Cruzeirense vira meme após revés, sofre ameaças e tem medo de sair de casa

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

Terço azul nas mãos e o rosto pintado da mesma cor. Até o último domingo (1º), era assim que Rafael Padovani assistia aos jogos do Cruzeiro nas arquibancadas de Mineirão e Independência. Hoje, após virar meme por conta do revés por 3 a 1 para o arquirrival Atlético-MG, ele não pensa nem em sair de casa. Voltar ao estádio, então, é algo bem distante.

Bastou se tornar piada dos rivais nas redes sociais que a vida de Rafael mudou. Não por conta do deboche vindo dos atleticanos, mas, sim, pelo desencadeamento do fato. Ameaças por parte dos próprios cruzeirenses viraram rotina nos últimos dias. Ele teve até que registrar um boletim de ocorrência por causa das ameaças.

"Depois do jogo, depois que a TV colocou minhas imagens no ar, meu telefone não parou. Recebi mensagem o tempo todo de amigos preocupados comigo. Tinha um monte de gente no Facebook me ameaçando e dizendo que iria me pegar no Mineirão", contou Rafael ao UOL Esporte.

"De lá para cá, minha vida deu uma reviravolta absurda. Tenho uma filha de oito meses, esposa, irmãos... E está todo mundo preocupado comigo e minha família", acrescentou.

Reprodução Internet
Rafael Padovani vira meme por revés do Cruzeiro

Mas o que fez Rafael se tornar alvo da própria torcida? Nem ele sabe o motivo. No entanto, crê que é devido à raiva pelo revés para o maior oponente na partida de ida da final do Campeonato Mineiro.

"Acho que por causa de um resultado, queriam pegar um para Cristo e jogaram toda a culpa em cima de mim", declarou.

Pai de uma garota de oito meses, Rafael tem receio até de sair de casa. O medo fez com que ele tenha se ausentado até do trabalho. O cruzeirense pediu ao chefe para faltar o serviço nesta quarta-feira (4) para ficar ao lado da família e recebeu a autorização imediatamente.

"Eu estou com medo de sair de casa e não vou ao jogo hoje [contra o Vasco] e nem no domingo. O meu coração está pedindo para não ir. Eu não fui trabalhar hoje, que seria meu plantão. Meu último plantão foi na segunda-feira. Depois do jogo, trabalhei normalmente, mas as ameaças começaram no final do dia para a terça-feira", disse Rafael.

"Eu só não ia aos jogos em caso de extrema urgência. Minha filha passando mal ou meus pais precisando de mim. Mas agora fica difícil ir ao estádio", completou.

Todas as ameaças levaram Rafael à delegacia de crimes cibernéticos, no bairro Santa Mônica, zona norte de Belo Horizonte, para registrar ocorrência. Mas o que parecia a solução dos problemas acabou gerando mais um.

Ao chegar ao local, ele registrou a ocorrência e até tirou foto com um agente da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, o qual se dizia cruzeirense. Mas a imagem do torcedor novamente viralizou.

"Eu fiz o boletim de ocorrência e fui muito bem tratado pela PM. E no dia seguinte ao Boletim de Ocorrência, vazou o Boletim de Ocorrência, vazou a foto com o policial que me disse ser cruzeirense. Eu achei que estava resolvendo o problema e aí surge mais essa foto. O pessoal aproveitou que vazou a minha foto e falou que eu queria aparecer", afirmou.

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