Time de Londres fica rico mesmo perdendo e revolta torcedores

David Hellier

Da Bloomberg

  • David Klein/Reuters

    Torcedores do West Ham protestam contra diretoria durante jogo contra o Burnley

    Torcedores do West Ham protestam contra diretoria durante jogo contra o Burnley

Arsène Wenger, treinador de longa data do Arsenal, comparou a mudança recente do West Ham United para o antigo estádio olímpico de Londres com "ganhar na loteria", uma vantagem financeira injusta que deixou a equipe próxima da elite da Premier League.

Mas não funcionou bem assim. Com sete jogos pela frente na temporada, os Hammers (ou "Martelos") estão na 17ª posição, a dois pontos de perder o lugar na Premier League. Uma derrota para o Southampton, neste sábado, deixaria o West Ham sob risco de rebaixamento para a segunda divisão do futebol profissional da Inglaterra.

Essa temporada e meia de descontentamento atingiu o ponto de ebulição na última partida, em derrota de 3 a 0 para o Burnley, e os torcedores invadiram o gramado, interrompendo o jogo quatro vezes. Vinte fãs foram banidos por toda a vida pelo clube após as manifestações e outros estão sendo investigados. Não houve casos de interrupções de partidas em 25 anos de história da Premier League, ocorrência que lembra o comportamento ruim muito mais frequente dos torcedores ingleses dos anos 1980 e 1990.

Preocupada, a organizadora da Premier League e do futebol inglês, a Football Association, divulgou comunicados pedindo explicações ao clube. O West Ham, juntamente com a operadora do estádio, planeja aumentar a segurança no próximo jogo.

Casa nova

Os fãs sempre ficam aborrecidos quando a equipe vai mal, como é o caso do West  Ham. Mas o novo e luxuoso estádio - atualmente o segundo maior de Londres - evidencia ainda mais esse descontentamento. A antiga casa do clube, o Upton Park, era um pouco antiquada, mas compacta, sendo assim um dos estádios mais intimidantes da liga para os times e torcedores adversários.

Agora, os torcedores do West  Ham reclamam que o estádio de 57.000 lugares oferece visão ruim e os deixa longe demais do espetáculo, resultado da herança olímpica do estádio e da pista de corrida que separa o campo da arquibancada.

A situação dos donos da equipe, enquanto isso, parece melhor do que nunca. O West  Ham declarou lucro de 43 milhões de libras (US$ 60,2 milhões) na temporada 2016-2017, segundo as contas publicadas pelo clube, contra um prejuízo de 4,9 milhões de libras no ano anterior. Em termos de receita, é agora a oitava melhor equipe da Premier  League, composta por 20 times, e está entre as 20 maiores da Europa, segundo o relatório mais recente da Deloitte Money  League.

Boa parte da melhora resulta do generoso último contrato de transmissão da Premier  League, mas o ganho inesperado é ampliado pelo acordo de compadres para uso da arena. A London  Legacy  Development  Corporation, uma agência pública, é proprietária do estádio e cobre a maior parte dos custos que as equipes geralmente têm de pagar, incluindo manutenção do gramado, segurança e até as bandeirinhas de escanteio.

A vice-presidente do clube, Karren  Brady, vem tentando acalmar os fãs. Em uma coluna de jornal, ela escreveu que o conselho "assume total responsabilidade" pelas dificuldades atuais da equipe. E a perspectiva de rebaixamento -- e a ameaça de mais proibições vitalícias a torcedores -- também pode manter os torcedores esperançosos para a partida de sábado, disse o jornalista esportivo Matthew Jones.

"A maioria dos torcedores apoiará o time e perceberá que a prioridade é não cair", disse. "Mas isso pode mudar se começarmos perdendo de novo por 1 a 0, porque o sangue dos torcedores voltará a ferver".

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