Os planos de Felipão: assumir um projeto na Europa ou retornar à Ásia

Marcus Alves

Colaboração para o UOL Esporte, de Lisboa (POR)

  • Juca Varella/Folha Imagem

Sem clube desde que deixou o Guanghzou Evergrande, da China, ao fim de seu contrato em novembro, o técnico Luiz Felipe Scolari pretende definir o seu futuro em breve e tem aproveitado as últimas semanas para se reunir com empresários e dar palestras pela Europa.

Entre as ofertas que recebeu e se encontram na mesa, existe a possibilidade dele voltar ao Velho Continente. A princípio, ele não abre os detalhes, mas o projeto seria para reconduzir um tradicional clube que enfrenta dificuldades e deve ser rebaixado. O Deportivo La Coruña, da Espanha, tem interesse em seu nome para o lugar do holandês Clarence Seedorf, ex-Botafogo. Outras possibilidades surgem da China, dos Emirados Árabes Unidos e do próprio Brasil.

Ainda não houve qualquer convite formal, mas a hipótese de trabalhar no Flamengo o agrada. Ele recusou antes proposta do Atlético-MG.

Em passagem recente por Lisboa para um congresso organizado pelo Sporting, de Portugal, Felipão se reuniu com um intermediário chinês e ficou satisfeito com o que ouviu. Ele deixou o país reverenciado pelos torcedores após se sagrar tricampeão nacional com o Guanghzou e tem portas abertas para retornar.

O pentacampeão mundial também se encontrou em Portugal com emissários árabes, porém, essa alternativa não o seduz da mesma forma.

Ainda sem bater o martelo em torno de seu destino, Felipão viaja para participar de um evento nesta quinta-feira, 5, em Bilbao, ao lado dos treinadores Julen Lopetegui, da Espanha, Roberto Martínez, da Bélgica, e do ex-volante Xabi Alonso, que atuou por Liverpool, Real Madrid e Bayern de Munique. Ele fará parte de uma mesa redonda sobre como é ganhar uma Copa do Mundo.

Em seguida, o comandante de 69 anos volta mais uma vez a Lisboa para o batizado de seu neto no dia 7.

10 mil pessoas o receberam após o 7 a 1

Desde que retomou as palestras, Luiz Felipe Scolari não foge de assuntos mais controversos como a goleada de 7 a 1 sofrida para a Alemanha, na semifinal do último Mundial, em Belo Horizonte. O técnico aborda o tema com tranquilidade e deixa claro que não se abateu pela tragédia que foi aquela partida, retomando o trabalho pouco tempo depois no Grêmio.

Em uma mesa de debate sobre estratégia de interação com torcedores, ele recordou o episódio no fim de março, em Portugal.

"Vai dizer que é difícil, é fácil seleção brasileira? É fácil a gente ter identificação, 99% do torcedor brasileiro é torcedor da nossa seleção, então, um ou outro que é um pouco (franze o rosto), pode não aceitar. É fácil também dirigir jogadores com esse currículo? (balança a cabeça) É fácil. O difícil é dirigir quem não joga nada e pensa que joga (provoca risos). Esses aqui jogam, sabem, são bons (aponta para o slide de 2002), então, a gente tem que às vezes engolir algumas coisas, mas engole do bom. Do ruim, é brabo", afirmou.

"Então, o que é que podemos mostrar? Podemos mostrar que essa integração existe em todos os sentidos (salta para slide da chegada ao Grêmio em 2014) e o mais difícil, gente, como técnico de futebol é ser reconhecido quando a situação não é boa", prosseguiu.

"Fui recebido em 2014, após ser derrotado no Mundial pela Alemanha por 7 a 1 (fala devagar, quase soletrando), pelo meu time, o Grêmio, de Porto Alegre, 15 dias depois da derrota, por 10 mil pessoas no estádio. Quer dizer, isso tudo porque sabiam que o meu coração é gremista, porque tinha respeito, identificação e sabia a cultura do Grêmio", completou.

Felipão deve seguir na Europa até pelo menos a metade de abril.

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