Bahia aprova programa para ajudar ídolos em dificuldade financeira extrema

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

  • Felipe Oliveira / EC Bahia

    Projeto foi uma das promessas de campanha do presidente Guilherme Bellintani

    Projeto foi uma das promessas de campanha do presidente Guilherme Bellintani

Os ídolos do Bahia que passam por graves problemas financeiros poderão, a partir de agora, receber uma ajuda do próprio clube. Na última semana, o Conselho Deliberativo tricolor aprovou por unanimidade o programa chamado "Dignidade ao Ídolo", que consiste em oferecer auxílio – de até três salários mínimos por mês – a ex-jogadores em dificuldade extrema.

"Eu não tenho nenhuma notícia de outro clube que fez isso. Provavelmente nós somos o primeiro", iniciou o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, para depois explicar ao UOL Esporte, nos mínimos detalhes, como que funcionará o programa que foi uma de suas promessas em sua campanha eleitoral – ele está na função desde o início deste ano.

"O que o Bahia está promovendo agora é uma política institucionalizada de auxílio aos ídolos que tenham dificuldade financeira extrema. Muitas delas relacionadas a limitações recorrentes de problemas de saúde e da própria velhice. É quase sempre assim. A pessoa não consegue trabalhar, está impossibilitada, ou já está numa idade muito avançada", conta.

Duas avaliações definirão auxílio

O benefício para cada ex-jogador dependerá de uma aprovação do Conselho Deliberativo do Bahia, que avaliará dois itens em questão: a sua condição de ídolo do clube e a sua real necessidade financeira. "Tem duas variáveis subjetivas que estarão sob análise", diz.

Caracterizado como ídolo, cabe ao Bahia uma ajuda financeira? A gente tem que atestar a situação extrema, não desconfortável"

"A primeira delas é a condição de ídolo. Quem é ídolo do Bahia? Ele tem que ser caracterizado como ídolo. E a segunda: caracterizado como ídolo, cabe ao Bahia, naquele fato, uma ajuda financeira? Porque a gente tem que atestar a situação extrema, não desconfortável. Essas duas análises serão feitas pelas comissões do Conselho Deliberativo. Usamos a expressão extrema porque não é qualquer dificuldade. Vai ser analisado caso a caso", esclarece.

"É bom lembrar que os ídolos que hoje estão envelhecendo jogavam em uma época em que os jogadores não tinham planeamento financeiro nenhum, não ganhavam bem e não puderam se estruturar. Inclusive tinham um nível educacional muito menor. Não se prepararam para o pós carreira esportiva. É um problema bem razoável", acrescenta o presidente tricolor.

Maílson: Inspiração para projeto

Ídolo tricolor dos anos 90, o ex-lateral direito Maílson, que defendeu o Bahia entre 1988 e 1995, tem grandes chances de ser o primeiro ex-jogador a receber ajuda do clube. Em 2010, ele foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em 2010, doença que limita os movimentos das mãos e pernas, além de atrapalhar a fala. De acordo com Guilherme Bellintani, Maílson foi inclusive o jogador que serviu como inspiração para o projeto.

"Ele não foi um cara de grandes títulos, não marcou sua passagem pelo clube por ser um cara que triunfou tanto, mas foi um jogador que era a cara da torcida do Bahia: raçudo, dedicado, jogava bonito, era um cara para frente, jogava do jeito que a torcida gostava e foi um dos mais marcantes na história do clube. E hoje ele tem uma esclerose degenerativa, precisa de muitos remédios, de cuidadores, e é uma das pessoas que talvez tenham inspirado o projeto", disse.

Dá para dizer que o Maílson foi a fonte de inspiração do projeto"

"É um caso muito específico. Ele tem a condição de ídolo pelo vínculo dele com a torcida. Não propriamente foi um vitorioso. Ídolo envolve identificação, tempo de clube, ter sido ídolo no rival pode atrapalhar um pouco... Tem isso tudo", explica Bellintani. "Dá para dizer que ele foi a fonte de inspiração do projeto. Possível que ele seja o primeiro", acrescenta.

Promessa é dívida

Presente na campanha eleitoral do presidente Guilherme Bellintani, o programa "Dignidade ao Ídolo" pode sair do papel depois da sugestão do próprio ídolo ou de algum torcedor, desde que haja aceitação por parte do ex-jogador e da família. Caso seja aprovado, ele terá uma ajuda de até três salários mínimos mensais.

"A própria pessoa pode sugerir, ou algum torcedor, desde que com aceitação do ídolo e da família. O Bahia analisa, aprova e essa contribuição vai até três salários mínimos por mês. Foi um compromisso de campanha nosso, e agora a gente cumpre. Na nossa campanha nós falamos disso e aplaudiam muito", completa.

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