Casamento e calendário tiram técnico de partida que eliminou seu time no AM

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

  • Juka Balla/Divulgação

    Zé Carlos Pereira chegou ao Penarol com o acordo de viajar no dia 31 para o casamento da filha; mudança de datas do Amazonense em função da Copa Verde criou problema

    Zé Carlos Pereira chegou ao Penarol com o acordo de viajar no dia 31 para o casamento da filha; mudança de datas do Amazonense em função da Copa Verde criou problema

O Penarol foi eliminado do Campeonato Amazonense de 2018 de uma maneira incomum. Jogando sem seu técnico, Zé Carlos Pereira, a equipe foi derrotada pelo Manaus por 3 a 0 no sábado, em jogo na Arena da Amazônia pelas semifinais do segundo turno da competição. Como foi vice-campeão do primeiro turno, deu adeus às chances de título.

O lado exótico da partida fica justamente pela ausência de Zé Carlos Pereira na partida. O motivo: o casamento de sua filha no Pará, marcado justamente para o sábado, 31 de março.

O treinador assumiu a equipe de Itacoatiara no dia 4 de março, substituindo Carlos Tozzi. Ao chegar, porém, já havia deixado combinado com a diretoria a viagem ao Pará para o casamento de sua filha. A diretoria aceitou, uma vez que o jogo das semifinais aconteceria originalmente na quarta-feira, dia 28 de março.

No entanto, o avanço do Manaus às semifinais da Copa Verde acabou criando um problema para a Federação Amazonense de Futebol (FAF). Como o time jogou fora de casa contra o Paysandu na terça (27), a FAF se viu obrigada a remarcar a partida para o sábado, dia 31. A alteração foi anunciada no dia 20 de março, em comunicado da entidade.

"Eu olhei a tabela e não ia coincidir. Só que mexeram na tabela", afirmou Ila Rabelo, presidente do Penarol, ao UOL Esporte. "Eu não podia deixar ele sem ir ao casamento da filha dele. O problema é que mexeram na tabela", acrescentou.

Reprodução
Em 20 de março, Federação Amazonense comunicou mudança de data Manaus x Penarol

Diante da mudança, a diretoria do Penarol tentou remarcar o jogo para domingo, de forma que Zé Carlos Pereira conseguisse voltar às pressas para o Amazonas – sem sucesso.

Ainda assim, o técnico fez questão de conduzir seu trabalho normalmente durante a semana, inclusive conversando com os jogadores no sábado de manhã antes de viajar. Em campo, a equipe foi comandada pelo auxiliar técnico Wesley Geraldo e pelo preparador físico Ediney Francisco.

"Já estava previsto (o casamento) bem antes do contrato com o Penarol. Apenas coincidiu de o jogo ser no dia 31. Não tem pai que deixaria de acompanhar sua filha na igreja por causa de futebol, não é? Mas, durante a semana, fizemos o que teve que ser feito", assegurou o próprio Zé Carlos por telefone à reportagem. "Tudo que eu poderia fazer para que o Penarol pudesse sair vencedor foi feito durante a semana", completou.

FAF/Divulgação
Sem Zé Carlos Pereira, Penarol perdeu do Manaus e foi eliminado no Amazonense

Sem vaga nas finais do Campeonato Amazonense e sem a classificação para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2018, o Penarol só volta às atividades agora em 2019. Por enquanto, o treinador não sabe seu destino.

"Não sei se vão querer que eu volte em janeiro. Ficou um clima ruim com a torcida, mas muita gente entendeu. Minha participação foi nenhuma na derrota. Deixei para viajar no dia do jogo", afirmou o treinador, rebatendo as críticas recebidas por uma parte dos torcedores penarolistas. "Querem arrumar uma desculpa para a derrota pela minha ausência em campo", desabafou.

Em conversa com a reportagem, o técnico disse não ter sido oficialmente comunicado do fim dos compromissos. A diretoria, por sua vez, não conta com mais com o atual grupo.

"Ele não foi demitido. Se tivéssemos ganho o jogo, ele retornaria no outro dia para dar continuidade à frente da equipe", explica José Ben-Hur Miranda, diretor do Penarol – que, por sua vez, encerrou o compromisso com jogadores e treinador. "Infelizmente, fomos eliminados do campeonato. Todo o elenco e a comissão técnica foram dispensados."

O presidente Ila Rabelo, por sua vez, já usa verbos no pretérito para avaliar a passagem do técnico. "Foi regular. Ele pegou um time já abatido com a derrota em casa (para o Fast, nos pênaltis, na final do primeiro turno do Amazonense), meio cabisbaixo. Foi um trabalho muito rápido", analisou.

A final do segundo turno do Amazonense, entre Princesa do Solimões e Manaus, acontece nesta quarta-feira (4). Já a final do campeonato acontece no sábado (7), entre o Fast (vencedor do primeiro turno) e o campeão do segundo turno.

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