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Com impugnação distante, Palmeiras deve saber resultado de inquérito na 2ª

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Inquérito no TJD busca apurar se houve interferência externa na final Imagem: THIAGO BERNARDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

2018-04-18T04:00:00

18/04/2018 04h00

Após oito horas de colheita de depoimentos na sede do Tribunal de Justiça Desportiva na última terça-feira, o Palmeiras deve viver mais seis dias de expectativa até conhecer o resultado do inquérito que apura se houve interferência externa na arbitragem durante a final do Campeonato Paulista, vencida nos pênaltis pelo Corinthians em 8 de abril. A tendência é que o relatório final seja apresentado na próxima segunda-feira (23).

A partir da análise do relatório, que será apresentado pelo auditor Marcelo Monteiro, a procuradora Priscila Carneiro de Oliveira deverá decidir se oferece uma denúncia – o que pode, em último caso, resultar até na impugnação da final do Paulistão – ou se encerra o caso. A possibilidade de impugnação, no momento, é vista como "distante" nos bastidores.

O prazo para a apresentação do relatório poderia ser ainda maior caso Monteiro, que comandou os depoimentos das testemunhas na terça, não tivesse indeferido um pedido do Palmeiras no fim da sessão. A fim de obter mais material que provasse a suposta interferência externa, o clube solicitou que o TJD intimasse emissoras de televisão a fornecerem vídeos com novos ângulos e imagens da partida, citando que o inquérito poderia ser prorrogado por até 15 dias.

Com o argumento de que dificilmente um fato novo surgiria dessas imagens, o auditor negou, dizendo que a velocidade na apuração dos fatos era um dos objetivos do inquérito. Em vez disso, tanto a defesa do Palmeiras como a da Federação Paulista de Futebol terão até as 12h desta quinta-feira (19) para apresentar novos vídeos que queiram anexar aos autos.

Durante a longa sessão de depoimentos, a defesa alviverde focou principalmente na presença do diretor de arbitragem da FPF, Dionísio Domingos, no campo de jogo, e na interação do delegado da partida, Agnaldo Vieira, com o quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda. Ambos negaram qualquer interferência sobre a decisão da arbitragem de voltar atrás em um pênalti assinalado sobre Dudu – após oito minutos de confusão no gramado, o juiz Marcelo Aparecido mudou sua marcação para escanteio.

A justificativa de Dionísio para estar em campo foi que, naquela partida, ele estava escalado também como tutor de arbitragem, função que permite que ele fique à beira do gramado ao lado do delegado. Ao contrário da CBF, que divulga os tutores (chamados pela confederação de inspetores) na escala de arbitragem prévia às partidas, a FPF não disponibiliza publicamente antes dos jogos quem são as pessoas que ocuparão essa função.

Dionísio, Agnaldo e os cinco membros da equipe de arbitragem ouvidos pelo TJD negaram que tenha havido qualquer interferência externa na decisão de Marcelo Aparecido. O árbitro sustentou que mudou sua decisão unicamente após ouvir o quarto árbitro, que teria uma visão melhor da jogada e, segundo ele, desde o início estava convicto de que o pênalti não havia existido. A demora entre a marcação inicial e a mudança de decisão foi explicada pela dificuldade de comunicação entre Marcelo e Adriano, devido ao barulho do estádio e à aglomeração de jogadores em volta de ambos.

O único momento de contradição aconteceu no depoimento do quarto árbitro. Adriano de Assis Miranda disse que Dionísio não estava escalado como tutor da partida e não orientou a equipe de arbitragem antes do jogo. Todas as outras testemunhas ouvidas afirmaram o contrário – que Dionísio era tutor ao lado de José Henrique de Carvalho. O diretor de arbitragem disse que a situação excepcional de ter dois tutores em um só jogo se explicava pela importância da final.

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