior sequência de jogos pelo clube que investiu 10 milhões de euros (R$ 34,7 milhões, na época) pelo reforço.

"Até a lesão, meu momento estava sendo perfeito, estava conseguindo mostrar meu futebol, fazendo gols, números muito bons mesmo não sendo titular, porque eu entrava muito bem. Mas então aconteceu a lesão, são coisas do futebol, temos que passar por cima e comigo não foi diferente. Voltei, voltei bem, mas claro que perdemos espaço. Agora estou trabalhando, uma hora as coisas vão clarear e vou ter minha oportunidade. É difícil ficar sem jogar, mas entendo e só tenho que trabalhar todos os dias procurando evoluir o máximo", confia Boschilia, que ficou afastado por sete meses e depois ainda teve outro problema físico que atrapalhou sua volta e dificultou sua temporada pelo clube. 

Começo da carreira é exemplo

O atual momento está longe de ser o mais difícil da trajetória de Boschilia no futebol. Nascido no interior de São Paulo, ele foi recusado em quase uma dezena de testes antes de começar a carreira: São Paulo, Santos, Corinthians e até o Guarani são alguns dos clubes que não contrataram a promessa após avaliação interna. O Guarani, porém, aceitou no segundo teste e deu espaço para o jogador, que pouco depois foi contratado pelo São Paulo ainda na base. As dificuldades do passado são espelho para o presente.

Reprodução/Twitter
Boschilia atuou pelo São Paulo em 44 jogos. Ano passado fez uma visita ao Morumbi

"Lá atrás eu fiquei tranquilo e procurei trabalhar, melhorar, então agora tenho que fazer a mesma coisa, respeitar os companheiros e o treinador e esperar para mostrar meu futebol, procurar meu espaço dentro do time. Claro que chega um momento em que a paciência está esgotando, mas você tem que trabalhar, usar isso como algo de bom e trabalhar mais", relembra Boschilia, que ficou marcado no Brasil pela passagem de 44 jogos e cinco gols pelo São Paulo.

"O carinho que tenho pelo São Paulo sempre vai existir, foi o clube que me deu oportunidade de ser profissional e todos lá, torcida, diretores, jogadores, sempre me trataram com muito carinho, principalmente a torcida. É um clube especial para mim, fica até difícil falar minhas maiores lembranças, porque o primeiro gol (em 2014, pela Copa Sul-americana, contra os chilenos do Huachipato) foi muito importante, a gente nunca esquece, mas os treinos com o Kaká também foram muito marcantes", relembra.

Nova vida de pai (em Mônaco)

Enquanto tratava a lesão que interrompeu sua trajetória no Monaco, Boschilia viveu o grande momento da vida: virou pai de Manuela em 5 de setembro de 2017. A filha de Gabriel e Bruna nasceu em Santa Bárbara D'Oeste (SP) e vive com os pais no Principado. É o refúgio de todas as lamentações. 

"É bom demais ser pai, não tem como explicar, é um sentimento muito forte, único. Foi uma bênção, só tenho que agradecer a Deus, aproveitar e todo dia ir aprendendo. Ela está com seis meses, mas daqui a pouco começa a andar, correr, jogar bola...", brinca o pai, cada vez mais habituado à vida na Europa.

"Para a gente que veio do interior, Mônaco é um lugar diferente de viver, você tem de manter os pés no chão. Claro que quero comprar um monte de coisa, mas eu fico tranquilo, sossegado, sei de onde eu vim, dos meus valores, não fico espantado e afobado para ser igual os caras daqui, não (risos). Mas precisamos mudar um pouco. Tipo, no Brasil vamos em um restaurante de chinelo, mas aqui você não vai porque ficam te olhando, às vezes não pode nem entrar...".

A base de tudo ?? amo vocês ??

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