Pedido de revisão de estatuto no SP põe vice de Leco e opositor lado a lado

Bruno Grossi e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Marcello Zambrana/AGIF

    Leco sofre reclamações por ter colocado conselheiros em cargos remunerados

    Leco sofre reclamações por ter colocado conselheiros em cargos remunerados

Na noite da última segunda-feira, por volta das 19h, o conselho deliberativo do São Paulo recebeu um documento com 109 assinaturas que pede a revisão do estatuto do clube. O requerimento fala em uma reunião extraordinária no órgão para discutir, principalmente, a presença de conselheiros em cargos remunerados da diretoria.

Essa é uma reclamação constante desde que o novo estatuto passou a vigorar e que o corpo diretivo foi nomeado em abril do ano passado com a reeleição de Carlos Augusto de Barros e Silva. Mas a novidade nesse movimento está na aliança formada para que esse pedido fosse protocolado: Roberto Natel, vice-presidente de Leco, e Newton Ferreira, opositor mais ferrenho do atual mandatário tricolor. 

Os dois reuniram assinaturas de suas bases políticas para conseguir solicitar a reunião no conselho deliberativo, em ação admitida por Natel. O vice, no entanto, nega que tenha se tornado um opositor e que apenas está "em busca do que acha justo". O presidente do conselho, Marcelo Pupo, confirma que a dupla levou a documentação necessária na noite de segunda, mas até a manhã desta terça ainda não tinha analisado o conteúdo do material.

"É natural que o estatuto esteja sempre em discussão para ser melhorado. E já até fizemos uma reunião do conselho para isso em fevereiro. A ideia era que o encontro deste mês também servisse para novas sugestões e debates. Os dois, neste caso, falam mais especificamente sobre os conselheiros remunerados, mas espero que outras observações e sugestões sejam feitas. Vamos analisar se é necessária uma reunião extraordinária. Esses temas precisam ser discutidos sempre", disse Pupo, ao UOL Esporte.

Os conselheiros remunerados na diretoria estão nas pastas de administração (Rodrigo Gaspar), financeira (Elias Albarello), infraestrutura (Eduardo Rebouças) e jurídica (Leonardo Serafim). Todos precisaram abrir mão das cadeiras no conselho deliberativo, única restrição imposta pelo novo estatuto. As reclamações se baseiam no discurso de profissionalização pregado pela reforma estatutária aprovada no fim de 2016, quando os cargos executivos deveriam estar nas mãos de "profissionais, contratados no mercado, que tenham notório conhecimento em suas áreas de atuação, remunerados, com dedicação exclusiva ao clube".

A atual gestão argumenta que os quatro conselheiros que hoje trabalham como executivos têm históricos profissionais atrelados às áreas em que estão inseridos. Elias Albarello, por exemplo, tem o trabalho na recuperação financeira do São Paulo elogiado. O desempenho de Rodrigo Gaspar na área administrativa também tem sido destacado internamente, por conseguir aplicar medidas que otimizaram serviços burocráticos e tornaram mais transparentes os contratos mantidos pelo Tricolor. Serafim, no próprio Tricolor, esteve anos justamente cuidando do setor jurídico e tem larga experiência na área.

Outro argumento apresentado pela situação fala sobre como seria difícil, de maneira drástica, passar diretorias importantes do clube para profissionais de fora. Colocar antigos conselheiros em cargos executivos seria uma forma de tornar a transição menos violenta. A promessa, porém, é que a presença desses conselheiros diminuirá com o passar do tempo, conforme todo o sistema de gestão do São Paulo estiver mais adequado à profissionalização.

As diretorias de comunicação, estádio, marketing e futebol hoje contam com profissionais especialistas em suas áreas que foram buscados no mercado: Guilherme Palenzuela, Rafael Palma, Luiz Fiorese e Raí, respectivamente. O estatuto fala que a diretoria pode ter de três a nove executivos remunerados. Hoje, o Tricolor conta com oito no total: quatro do mercado e quatro ex-conselheiros.

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