Freguês de brasileiros resgata Kenedy, esperança do Newcastle contra degola

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

  • Reuters

Em dois meses no Newcastle, Kenedy já se destacou mais do que nos dois anos e meio anteriores na Inglaterra, pelo Chelsea e com as cores do Watford. A sequência com Rafa Benítez, inédita desde que desembarcou na Premier League ao deixar o Fluminense por R$ 31 milhões, já transforma o brasileiro em uma das principais esperanças do tradicional clube do país pela sobrevivência na bilionária elite do futebol inglês.

Emprestado pelos Blues até o fim da temporada, Kenedy entrou no time do Newcastle no fim de janeiro e não saiu mais. Embalou seis partidas como titular no campeonato e, com dois gols e uma assistência, caiu rapidamente nas graças da apaixonada e sofrida torcida dos Magpies, que não conquistam um título relevante há mais de 60 anos – desde a Copa da Inglaterra de 1955. A última consagração no campeonato nacional é ainda mais antiga, do período entreguerras, em 1927.

"Essa nova fase com a camisa do Newcastle me deixa muito feliz", admite UOL Esporte o jovem de 22 anos, com apenas 28 partidas e três gols pelo Chelsea. "É bem difícil para um jogador ficar muito tempo sem atuar, ainda mais para voltar no ritmo da Premier League", avalia. A injeção de energia na equipe, posicionado aberto pela ponta esquerda, anima o clube a negociar com uma transferência definitiva com a agremiação londrina. Na capital, onde acumulou no máximo cinco partidas como titular, ele não convenceu José Mourinho, Guus Hiddink e mais recentemente Antonio Conte, cuja permanência em Stamford Bridge para a próxima campanha se apresenta como improvável pelos desgastes com a diretoria.

"Se for bom para todos, seria um prazer continuar vestindo a camisa desta equipe tão grande", afirma o autor de dois gols no último jogo, na vitória por 3 a 0 sobre o Southampton, concorrente direto contra a degola, no St James' Park.

A casa do time alvinegro, por sua vez, foi a primeira a receber o futebol de um brasileiro na Primeira Divisão inglesa. O ex-atacante Mirandinha se tornou uma figura cult na cidade ao atuar entre 1987 e 1989, na era pré-Premier League. "Não tive a oportunidade de vê-lo jogar, mas as histórias que ouvi sobre ele é de que ele foi um grande jogador. Se ele ficou marcado no Newcastle, vou lutar para ser outro brasileiro a ter o nome lembrado também".

Outra conexão com o Brasil, mesmo que indireta, existe na comissão técnica. O espanhol Rafa Benítez era treinador do Chelsea e do Liverpool em 2012 e 2005, respectivamente, quando Corinthians e São Paulo se consagraram como campeões mundiais. O assunto, no entanto, ainda não surgiu com o novo comandante, que pega no pé do novo pupilo por outro motivo.

"Ele insiste para eu aprender a falar inglês. Age comigo como um paizão, e aprendo muito com ele", conta o mineiro de Santa Rita do Sapucaí.

Após a pausa para os amistosos internacionais, a Premier League volta neste fim de semana. O Newcastle recebe no sábado (31) o Huddersfield, outro concorrente direto contra a degola. Separados por um ponto na tabela de classificação (32 a 31 para o time do brasileiro), eles tentam ampliar a vantagem para o Southampton, primeiro da zona de rebaixamento, com 28 pontos.

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