Com impugnação distante, Palmeiras deve saber resultado de inquérito na 2ª

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • THIAGO BERNARDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

    Inquérito no TJD busca apurar se houve interferência externa na final

    Inquérito no TJD busca apurar se houve interferência externa na final

Após oito horas de colheita de depoimentos na sede do Tribunal de Justiça Desportiva na última terça-feira, o Palmeiras deve viver mais seis dias de expectativa até conhecer o resultado do inquérito que apura se houve interferência externa na arbitragem durante a final do Campeonato Paulista, vencida nos pênaltis pelo Corinthians em 8 de abril. A tendência é que o relatório final seja apresentado na próxima segunda-feira (23).

A partir da análise do relatório, que será apresentado pelo auditor Marcelo Monteiro, a procuradora Priscila Carneiro de Oliveira deverá decidir se oferece uma denúncia – o que pode, em último caso, resultar até na impugnação da final do Paulistão – ou se encerra o caso. A possibilidade de impugnação, no momento, é vista como "distante" nos bastidores.

O prazo para a apresentação do relatório poderia ser ainda maior caso Monteiro, que comandou os depoimentos das testemunhas na terça, não tivesse indeferido um pedido do Palmeiras no fim da sessão. A fim de obter mais material que provasse a suposta interferência externa, o clube solicitou que o TJD intimasse emissoras de televisão a fornecerem vídeos com novos ângulos e imagens da partida, citando que o inquérito poderia ser prorrogado por até 15 dias.

Com o argumento de que dificilmente um fato novo surgiria dessas imagens, o auditor negou, dizendo que a velocidade na apuração dos fatos era um dos objetivos do inquérito. Em vez disso, tanto a defesa do Palmeiras como a da Federação Paulista de Futebol terão até as 12h desta quinta-feira (19) para apresentar novos vídeos que queiram anexar aos autos.

Durante a longa sessão de depoimentos, a defesa alviverde focou principalmente na presença do diretor de arbitragem da FPF, Dionísio Domingos, no campo de jogo, e na interação do delegado da partida, Agnaldo Vieira, com o quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda. Ambos negaram qualquer interferência sobre a decisão da arbitragem de voltar atrás em um pênalti assinalado sobre Dudu – após oito minutos de confusão no gramado, o juiz Marcelo Aparecido mudou sua marcação para escanteio.

A justificativa de Dionísio para estar em campo foi que, naquela partida, ele estava escalado também como tutor de arbitragem, função que permite que ele fique à beira do gramado ao lado do delegado. Ao contrário da CBF, que divulga os tutores (chamados pela confederação de inspetores) na escala de arbitragem prévia às partidas, a FPF não disponibiliza publicamente antes dos jogos quem são as pessoas que ocuparão essa função.

Dionísio, Agnaldo e os cinco membros da equipe de arbitragem ouvidos pelo TJD negaram que tenha havido qualquer interferência externa na decisão de Marcelo Aparecido. O árbitro sustentou que mudou sua decisão unicamente após ouvir o quarto árbitro, que teria uma visão melhor da jogada e, segundo ele, desde o início estava convicto de que o pênalti não havia existido. A demora entre a marcação inicial e a mudança de decisão foi explicada pela dificuldade de comunicação entre Marcelo e Adriano, devido ao barulho do estádio e à aglomeração de jogadores em volta de ambos.

O único momento de contradição aconteceu no depoimento do quarto árbitro. Adriano de Assis Miranda disse que Dionísio não estava escalado como tutor da partida e não orientou a equipe de arbitragem antes do jogo. Todas as outras testemunhas ouvidas afirmaram o contrário – que Dionísio era tutor ao lado de José Henrique de Carvalho. O diretor de arbitragem disse que a situação excepcional de ter dois tutores em um só jogo se explicava pela importância da final.

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