Após 12º título, mentor de Cássio conta como parou o Palmeiras nos pênaltis

Dassler Marques e Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

    Mauri orienta Cássio em treino do Corinthians: mais um título alvinegro da dupla

    Mauri orienta Cássio em treino do Corinthians: mais um título alvinegro da dupla

A distância e o momento tenso não minaram o entrosamento entre Cássio e o preparador de goleiros Mauri. No último domingo, o trabalho desempenhado pelos dois em campo foi fundamental para o Corinthians conquistar o 29º título estadual ao clube, depois de vencer o Palmeiras nos pênaltis por 4 a 3 em pleno estádio rival.

O goleiro Cássio saiu como herói da decisão ao defender os chutes de Dudu e Lucas Lima na série de penalidades máximas. Já Mauri, mentor dos goleiros corintianos há exatos dez anos, ratificou a condição de papa-títulos - desde que chegou ao clube, no começo de 2008, já são 12 taças acumuladas (oito com Cássio).

Para fazer o tão sonhado título virar realidade, Mauri e Cássio colocaram em prática um plano iniciado no Cifut (Centro de Inteligência do Futebol do Corinthians), que disponibiliza em todos os jogos do time alvinegro uma relação com três jogadores e suas características nos chutes em pênaltis.

Contra o Palmeiras, a lista foi maior devido à grande possibilidade de o título ser decidido nos pênaltis. As informações, inclusive, foram além do lado preferido dos batedores. Elas traziam também detalhes de batida na bola e a distância tomada pelos atletas.

Em entrevista ao UOL Esporte, Mauri Lima contou detalhes do trabalho realizado no gramado do Allianz Parque, diante de mais de 40 mil palmeirenses nas arquibancadas.

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Mauri está no Corinthians desde 2008

Informações certeiras

Mauri, flagrado em imagens da TV com papéis na mão, a chamada 'cola', disse que Cássio recebeu indicações certeiras justamente nas cobranças de Dudu e Lucas Lima, que mantiveram a estratégia de bater cruzado.

"Nós estudamos bastante. Eu falei para ele que os dois batiam forte. Falei que quando ele saísse para o lado, a velocidade tinha de ser grande, com o braço estendido, para chegar na bola. Ele fez tudo dentro do padrão. A coisa mais difícil para um goleiro alto é a bola rasteira e forte. Ele atingiu muita velocidade e teve flexibilidade. Foi fundamental", contou o preparador de goleiros alvinegro.

Após um breve bate-papo antes do início da decisão dos pênaltis, a dupla tinha outro desafio: passar e receber as informações de modo que nenhum palmeirense notasse. "Ele me olhava e eu fazia o aceno. Com o braço curtinho, para não mostrar nada", explicou Mauri.

Houve, porém, um momento de hesitação entre os dois, justamente no pênalti em que o Corinthians não tinha as informações à disposição no banco de reservas.

"Da lista deles, o único que não tínhamos era o Marcos Rocha, porque ele não bate. Ficamos na dúvida. Não deu certo, o Cássio também não olhou na hora. Tinha muita gente na frente. Ele me falou depois: 'e aí?'. Eu falei: 'você não olhou'", relembrou Mauri de forma descontraída.

O preparador de goleiros alertou para outros dois pontos importantes na disputa: a força mental de Cássio e a postura de esperar o chute até o limite para tentar confundir os batedores do Palmeiras.

"A decisão dele ali, de acreditar, de induzir às vezes o cara a tomar uma decisão a favor dele, para ele fazer uma defesa", disse Mauri, que pelo Corinthians ganhou quatro estaduais, três brasileiros, uma Copa do Brasil, um Mundial, uma Libertadores e uma Recopa, além da Série B 2008.

Título já ficou no passado

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Cássio faz a defesa em chute de Lucas Lima: estudo da cobrança ajudou o goleiro

Três dias depois de mais um título conquistado no Corinthians, Mauri e os quatro goleiros corintianos - Cássio, Walter, Caique e Filipe - reiniciaram os trabalhos no CT Joaquim Grava como se fosse um dia normal.

Mauri contou que antes de iniciar a atividade da manhã da última quarta-feira, ele reuniu o quarteto no campo para passar uma mensagem ligada à continuidade do trabalho.

"Passou, a comemoração passou, agora o bicho vai pegar de novo e tem de estar pronto. A coisa mais fácil é chegar num padrão, o mais difícil é manter. É preciso acreditar e não ficar acomodado com aquilo que já ganhou. Os títulos nunca são iguais.", afirmou.

O papa-títulos do Corinthians, inclusive, já faz planos para idealizar mais atividades. A intenção é levar mais dificuldades para Cássio e companhia, a fim de manter o time corintiano na rota de vitórias encontrada há uma década.

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