Pressionado, Carille repete rotina de irritação e mau humor em coletivas

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Ale Cabral/AGIF

    Carille se irritou com uma atitude de Aguirre antes do clássico São Paulo e Corinthians

    Carille se irritou com uma atitude de Aguirre antes do clássico São Paulo e Corinthians

O técnico Fábio Carille voltou a mostrar irritação no último domingo, após a derrota do Corinthians para o São Paulo na primeira semifinal do Campeonato Paulista. O roteiro é conhecido: a partir do segundo semestre do ano passado, o treinador alvinegro, conhecido por respostas ponderadas, teve tal postura em momentos de pressão em meio a resultados ruins.

Dessa vez, a causa da bronca de Carille foi postura do técnico são-paulino Diego Aguirre, que não o cumprimentou antes de a bola rolar no clássico disputado no Morumbi. Em outras ocasiões, também durante coletivas de imprensa, o treinador se irritou após ser questionado por jornalistas.

Desde a queda de rendimento do Corinthians no segundo turno do Campeonato Brasileiro, a partir de agosto do ano passado, isso aconteceu em pelo menos quatro entrevistas concedidas por Carille, numa postura pouco conhecida até então.

Durante o primeiro semestre de 2017, por exemplo, o treinador se manteve sereno na maior parte das coletivas. Nesse período, o Corinthians conquistou o Estadual e liderava com folga o Campeonato Brasileiro, com uma campanha invicta no turno inicial da competição. A única situação adversa se deu na Copa do Brasil, mas Carille se mostrou tranquilo após a queda em Itaquera diante do Inter.

A postura do treinador, inclusive, foi tema de uma reportagem do UOL Esporte, que mostrou a evolução de Carille diante das câmeras. Com o apoio de profissionais, o treinador havia deixado situações adversas dos tempos de auxiliar para agir de forma natural, firme e até bem-humorada.

O primeiro deslize de Carille aconteceu, curiosamente, após uma vitória apertada em Chapecó, logo após o primeiro tropeço do Corinthians no Brasileirão. Indagado sobre o posicionamento de Marquinhos Gabriel e Romero, o treinador respondeu de maneira áspera sobre sua escolha. "Não foi equivocado, foi tudo bem pensado. Posso errar, mas não penso que nem você", respondeu.

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Carille tem adotado postura diferente

Na reta final do campeonato, depois de o Corinthians ser derrotado pela Ponte Preta em Campinas, num jogo que aumentou a série sem vitórias do time, Carille concedeu entrevista no campo do estádio Moisés Lucarelli. Ao responder sobre pressão, o treinador, em tom diferente do habitual, discordou do repórter [relembre aqui].

"Não é nem falar que discordo da sua opinião, é que ela está errada mesmo. Você não pegou a minha coletiva inteira, mas da próxima vez você precisa ver o jogo para fazer perguntas", disse na ocasião.

Em 2018, mais exemplos

Apenas uma semana antes da irritação com Aguirre, Carille entrou em rota de colisão com mais um repórter depois de ser indagado sobre a substituição de Fagner, que deu lugar a Mantuan no segundo tempo da derrota corintiana por 3 a 2 para o Bragantino na partida de ida das quartas de final.

O técnico alvinegro interrompeu o repórter, que perguntou se a alteração era um plano para preparar o reserva para a segunda partida. Carille, então, falou que a imprensa deveria "prestar mais atenção no jogo" e explicou que Fagner havia sentido dores na coxa.

Semanas antes, a falta de paciência pôde ser vista numa coletiva concedida após a derrota para o Santo André na fase de grupos do Estadual. Às vésperas do Carnaval, Carille explicou que a programação de treinos seria mantida mesmo com o revés.

"A gente tem de trabalhar, gente. Essa pergunta é brincadeira. Continua a vida, não é uma derrota que vai acabar tudo, é o início ainda. Estamos liderando nossa chave. Sabemos que precisamos melhorar", afirmou.

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