Marcelo Teixeira pede cautela com acusação de abuso na base santista

DO UOL, em São Paulo

  • Flavio Florido/UOL

Atual presidente do Conselho Deliberativo do Santos, Marcelo Teixeira pediu, em entrevista à "ESPN Brasil", cautela em relação à acusação de abuso sexual envolvendo o coordenador das categorias de base do clube, Ricardo Marco Crivelli, o Lica, em 2010. A denúncia, feita por Ruan Pétrick, hoje com 19 anos, está entregue à 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, que fica na sede do DHPP, no centro de São Paulo.

"Nós temos que ter muito cuidado até apurarmos os fatos. Fui procurado por alguns conselheiros para tratar sobre o caso e trouxemos o garoto aqui", explicou o dirigente. 

Apesar de admitir a gravidade da situação, que culminou no afastamento de Crivelli, Teixeira ressalta que "tudo será devidamente apurado".

Sobre o distanciamento de Lica, o presidente não deu grandes detalhes. "O Comitê Gestor optou pelo afastamento do dirigente até a apuração. Também está oferecendo o suporte ao menino".

Teixeira, por fim, reiterou que o caso é grave. "Isso não é admissível. Temos que educar as pessoas. Os atletas podem ser que não viguem, mas é necessário educar estes jovens. Qualquer tipo de assédio, pedofilia é inadmissível. Este caso deve ser muito apurado rigorosamente".

Por fim, Marcelo foi questionado sobre um possível retorno de Paulo Henrique Ganso à Vila Belmiro. Sem confirmar se há conversa com o jogador, o dirigente acredita que seria um bom reforço, além de um bom negócio para o Peixe e o Sevilla. "Se for possível esta vinda, acho que seria bom para os dois clubes. Acho que o Ganso cairia como uma luva no Santos".

Entenda o caso

Ruan Pétrick alega ter sido abusado em 2010, quando almejava uma vaga na base do Santos. Na noite do suposto abuso, teria dormido na casa de Luciano Pereira, o Belém, um antigo amigo de seu pai, Régis, e responsável por apresentar Lica ao garoto. Nesta casa, o hoje coordenador e antes olheiro do Peixe teria acariciado as partes íntimas de Ruan e lhe feito sexo oral. Dias depois, o garoto teria conseguido a vaga no clube.

Antes de chegar à casa de Belém, porém, Ruan, segundo consta no Boletim de Ocorrência, teria passado alguns dias em dormitório em São Paulo. Vindo do Pará, o garoto de 11 anos foi recebido por Ronildo Borges de Souza, que hoje cumpre pena de oito anos em regime fechado por cárcere privado de menores. Ali, teria acontecido o primeiro abuso. Não de Lica. Mas de Ronildo.

Quando Ruan foi liberado da casa de Ronildo, pediu ajuda a seu pai, Régis, sem lhe contar que havia sido molestado. Régis acionou Belém, um antigo amigo. Então, o garoto de apenas 11 anos foi parar na casa de Belém.

Régis, pai de Ruan, só ficou sabendo dos supostos abusos, tanto de Lica, quanto de Ronildo, na semana passada, após depoimento de seu filho à Polícia. O caso veio à tona depois de Ruan, que nunca conseguiu se firmar como jogador de futebol, ter tentado fazer novo teste no Santos e ter tomado conhecimento da presença de Lica no clube.

"Meu filho desistiu de fazer o teste e tentar entrar no Santos quando soube que era Lica quem ainda estava no clube. Eu comecei a achar estranho, fui me encontrar com ele e aí ele me contou toda a história. É muito triste, me sinto perturbado. Não quero que ninguém tenha pena de nós, mas não quero que tentem desqualificar meu filho, o que aconteceu é muito grave, muito triste", disse Régis.

Enquanto a defesa de Ruan espera pelo desdobramento do caso, a defesa de Lica, alega ter provas que desmentem a versão do garoto e convicção que o coordenador será absolvido.

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